Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Os Mensageiros (Parte I) Continuação da novela "O Enviado" já publicada integralmente neste site

Mal acabei "O Enviado" e passados alguns dias tive vontade de o continuar por achar que a história e sobretudo as personagens tinham ficado a meio de um caminho narrativo que me interessava ver continuado.
Assim, retomo a novela alguns anos depois do encontro de Gabriel com o Enviado, alertando os leitores que sem lerem a novela não irão achar as linhas que começo a publicar hoje, e que se irão prolongar provavelmente por vários meses, com muito nexo.
Peço desculpa pelo incomodo e desafio os novos leitores a lerem a novela...Vão que vale a pena ser lida, vão que vão achar o vosso tempo bem gasto e depois poderão acompanhar o crescimento do conto que hoje vos começo a apresentar.
Obrigado pela atenção prestada, boas leituras :)


Por fim Eles chegaram
Tinha chegado a altura de um só governo, uma só pátria, um só Deus
Tinha chegado a altura de construirmos o Reino dos Céus
Tinha chegado o momento de todos os tempos, O Dia dos Dias

                               OS MENSAGEIROS
                      (Continuação de “O Enviado”)
                        “A Luz é a sombra de Deus”
                                     A.Einstein
          Ao Fernando, Camarada, Irmão que conheci em Taizé no verão de 2007 e cuja fé nas coisas sensíveis ajudou a que tivesse reencontrado a minha esperança no Invisível





                                  Prólogo


-Monsenhor, pensamos Tê-lo encontrado por fim mas em território pagão, em território chinês.
-Quer dizer a Eles, Eles agora são quase tão numerosos como os Apóstolos originais, o que quer dizer que a Revelação e o Fim dos Tempos estão próximos…
-Não, a pista não é sobre Ele ou Eles, é algo de maior, de mais importante…
-Mas o que pode ser maior do que Ele?





                                                 1


-Gabriel?

Uma voz doce e calorosa há muito esquecida percorreu a escuridão e envolveu-o num manto de distante carinho que ele pensava perdido para sempre

-Gabriel?

De novo a voz familiar que ele tanto amava e que o retirou do turpor onde o sono tinha mergulhado

-Sim?
-Gabriel acorda…
-Mas quem és tu?
-Que pergunta mais parva, sou Eu…

Gabriel reconheceu definitivamente aquela voz milenar e abriu os olhos, interpelando-a pela surpresa

-Patrícia, és Tu?
-Sim, quem havia de ser? Não me digas que sonhavas com outra?

Perguntou-lhe com voz sorridente e obviamente bem disposta

-E que barulho é este? Ouço crianças…
-É o nosso filho Gabriel que brinca com os vizinhos no quintal
-Nosso filho…?
-Vais ter de parar de fazer noitadas de trabalho pois já nem te lembras...É o nosso filho Fernando e hoje são os anos dele, oito anos e temos a festa quase a começar e os convidados a chegar, vá levanta-te…
-Mas o nosso filho morreu, e depois Tu, e depois…

Foi nessa altura que abriu os olhos e que quis ver o rosto do seu amor que tudo se enublou num vórtice escuro onde os sons se misturaram com o ruído de transito não sabia bem de onde, e foi então que apareceram mais rostos diluídos, de Carlos, dos seus novos Irmão, do seu Senhor de Maria, e a dor à mistura da perda com o prazer de ter encontrado um grupo que fizesse as vezes de Deus e da casa que perdera quando Patrícia morrera.
Isto era demasiado implausível para ser verdade, isto era…
Um sonho
Gabriel sonhava com coisas que se tinham passado há séculos atrás, com a memoria da sua mulher, que apesar de morta nunca desaparecera por completo de si.
Quis acordar e fez um esforço demencial para tal, sendo que nesse esforço gitou desalmadamente, acordando então e reparando que Maria e o seu Senhor estavam a seu lado.

-Pesadelos de novo Gabriel? – Perguntou ela num tom compreensivo de quem bastas vezes tinha assistido a cenas semelhantes, quase infinitas ao longo dos quinhentos anos que levavam de companheirismo
-Sim…Não há forma de passar completamente a dor…Ela volta sempre…Eu pensava que por deixar de ir ao cemitério e de beber que com o tempo a esqueceria, devotando toda a minha entrega a vós…
-Ela não desaparece nem desaparecerá nunca porque tu a amas e amarás para sempre…Mas a dor irá ser cada vez menor, ao ponto de a conseguires integrar na tua, na nossa vida como algo que faz parte de nós, tal como o resto das coisas que fazem um ser humano…
E tu andas melhor…Já só sonhas com Ela, já não falas dela, o que é um progresso…
-Mas deixei-me adormecer e estou confuso…Onde estamos?
-No local onde tudo começou, em Paris, amanhã vamos a Notre Dame para o nosso ritual anual de partilha do sangue do Nosso Senhor…
-E depois…?
-Esta noite tivemos notícias dos nossos contactos, notícias importantes e parece que algo de significativo se passa em Marte e temos de arranjar forma de lá ir…Mas precisamos da tua velha perícia, precisamos de identidades pois apesar de quase um quarto da população da Terra lá morar por estes dias, a politica de emigração é muito rígida…Consegues os tais documentos Gabriel?
-Vai demorar algum tempo, mas em principio sim…Deixem-me ver como as coisas estão em Paris e descobrir as pessoas certas para lá ir e conseguir o que queremos. Temos transporte?
-Um velho e anónimo cargueiro, demora imenso a lá chegar mas é suficientemente discreto para não dar nas vistas, pois parece que a China e a Índia estão de novo à beira de mais uma crise diplomática que ameaça ser de pólvora…O cargueiro tem as cores da União que permanece neutra na crise e assim facilita a nossa entrada…O problema maior é o que nos interessa estar em território Chinês e estes não estão propriamente interessados em nos deixar lá chegar, apesar de tudo indicar não se terem apercebido da dimensão da descoberta.
-E afinal o que descobriram?
-A informação é escassa mas ao que parece é o primeiro sinal Dele em muito, muito tempo…
(Continua...)
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 13/11/2007
Código do texto: T736016
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
5131 textos (172813 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 02:40)
Miguel Patrício Gomes