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MULHER... FANTÁSTICA VISÃO

..Costumo ir todos os dias. Gosto de chega cedo, sentar-me bem perto da entrada, justo a janela, para ficar observando quem passa, entra e quem sai. Sou uma pessoa muito reservada em minhas coisas, principalmente em leituras e anotações. Não fui, nem sou de muitos amigos, quando pequeno, cercavam-me de livros e mais livros, ora pudera, eu era uma criança sendo educada por professores pais ou pais professores, e assim fui acostumando-me com todas essas leituras e livros que, outrora eram obrigadas e chatas más agora tornaram-se prazerosas e não deixo de ler pelo menos um livro por semana. O último foi O Livro de Loraine. Ainda me lembro muito bem como eram meus jogos de infância, crosswords, também tinham as dezenas e dezenas de livretos e os ensaios de meus pais, de grandes autores como: Ezra Poud, Emerson e Thoreau, eu adorava os contos Ingleses; e os nacionais contemporâneos como: Leonardo Almeida, Paco Cac, Hilda Hilst, Carlos Cunha e LVS faziam parte do grupo, dentre muitos outros grandes poetas de outro e deste tempo que compunha minha adolescente estante. Certa vez, é foi assim mesmo...
Julgava-me estar sozinho, ali, sem mais ninguém para interromper minha conversa interior diária. Quando de repente vejo diante de mim, em pé, parada a olhar-me sem dizer uma só palavra, não saberia dizer-lhes há quanto tempo poderia estar a me olhar. Minha pacata razão, agora perturbada, no seu equilíbrio total ao vê-la, ali, de fronte a mim. Ela vinha caminhando em minha direção, parou diante de minha mesa, não disse uma só palavra si quer e eu como que enraizado no chão, estaguinado, não conseguia emitir uma só sílaba. Um só som. Um álgido calafrio correu-me por todo o corpo, uma sensação insuportável oprimia-me o ser, uma curiosidade consumidora invadia-me os pensamentos e os instintos. O porquê de tudo aquilo estar acontecendo comigo naquele exato momento? Não sei se era minha imaginação excitada com tudo aquilo ou a luz baixa do lugar que ocasionava-me essa fantástica visão. Recostando-me na cadeira, de forma a ficar bem mais confortável e de modo que eu pudesse ver ou sentir, pois os sentidos já estavam enganando-me, aquela que, para mim seria a visão perfeita do ser que eu procurava e buscava quando estava em meu mundo. Permaneci ali, por alguns minutos imóvel e quase sem respirar, com os olhos estatelados naquele vulto cândido que, percorri de baixo a cima, com meu ardente olhar, cessando em seu lindo rosto. Trajava um longo vestido branco, um tanto quanto transparente, é... era mesmo transparente, com alguns detalhes dourados nos punhos, colarim e decote... Juro-lhes que dava para ver toda sua candura... Seus cabelos dourados reluziam um brilho inigualável, nunca visto outrora por mim, caiam-lhe parcialmente sob a testa descobrindo meados de sua alva face, só dava para ver um de seus olhos, lindo, azul como o céu de minha cidade natal, linda BSB, que contrastava com o ar melancólico de seu semblante. Afugentei-me involuntariamente a vista daquele olhar vítreo para olhar seus fartos lábios, delicados e contraídos, vermelhos como sangue e ardentes de paixão. Pareciam estar-me convidando para tocá-los, senti-los. Sentou-se de frente a mim, não conseguia esboçar nada além de um sorriso abobalhado e sem graça. Como poderia esboçar alguma reação naquele momento fantástico. O arrastar de uma cadeira assustou-me, por um estante desviou-me a atenção. Quem poderia ter feito tal barulho? Desviei meu olhar para trás com um ar de insatisfação e não enxerguei mingúem, o barulho tinha vindo lá do fundo. Não tinha visto nenhuma viva alma se quer entrar pela porta, quem poderia ser? Quando me virei não vi mais aquela que, era a mulher mais perfeita de minha curta existência, aquela fantástica mulher com quem tinha deparado anteriormente. Para onde ela teria ido? De quem seria aquela fantástica visão que tive? Tantas perguntas perturbava-me os pensamentos agora, e eu se nenhuma resposta para dar. E assim cerrou-se a noite, densa, em torno de meus pensamentos mais profundos e obscuros. Demorou-se mais foram embora. Clareando-me como uma manhã angelical de domingo.
Retornei novamente a meu ser, como que por encanto, o lugar estava cheio de pessoas a estudar e escrever. Quando olhei para o relógio dependurado na grande parede central da biblioteca, meu Deus! Já eram dezesseis horas. Novamente eu tinha viajado em minhas estórias e pensamentos, más naquele momento eu só pensava na perda do ônibus pra casa...

LVS
Leonardo Vivaldo
Enviado por Leonardo Vivaldo em 08/12/2005
Código do texto: T82575
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Sobre o autor
Leonardo Vivaldo
Gama - Distrito Federal - Brasil
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