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Uma Oportunidade

Alan esperaria o quanto fosse necessário por mais uma oportunidade.

A última chance que tivera de fugir foi há cerca de dois anos, quando ainda haviam outros vivos. Não podia fugir enquanto houvessem outros. Os alienígenas foram claros, muito claros. Se algum escravo humano fugisse, outro pagaria por isso. Isso tinha evitado as fugas durante décadas.

Mas agora, os últimos humanos estavam morrendo. Não havia mais a quem proteger.
Naquele campo de escravos, só restou ele.

Alan nasceu no cativeiro, no segunda lua do planeta natal dos alienígenas. Um dos poucos humanos nascidos em cativeiro, quando ainda havia uma guerra, e havia esperança de libertação.  Na sua infância, lembrava de ouvir os adultos falarem das grandes naves da frota terrestre, de como destruiriam as naves alienígenas, e os soldados  viriam salvar a todos e levá-los de volta para a Terra.

Mas o tempo passou, e nenhuma nave da Terra apareceu. Os mais velhos foram morrendo, e com eles, um dia, morreu a esperança de liberdade ou salvação.

Mas, agora, não deixaria passar a próxima oportunidade. Os alienígenas não descuidavam da vigilância, mas ele aguardaria uma ocasião propícia. Mesmo sendo o único escravo, haveria um momento de descuido, e ele poderia entrar na densa floresta daquela lua, e se esconder, até que se esquecessem dele. Então, depois, poderia tentar roubar  uma nave, e fugiria daquela lua. Poderia ir para a Terra, se os boatos de que ela tinha sido totalmente destruída durante a guerra não fossem verdadeiros.

Mas para Alan pouco importa. Ele nunca soube o que era a Terra. Toda a sua vida tinha sido escravo, por isso, assim que tivesse a oportunidade fugiria. Um dia, quem sabe, voltaria para se vingar. Talvez houvessem outros como ele, fugitivos ocultos, criando uma resistência que, um dia, seria forte o suficiente para vencer os inimigos. Alan sabia que os humanos não desistiam facilmente.

Mas, até o dia que tivesse uma chance de fugir, só podia esperar.

Alan esperaria o quanto fosse necessário por mais uma oportunidade.
Kleronomas
Enviado por Kleronomas em 23/10/2007
Código do texto: T705998

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Sobre o autor
Kleronomas
Osasco - São Paulo - Brasil, 43 anos
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