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A Tormenta

             O Sol se esconde timidamente por trás de pesadas nuvens escuras que, desinibidas, obscurecem a clareza de meus pensamentos.  Minha visão se torna turva. Figuras disformes passeiam por entre espessa cortina d’água.
Trovões rasgam o ar e bombardeiam sem piedade o meu cérebro.  O vento sopra com força, brutal, tentando apagar a chama de vida que arde em meu peito.
Sinto medo.  Mais da vida do que da morte. Medo da natureza, a mesma que deu origem ao meu corpo.  Parece que ela o quer de volta, parece a cobrança antecipada de um empréstimo.
Um suor frio escorre de meu rosto.  Me sinto só.  Milhares de pessoas lá fora e me sinto só.  A solidão é mesmo peculiar.
Sou como um animal acuado, observado por uma "Força Maior" que ri da minha fraqueza, da minha ignorância, do meu medo infantil.  Mas não sei se ela está rindo “por mim” ou “de mim”...
Oh tormenta infernal, quem dera fosses o fruto amargo da minha imaginação.  Ou seria eu o irreal, o elemento contrastante e aflitivo dentro de tua inalterável desdita?
Sinto vontade de gritar ao mundo: PAREM A TORMENTA!!!
Mas quem se importa?  Muitos não sentem medo, acostumaram...
Insensíveis, tal como o mal que os flagela.  Surdos aos próprios gritos do seu interior.  Já não são cegos à desgraça alheia.  Eles a vêem, mas não se importam...
A chuva castiga a terra. Um oceano de lágrimas vindas do céu transformando em lama caminhos antes alegres e límpidos.  A natureza parece lamentar a minha existência.  Eu também lamento, mas minha contribuição é mínima, pequeninas lágrimas misturadas à torrente que desaba constantemente, em todo lugar.  Mas são lágrimas sinceras... minha pequenina cota de lamentação.
Tirânica, terrível, implacável, íntima. (Parece que ela me conhece e sabe  dos  meus  medos...  dos meus anseios... não posso temê-la.  Sinto medo de “sentir medo”)
Pensamentos revoltos, açoitados por ondas formidáveis, naufragam num mar de angústias.  A razão me faz crer na loucura.
Em meio a tempestade, ouço gritar meu nome.  Meus amigos me chamam para sair.  Está um dia lindo lá fora.
(Sim, fora de mim...)
 





Ps - É Importante que fique claro que a fantasia interior vivida pelo personagem foi causada pela depressão/obsessão, nada tendo a ver com drogas de espécie alguma.  (Ele é vítima da depressão, não da burrice)
André da Costa
Enviado por André da Costa em 23/12/2005
Código do texto: T89907
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Sobre o autor
André da Costa
Viradouro - São Paulo - Brasil
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André da Costa