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Alguém na Multidão II

   O trio um tanto estranho, cada um tentando expressar algo, chegou a um estúdio montado próximo ao palanque, Diana afogada pelas próprias palavras, mesmo assim, apesar do todo que a circundava, que a esperava, ela repetiu o gesto de assento dos demais e esperou o maxilar da Dra. Ágata entrar em movimento e juntamente com as cordas vocais este exprimir palavras. E como num desejo realizado, assim se fez: - Bem, garota, eu não sou de fazer isso, mas gostei de você, gostei de sua atitude, por isso gritei daquele jeito, e viemos até aqui, porque embora as inscrições estejam acontecendo, aquelas centenas de estudantes estejam esperançosos para entrar no hall da fama conosco, a escolhida é você! Nós queremos você para estagiar conosco...
(Interrupção)
-Mas por que seu jaleco está sujo de sangue?-Otto Reparara no dito desde o início do encontro, e não conseguira disfarçar por muito tempo a curiosidade, era fascinado por tudo que envolvia sangue.-Aconteceu algo?
Diana sentiu seu espírito se libertar, finalmente podia pedir ajuda, um tanto ofegante:- É isso, por isso que gritei, não quero vaga nenhuma, não quero estágio algum. Quero apenas ajuda!-Respiração, as expressões médicas foram de espanto, do jamais esperado... Diana contou o caso.
-Muito bem, então vamos ao hospital- Atendeu Otto. – Ela deve estar lá! Você fica Ágata?
O relato de Diana era tudo que ela menos esperava, perdida entre os fatos respondeu:-Não, eu vou, mas vamos resolver a questão do estágio primeiro, isso é mais importante.
Otto dirigiu um olhar de desprezo,  levantou-se, puxou Diana pelo braço, e de mãos enlaçadas saíram do estúdio, saíram do local no carro de Otto, Ágata e sua fúria percorrendo os arredores, calculando o perfeito gesto de vingança: era muita humilhação o que Otto fizera. Acidentes acontecem todos os dias, a toda hora, mas uma contratação para um projeto como aquele era uma única vez na vida.
Deu a ordem para encerrarem as inscrições e para desmontar as estrutura do evento, era o fim, sorte dos que haviam escutado, azar aos antônimos. Deu a partida em seu carro, e foi ao maior hospital da cidade, sentiu medo de ser seguida, algum tiete ou fã desgovernado a atacar aproveitando do momento de solidão, mas a solidão em sua vida não era só momento, era eternidade, completo existir, porque ela mesma não dava chance a si, quanto mais aos outros.
Passou por um semáforo onde havia marcas de um acidente, sorriu. E fez de conta que por alguns momentos no mundo só existiam seu pé e o acelerador, em plena harmonia.
Otto e Diana, seguiam bem a frente, quase de encontro ao destino pretendido, ele dirigia com uma mão, a outra apertava forte a mão dela, àquela altura já tinham descoberto nomes, e idades... Era o primórdio para tão bizarro encontro de estranhos. Ela voltara ao pranto.
Otto precisava dirigir com as duas mãos, sentia-se mais seguro, mas aquele contato o estava fazendo tão bem... Carência? Se sentia a pessoa mais segura do mundo... Por que?  E só sabia de um nome, um número representando idade, e de um acidente, mas estava feliz, o contato o fazia completo, esquecer de posição social, de status, compromissos e preocupações, era sensação inexplicável, demasiada prazerosa, seria recíproca?
Chegaram ao hospital. Tomando lugar e voz, Otto, portando mais calma, dirigiu-se á recepção, e com auxílio da irmã da vítima. Sim, ela estava ali, a amiga também, tinham sido atendidas faziam dez minutos, numa bateria de exames se encontravam. Esperar era o feito da vez, beberam água e aguardaram o médico responsável pela entrada delas, sedentos de informações, aguardaram.
Ágata já estava próxima, apenas observando ambos, escondida, nada contente.
Uma hora,e o médico chegara... :- Ela está melhor agora fisicamente, mas está respirando com auxílio de aparelhos e em coma profundo, mas pelos indícios do exame, o coma foi ocasionado somente por exaustão e choque, não podemos afirmar, mas é possível que ela acorde no máximo em alguns dias. A outra moça, chegou aqui a pé, muito ferida, foi transferida para outra cidade, mas recebemos a notícia de que no meio do caminho ela não resistiu...
(mais pranto, um tanto de alívio, pois ao menos não era sua irmã).
...- Agora ela será transferida para um quarto e poderão vê-la á tarde. Por favor, não deixem de preencher o formulário na recepção, e cumprir com os processos legais do hospital.
   Mais tranqüilos saíram do hospital, ele a levaria em casa, Ágata continuou no hospital, escondida, revelando-se somente após a retirada de ambos. Em falso pranto na recepção, se apresentou como outra irmã da vítima, conversou com o médico, ele lhe informou o mesmo, inclusive o número do quarto, o médico ficou deveras surpreso: Dra. Ágata, passando por aquele mal, justamente no dia de lançamento de seu projeto... Mas se conformou, pois o Dr. Otto estará ali também, união sem igual imaginava ele. Lhe informou o número do quarto, e lhe deu um crachá de livre acesso ao paciente.
A fome e a vontade de comer, um cínico obrigada ela lhe devolveu, e acabara de formular seu plano: Esta menina tem que pagar por roubá-lo de mim, vou vir hoje a tarde sozinha, e desligar os aparelhos de sua irmãzinha...

Continua.

   
Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 25/09/2007
Código do texto: T667564
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco