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Objeto Estranho

Eu fui condenado ao congelamento por cento e oitenta anos depois de assassinar um homem, não consegui provar que havia sido legitima defesa, e nem eu tinha tanta certeza disso, afinal de contas naquele dia eu estava muito, mas muito bêbado.
Fui descongelado em um planeta chamado Zirtax e este lugar é estranho em alguns aspectos, não há oxigênio natural por isso uma esfera envolve este planetóide para que respiremos o ar que é produzido por máquinas e que sai por tubos espalhados por todas as partes.
Existem também duas luas e eu adoraria poder ficar olhando para elas, são tão diferentes da que me norteara no passado, aquela que iluminara tantas pescarias junto de meu pai no lago e que foi testemunha de suspiros e carícias na juventude, mas estas nunca são substituídas pelo sol que agora não brilha mais e que está muito distante deste lugar, e que me faz sentir falta das longas tardes passadas na praia procurando conchinhas e empinando pipas.
Eu não consigo admirá-las sossegado, sempre temos alguma tarefa à cumprir, mesmo que seja pelo simples prazer de nos acordar na hora que o sono nos parece mais prazeroso.
Um sujeito engraçado observa à todos nós, ele usa um capacete que possui um binóculo que lhe permite ver até a cor de nossas meias, e para todos isso é no mínimo muito constrangedor, ele segura uma arma estranha que eu já vi em ação, ela é capaz de desintegrar uma pessoa ou objeto em segundos, espero nunca ter de enfrentá-la.
- Ei, você aí, volte já ao trabalho – me disse o cara da arma.
Tudo começou quando fomos acordados e nos informaram que deveríamos ir até o projetor de informações central para saber a nossa tarefa, até aí nenhuma novidade fazemos isso todos os dias depois de nos alimentarmos com aquele desjejum sem graça, mas qual não foi minha surpresa ao chegar lá e ler em letras garrafais o seguinte:
“Prisioneiro australiano perde o estômago no jardim.
Missão: localizar o objeto perdido”
Eu me pergunto: desde quando um estômago é um objeto? E como uma pessoa pode perder o estômago no jardim? Que loucura, como não tenho outra opção, cá estou eu procurando o tal estômago.
Melhor parar de divagar tenho que olhar, vasculhar e esquadrinhar todos os cantos, afinal de contas nunca se sabe onde essas coisas vão parar...
Outro prisioneiro se aproxima de mim:
- Sabe o australiano que perdeu o estômago? Já teve um artificial implantado ontem enquanto estávamos dormindo, não entendo porquê ainda estamos procurando essa porcaria, nem tomei café...
Só tive tempo de olhar para ele e antes que pudesse-mos falar alguma coisa fomos surpreendidos por uma explosão bem atrás de nós, e então descobrimos o motivo da preocupação dos grandões em encontrar aquele troço. O estômago do australiano havia caído em um tubo de ventilação e estava obstruindo a passagem do ar.
- Corram, tudo vai explodir...
E então tudo que ouvi foi um grande BUM...
Marcia Fox
Enviado por Marcia Fox em 13/04/2006
Código do texto: T138516
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Sobre a autora
Marcia Fox
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Marcia Fox