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Baile de máscara

Camila chegou esbaforida, quase sem ar até o clube da cidade. Parou , olhou o movimento e atravessou a rua. Ajeitou o rabo de gata e encaixou o busto na fantasia. De frente a um retrovisor de um carro estacionado, olhou se a maquiagem ainda estava perfeita. Depois de verificar o visual, constatou se estava tudo em ordem, e seguiu até a entrada do salão. Uma multidão fazia fila pra entrar no saguão todo decorado para o baile de carnaval. Camila quase não reconhecia ninguém, ainda estava nas marchinhas iniciais e tradicionais de todos os anos e o pessoal adentrando ao baile. De início, havia combinado com as amigas de trabalho de fazerem um bloco “The cats” composto por seis amigas. Na hora, foi uma empolgação geral, todas concordaram, mais foi mirrando a idéia mesmo antes de vingar. Como na idealização, ela já havia até se visto de “little cat”, não deixou de lado a confecção de sua fantasia de carnaval. Fez tudo como havia imaginado e naquele exato momento, toda maquiada e completamente "siamesa" , com olhinhos arregalados, procurava o pessoal pra passar a noite conforme o combinado. Deu uma volta no salão e andou por entre algumas mesas, até que viu Lili, fez sinal com a mão e foi ao encontro da amiga. Cumprimentaram-se e rasgaram elogios uma pra outra sobre as fantasias que usavam. Lili de Vampira, numa fantasia sintética e insinuante, arrancava olhares direcionada as curvas do seu corpo escultural. Usava uma lente colorida vermelha e uns dentes compridos. Digna de moradora nata da Pensilvania. Fitou Camila, por alguns instantes, que ansiosa, não via a hora de juntar a “Tchurma” antes que o salão se abarrotasse de vez com todos aqueles convidados. Uma gatinha mimosa, com uma pele de pelúcia cinza, fazendo o recorte de uma jardineira dando vazão pra que sua pele respirasse. Uma linda máscara de gata, fazendo conjunto com o cabelo longo e negro. Muito confete e serpentina já tomava conta do local.” ...Ala la oooo ooooo oooooo ooooo mais que calorrrrr...ooooooo..ooooooo..oooooo..oooooooo”. Ritmava os foliões entusiasmadíssimos da cidade do interior de São Paulo. As meninas vendo que ainda era cedo, por volta das onze e meia, deixaram a alegria tomar conta do seus ânimos e deixou a coisa rolar. Uma hora se encontrariam com as demais. O regulamento do baile, era que as pessoas, usassem fantasias. Se fosse um concurso, com certeza, o páreo seria duro. As pessoas realmente levaram a exigência a sério. As fantasias compunham de máscaras e maquiagem. Na entrada tiveram muitos problemas com segurança, devido a muitos que não se adequaram aos adereços. Mais no final, o baile ficou muito bonito um salão todo colorido. Camila, tinha seus vinte e seis anos. Já era formada em publicidade e propaganda e morava na capital. Já que estava de férias, veio pro interior visitar a família. Nascida e criada em Bebedouro, seu maior núcleo de amigos, moravam ali. Elisângela, a Lili , devia ter lá seus vinte e oito anos. Não fez faculdade e nunca tinha morado fora. Namoradeira, vivia de namorico com seu colega de trabalho, Maurício. Eles trabalhavam num escritório de contabilidade no centro da cidade e numa carona e outra reatavam um relacionamento meio indefinido, em que não eram namorados, não eram fixos, só curtiam e morriam de ciúmes um do outro. Vai entender... Acho que eram sombras dos anos setenta. Só curtir... Maurício também estava no baile de "Mago" quem sabe de Oz, só quem criou a fantasia poderia definir , realmente. Uma roupa azul marinho acetinada coberta de estrelas purpurinadas, larga no seu corpo magrinho, um chapéu pontiagudo e uma máscara de idoso com uma longa barba branca. Incrível como combinava com ele. Depois de quase uma hora e meia as meninas se encontraram. Já faziam a maior algazarra. Entrou uma banda pra animar o baile tocando muitos estilos. Samba enredo das escolas de samba mais famosas, axés, e aos poucos muitos outros estilos tomavam conta da adrenalina da moçada. O Baile de máscaras, era um carnaval democrático, para todas as tribos. Todos os estilos, com tecno e tudo mais. Nos camarotes, haviam muitos casais de namorados e muita agitação. As meninas faziam charmes com suas fantasias e os meninos trocavam de fantasias entre si pra poder azarar o maior numero de garotas sem ser reconhecidos. De improviso o organizador da festa, chamou ao palco, algumas pessoas com fantasias afim de um concurso. No auge da euforia, deu-se um foco de luz no palco e subiram, voluntariamente, algumas pessoas. Lá estava dentre eles, que subiram,uma fantasia muito curiosa. Uma pessoa de um metro e noventa mais ou menos, vestido de gota. Isso mesmo, uma fantasia toda em silicone transparente e não usava nada por baixo. Quando dava o reflexo da luz dava um neon e ficava todo cristalino como uma "Gota d’agua". Era uma figura chocante. Cristalino no corpo e peludo nos membros externos. Uma peruca de homem da caverna, com uma barba preta muito cheia. Orelhas de duende e uma lente esverdeada como se fosse um óculos de sol muito grande. Daí subiram outras fantasias , como um moço vestido de "Bebê" e uma mamadeira cheia de Vodka, um cara com estilo "Sadô", duas "Bailarinas" e um "Pierrô". O baila que a menos de dez minutos estava “bombando” deu uma parada. As meninas de olhos fixos no “Gota” com sua fonte enorme a vista e de bandeja pra qualquer olho nú. As bixas eufóricas e muitos caras zuando. O apresentador improvisado, atônito com a encrenca em que tinha se metido, não sabia o que fazer com o cara ali pra ser julgado. As pessoas começaram a rir de inicio, depois perplexas, depois começaram a vaiar. Como o “Gota” havia seguido todos os regulamentos, pode entrar na festa. Só que de início, usava uma capa pretaque ia até o chão. Fazia papel de um “Gigante do pé de feijão”, com a capa e sem ela virava o "Super Gota" . Mais a surpresa era pra quando estivesse muito bêbado. Assim foi o plano dele, de inicio. Deduziu um cara que esteve na fila lá fora, por um bom tempo ao lado dele. Chegaram a trocar algumas conversas.. e do nada, sem querer, foi seguindo seus passos até o episodio da revelação da "Gota". Por fim, ele foi convidado a se recompor na capa, se quisesse ficar na festa ou se retirar, caso contrário. Na “zueira” do concurso, adivinha quem ganhou por excesso de originalidade? Creio que não foi a "Bailarina"...O premio foi até injusto, uma garrafa de vinho Chileno...aos pés de tanta criatividade...rs As amigas da Camila, já estavam todas exaustas de tanto dançar, e as vezes revezavam uma mesa perto de um pilar do salão. Fumavam, bebiam, ficavam com os garotos e a noite ia seguindo seu percurso. Quase não acontecia nada naquela cidade. Todos os bons partidos estavam naquele evento. Ainda não tinha dado se quer um beijo de “Cinderela”, a pobre da Camila quando tirando as “patinhas de gata” encostada na mesa foi puxada pela cintura por um lindo “Grilo” de quase um metro e setenta e oito de altura, de olhos azuis e um rabo muito redondinho apoiado por um par de pernas generosas. A noite estava salva. Ficaram por ali, por mais uns vinte minutos. E resolveram tomar um ar na sacada do clube. Não disseram uma palavra até então. Só se tocaram e trocavam beijos. Lá longe da barulheira, agora ao som de dance music, resolveram tirar as máscaras. Uma surpresa, eram ex namorados do tempo de colegial na época. Foi complicado, por que , haviam terminado tudo por desentendimentos imaturos. Chegaram a namorar por quase dois anos. E mesmo assim, depois de tanto tempo e as fantasias e de boca fechada não se reconheceram.Talvez suspeitassem, mais de foram indefinida até então. Foi desagradável, mais já eram quase cinco da manhã e não tinham tempo a perder, continuaram juntos. Léo, o Grilo, levou Camila pra casa naquela madrugada, transaram como dois sedentos e começaram a sair durante um tempo, sem “grilos”,mais que não foi longe, apenas uma aventura de carnaval ocasionada por um "Baile de máscaras" de ujma cidade do interior...Com muitos ritmos, cores, surpresas encontros e desencontros.

Débora Costa
Enviado por Débora Costa em 19/10/2007
Código do texto: T700713

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Sobre a autora
Débora Costa
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
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