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Na casa ao lado mora um simpático fantasma‏

Todos gostávamos de brincar no jardim do nosso vizinho pois tinha lugares bons para esconder e pregar partidas, confesso que aquele lugar causava arrepios, sempre pedia para nunca ficar sozinha pois o medo invadia até a espinha dorsal e eu paralisava completamente.
A minha casa era restaurada, bem conservada, grande própria para uma família grande e feliz, as vezes os meus pais ficavam horas a lareira contando historias engraçadas mas quando o meu tio vinha passar o fim de semana connosco sempre contava de terror.
As vezes fazia piada com a casa vizinha, dizendo que estava assombrada, confesso que ficava ainda com mais medo dela.
Era uma casa grande, toda trabalhada com madeira, tinha torres em todos os cantos, era esquisita, meio sombria, rodeada por belos jardins, tinha um lago lindo e toda repleta de belas de estátuas, algumas com água correndo.
Ela se encontrava já meio mal tratada, tinha alguém que vinha uma vez por semana abrir as janelas e fazer as limpezas, cuidando do pessoal necessário para manter o jardim agradável para receber visitas. Engraçado como nós gostaríamos de ter uma piscina e ela tinha uma bela piscina interior rodeada por belas plantas e por grandes vidros deixando passar a luz e reflectindo as águas serenas.
Conseguia ver da janela do meu quarto essa bela parte da casa, as vezes ficava horas observando, via mas  não todas as tardes, certos dias delas via uma menino nadar na piscina, estranhava mas sempre pensei ser filho do responsável da manutenção da casa.
Outras vezes olhava para aquelas torres que parecia ter vida própria, algo nelas mexiam, por vezes sentia os cortinados sendo afastados para o lado como se alguém estivesse me observando atentamente. cada olhar e movimento meu.
Os meus irmãos eram endiabrados, nada os detinha e eu falei que cada dia sentia mais medo daquela casa, não sei se pelas histórias horripilantes contadas pelo parvo do meu tio que divertia a brava me fazendo tremer de medo. Eles começaram por também estarem atentos aos movimentos da casa fugiam e iam para os jardins brincar e buscar pistas para poderem entrar naquela casa, um dia esbarram no responsável da casa mas ele era afável com as crianças. Sentou um pouco com eles no jardim, um homem de rosto franco, bom e puro, educado, conversador um homem curioso.
Como devem imaginar os meus irmãos fizeram todo o tipo de perguntas sobre os donos da casa porque nunca estavam e porque mantinham a casa mais ou menos  bem conservada fora sendo mais bonita no jardim que nas paredes já pouco estimadas pelo devastar do tempo. Ficamos bastante tempo escutando mas tinha algo que incomodava, algo que estava a martelar a minha cabeça, quem era aquele menino que nadava na piscina já que ele nem filhos tinha.
Um dia eu ganhei confiança em mim mesma e na despedida ganhando coragem perguntei, o senhor trás consigo um menino, talvez um sobrinho ou amigo, não?
Abanou a cabeça sorrindo dizendo eu devia estar a imaginar não existia menino algum e só ele tinha a chave da casa.
Aquilo me transtornou por completo, por momentos pensei ser algum menino que soubesse de uma entrada escondida e que ia se divertir naquela piscina, sempre curiosa e confesso que perdendo o medo. falei com os meus irmãos sobre o facto.
Reunimos todos como se fossemos um grupo aventureiro e que iríamos desvendar um segredo, combinamos ir brincar sempre para o jardim ao lado da piscina e ver se conseguíamos descobrir algo.
Estávamos a jogar bola no relvado todos contentes, de repente sentimos uma presença na água e olhamos e lá estava o menino nadando feliz e sorrindo, nisto ele acenou e pediu que fossemos ter com ele.
Abriu a grande porta de vidro e entramos eufóricos dentro, eu naquele momento esqueci o medo pela curiosidade mórbida que sentia naquele momento, feliz ele falou que estava precisando de amigos e que estava contente por estar ali com eles.
Fomos nadar e brincamos muito tempo na água mas ficamos cansados e com fome e queríamos vir para casa e claro que convidamos o menino mas ele acenou triste que não podia ir, logo combinou para dois dias seguintes a estarem todos juntos.
Tinha uns olhos lindos mas tristes como se não dormisse algum tempo aspecto de cansado, fiquei a pensar porque seria ele assim mas logo que cheguei a casa a o conforto da comida descansou e adormeci no assunto.
Logo chegou o dia e cada dia tenhamos mais avanços com ele, engraçado ele tinha um nome estranho Leopoldo, desatamos a rir mas achamos simpático, afinal era o nosso amigo Leopoldo, tudo era encantador mas fugia de falar da família e a cada dia estávamos mais ligados a ele.
Estando já frio para nadar e ele sempre recusava vir ao jardim brincar. convidou a brincar dentro da casa e estranhamos pois lembramos das palavras do responsável da casa, fomos pois queríamos ver a casa por dentro.
Entramos e ficamos encantados com o luxo e riqueza vista lá ninguém diria por fora a beleza que tinha aquela casa por dentro, um castelo autentico, os dias passavam e cada dia conquistávamos uma nova divisão para conhecer e brincar, claro com cuidado para nada estragar e confesso que era divertido ter uma casa só para nós.
Quando passamos as divisões de cima eu fiquei pregada ao chão com um retrato que vi na parede, o Leopoldo era copia do menino do retrato, confesso que senti um arrepio forte e um medo mas ao mesmo tempo assolava a minha mente que seria impossivel ser ele. Deparei que ele me olhou de forma estranha como se lesse os meus pensamentos mas ficou calado.
No dia seguinte levantei cedo e foi meter conversa com o zelador da casa sendo um homem afável com as crianças iria me dar alguma pista para o que vi, perguntei sobre os donos porque não vinham ali e porque mantinham a casa bem conservada e os jardins, ele convidou a sentar na relva triste e pensativo e contando a triste tragédia vivida naquela casa.
Menina há trinta anos esta casa era feliz, cheia de vida e amor, muitas festas e meninos brincado aqui, os donos só tinham um menino que nada lhes faltava, eles faziam tudo por ele, era uma loucura total e sendo ele só aquele filho. Um dia ele veio nada para a piscina e se afogou, estranhando a mãe veio a sua procura e o encontra morto e foi a tristeza total.
Fecharam a casa e foram para longe daqui embora conservem tudo muito direito hoje são velhinhos pois este menino já veio tardio, as vezes deixam amigos vir aqui passar uns dias mas não gostam muito somente querem a casa conforme estava naquela altura mas sem coragem de voltar aqui.
Eu fiquei triste e achei que já sabia de tudo, sorrindo despedi do senhor agradecida e já a correr veio ao pensamento como se chamava o menino, gritando perguntei, acenando ele responde, Leopoldo.
Naquele momento as pernas ficaram tremulas e sem forças e acho que fiquei branca de tanto espanto e medo, não podia ser era demais que fosse ele, respirei e corri para casa, gritando em alvoroço vamos todos para o meu quarto quero contar algo.
Todos correram para o meu quarto, contei toda a história que me foi contada e depois o nome do menino eles ficaram petrificados com tudo o que estavam a descobrir, pensavam seria mesmo possível tal coisa que o nosso amigo era um fantasma.
Chegou o momento de ir brincar com o nosso amigo fantasma, chegamos e tentamos descobrir a verdadeira pessoa dele, perguntando de novo pelos seus pais e porque estava ali sempre sozinho, ele percebendo que já desconfiávamos de tudo contou quem era e porque estava ali e pediu ajuda pois queria despedir e explicar aos seus pais que não tiveram culpa alguma do que aconteceu.
Foi mostrar o seu quarto era lindo cheio de brinquedos e tudo na mais perfeita ordem mas faltava algo nele os seus pais e não queria partir sem os ver ali de novo e conversar com eles.
Tratamos de saber como o poder ajudar e pedimos que os pais regressassem de novo aquela casa argumentando que tinha-mos descoberto algo sobre o filho e que somente ali poderíamos falar sobre o assunto.
Dois dias depois chega um carro e mais outro e vimos que estavam na casa de novo, fomos convidados a ir jantar e os meus pais e tio também, esse nem que não fosse se faria convidado pois sentia vontade de conhecer a casa.
Deparamos com um casal idoso, ela muito bonita mas de olhar triste e apagado e ele um senhor distinto e elegante mesmo para a sua idade, correu muito bem o jantar sem eles tocarem no assunto, o lugar do filho estava marcado como se adivinhassem algo , o nosso amigo Leopoldo estava no seu lugar somente nós as crianças o podíamos ver, sorria feliz pelo momento que estava vivendo.
Fomos convidados para ir para a biblioteca, lugar onde o Leopoldo adorava estar e se divertir, foram buscar álbuns de fotos e com lágrimas nos olhos falavam do seu menino muito amado e querido. Via que o Leopoldo abraçava eles mas eles somente sentiam uma sensação estranha como se um frio e ao mesmo tempo um cheiro do seu menino entrasse em suas almas.
Ela começou a chorar dizendo que sentia o filho ali e depois foi mais fácil poder ajudar o nosso amigo, falamos o que ele queria dizer para partir em paz e unir os pais de novo, a culpa que cada um carregava os afastou, criando uma cortina de ferro no amor dos dois.
Ele contou como tudo aconteceu, como viu o desespero dos pais e porque não podia partir sem resolver essa parte, foram lágrimas e muito sentimentos, os meus pais e o meu tio choravam copiosamente, enternecidos com tudo aquilo que estavam vivendo e porque não acreditavam em fantasmas e outras vidas.
Chegou o momento da sua partida invadia um amor suave naquela sala, tudo estava estranho parecia que escutávamos musica suave, foi invadida de suaves aromas, era um silêncio, um respeito solene de tudo que estava acontecer.
O Leopoldo veio nós abraçar e despedir dizendo que seria o nosso anjo da guarda e brincaria connosco que seria invisível mas que o nosso coração sentiria a sua presença ao nosso lado, confesso que isso me confortou pelas saudades que estava a sentir.
Ele acenando foi em direcção a luz, linda, quente, suave e nela vimos um belo anjo, ele sorriu e agarrou a mão do Leopoldo e nisto tudo desapareceu.
Hoje já sou crescida e guardo a foto do meu amigo, quando sinto sozinha peço a sua presença e converso com ele e sei que ele esta comigo e sempre presente. Conto esta bela historia aos meus filhos e amanhã serão aos meus netos até chegar ao momento de o Leopoldo me vir buscar para sua companhia...
Betimartins
Enviado por Betimartins em 26/10/2007
Código do texto: T710376

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