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História de uma árvore e seu jardineiro!


 História de uma árvore e seu jardineiro

 Apenas uma história.

 Havia uma floresta, com árvores, flores, borboletas, passarinhos, bichos, bichinhos, e tudo que possa ter uma floresta. Afinal, uma floresta tem que ter este cenário..

 Num determinado ponto desta floresta... Brotava de uma árvore grande e forte, uma pequena muda.   Por ser a árvore muito forte, cobria o sol que vinha aquecer aquela mudinha, recém brotada.

 Como vocês sabem: as plantas para crescerem precisam de ar puro, chuva, muito sol, e mais algumas coisas... Assim... A pequena muda crescia procurando sol. Ela tentava ser forte e corajosa, e aos pouquinhos ia se desenvolvendo, mas, com tanta sombra era difícil acreditar que poderia crescer e ser forte.
O que ela mais queria era ver o céu e o sol!..

 Um dia... apareceu um jardineiro, ou alguém que se dizia jardineiro. E vendo aquela pequena muda, se encantou por ela e resolveu leva-la para sua casa. A mudinha também ficou encantada com o jardineiro, e radiante quando ele a levou.

 Agora, ela junto ao jardineiro receberia a luz do sol, cresceria forte e alegre. Poderia dar flores, frutos, e quem sabe, chegar até perto do céu. O vento haveria de sacudir-lhe os galhos e ela mostraria toda sua força.

 Porem... O jardineiro começou a podar-lhe os galhos, dando-lhe a forma que, a ele jardineiro, mais agradava.

 O sol aquecia-lhe os galhos e as folhas, enquanto ela nutria-se da seiva da terra.. Com todo vigor começava a crescer!
 Mas logo vinha o jardineiro e cortava seus galhos.

 Ela começou a entender: o jardineiro não queria que ela crescesse porque ele se sentia baixinho, e se ela ficasse muito alta, talvez ele perdesse sua sombra.
 Por mais que ela tentasse, crescendo um galho ou outro, não tinha jeito; o jardineiro logo percebia e com tesoura afiada ou de um golpe cortava-lhe o galho.

 A pequena muda, agora já uma árvore, entendia o jardineiro. Sabia que ele precisava dela para se abrigar; talvez mais do que ela dele, para matar-lhe a sede e adubar-lhe o solo.
 E assim, ia tomando a forma que ele queria. Mas, qualquer descuido e já um galho estava mais alto.

 Um dia... Quando ela olhou para o chão, notou que de suas raízes brotavam outras  mudas. Ela se encheu de alegria e o jardineiro também.

 As novas mudas começaram a crescerem fortes. O jardineiro cuidava delas. Colocava estacas, quebrava-lhes os galhos para ir dando-lhes forma a seu gosto.

 A árvore começou a perceber que o jardineiro queria mais sombra e iria usar as pequenas mudas para isso. Todos aqueles brotos, nascidos de suas raízes, seriam como ela.
 Isto não poderia acontecer!

Por isso, a árvore foi se virando, se inclinando, de modo a dar mais sombra ao jardineiro e deixar o sol bater em cheio nos seus brotos.
 Vinha o sol, a chuva, e as mudinhas cada dia mais forte e mais livre.
 Enquanto a árvore, cada dia mais inclinada, dava sombra ao jardineiro e abria passagem às novas árvores.

Às vezes, ela tentava pegar um pouco de sol e olhar o céu, más já agora era muito difícil. Seus galhos estavam retorcidos; enquanto seus brotos, agora árvores, faziam-lhe mais sombra.

 Sua grande alegria era perceber que as novas árvores estavam altas, cheias de sol e balançavam ao vento..

 Um dia de tempestade, um raio atingiu em cheio a velha árvore, e ela foi ao chão! Pensou que ia morrer... Mas o jardineiro acudiu em colocá-la de pé. Arranjou estacas e amarrou-a. As outras árvores, suas mudas, que ainda estavam presas a ela, ajudaram-na a retirar do solo o alimento que precisava.  Ela começou a florir!...

 Já não dava tanta sombra, mas começou a notar que de seus galhos brotavam flores de todas as cores.
 Os que por ali passavam, paravam para ver uma árvore, toda quebrada e amarrada, dando flores. Ela sentiu que estava viva!

 O jardineiro que a princípio se alegrara com as flores, começou a se aborrecer. Afinal, aquela árvore era dele, e toda aquela gente que por ali passava e parava para ver as flores, tirava-lhe o sossego.
 A árvore percebeu isso. Ela amava o jardineiro e sabia que tinha obrigações para com ele, que sempre cuidara dela... Pena que ele não percebesse que todas aquelas flores eram para ele.

 Ela murchou.... Mas o jardineiro nem percebeu.
 Ele continuou a cuidar dela porque para ele o mais importante era ter onde se esconderr.
 O tempo passou...
 A árvore, apesar de triste, era forte e continuava a florir!
 O jardineiro já não tinha força para podar-lhe. Nem adiantava...
 Ele agora, mais do que nunca, precisava dela pra se apoiar.

 Os dois compreenderam que um dependia do outro para sobreviver.
 Talvez tenham encontrado a sabedoria do equilíbrio.

Lisyt
Lisyt
Enviado por Lisyt em 23/04/2008
Código do texto: T957911

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Sobre a autora
Lisyt
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 70 anos
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