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"Era", "Uma" e "Vez": contadores dé estória (história)"

Era uma vez uma expressão tola, destas que vivem pelos cantos das prateleiras ou rabiscadas em uma folha velha qualquer. Mas, “era uma vez” não era apenas um amontoado de tolas palavras, tinha por detrás deste trio um emaranhado de canções, contos, poesias, dramas, comédias etc.

“Era” o mais velho – do sexo masculino – tinha afinidades com o pretérito, e por isso coordenava o enredo entoando dramaticidade a cada verso ou parágrafo que lhe impunha. Viajava juntamente com cada texto e tinha – novamente o pretérito – o encantamento dos olhos de um menino.

“Uma” sempre andava sozinha, tem a aparência serena e uma singular inquietude, é contraditória até mesmo na forma como dirige seu olhar. Quando não está sozinha, atirando pedrinhas às águas do pequeno rio, está divisando montinhos de areia para em seus pequenos saquinhos guardar. Canta durante todo o dia a mesma canção de tempos atrás: “O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido, e a rosa despedaçada. O cravo ficou doente. A rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio, e a rosa pôs-se a chorar”. É feliz dentro de sua individualidade, mas chora copiosamente diante da unicidade que a rodeia. É estranha esta menininha!

“Vez” é a mais duvidosa, nunca se sabe quando está vivendo ou dramatizando: ela vê a vida como um enorme tablado. Põe e tira máscaras o dia inteiro. Estes dias atrás, inventou ser Tristão, modificando toda a história. Certa vez – olha ela aí novamente – incorporou Rapunzel com cabelos à Chanel, pode isso? Figurinha especular, “Vez” sempre encontrava uma forma de exteriorizar suas dores, não gostava de senti-las – o que fazia muito bem -.

Quando os três se juntavam: “Era”, “Uma” e “Vez” formavam um belo e misterioso trio: “era uma vez”. Diminutos apenas em seus nomes, cujo conteúdo os tornavam grandiosos. Reuniam pessoas com uma finalidade comum: entreter e faze-los viajarem.

Não dispunham de gostos particulares: batalhas, lirismo e até mesmo tragédias – como aquela contada por Era, onde Édipo, o Rei, não consegue fugir ao destino. Lembro-me que neste dia, “Uma” começou a rir ao final, não sabia chorar. Já “Era” engolia em seco uma lágrima teimosa.

Foram tantos os enredos por este trio contado que eu ficaria por horas a narrar. Mas hoje a intenção não foi apenas relatar o meu encontro com estas três “figurinhas”, e sim apresenta-las a vocês. Que por estar lendo já indica afinidade.

“Era”, “Uma”, “Vez”: venham, quero lhes apresentar o fantástico mundo do recanto, onde há letras e canções, há também poetas e dramalhões, só não há realidade, pois esta ficou para trás.



Anita Fogacci
Enviado por Anita Fogacci em 27/09/2007
Reeditado em 10/01/2008
Código do texto: T670878

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Sobre a autora
Anita Fogacci
Cabreúva - São Paulo - Brasil, 45 anos
532 textos (38805 leituras)
1 e-livros (264 leituras)
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Anita Fogacci