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O BEIJO PROIBIDO

O BEIJO PROIBIDO


Quer sair. Não pode. A mãe não deixa. Tem apenas quatorze anos e a mãe é fã da educação tradicional. Precisa achar um meio de encontrar-se com ele. Sábado à noite e mais um final de semana muito triste pela frente.
Passa da sala para o quarto e troca de roupa. Coloca a blusa curta reveladora do umbigo, que os meninos da escola chamam de olho de gato, comprada contra a vontade materna, e a calça de brim com o cós baixo. Vai ser difícil encarar os desaforos que a mãe falará quando a vir assim, pronta para a saída. Não pode se mostrar fraca ou ficará a vida toda sob suas asas.
Volta à sala. A mãe foi para a cozinha conferir a janta. Aproveita e deixa a casa sem pedir licença e, seja o que Deus quiser.
Ele está lá, esperando. Encontram-se. Abraçam-se. Beijam, lábios colados, por minutos, gostosos longos minutos. Pensa que a mãe decerto beijava namorados de seu tempo. Como não é possível que ela entenda seu direito de ser feliz?
Afasta-se dele de súbito. E se alguém os vir assim! For delatá-la! O pai deve passar por ali quando voltar do futebol de veteranos. Já quer escurecer e ele não deve demorar-se na cerveja ou também enfrentará, no mínimo, uma tempestade tropical. Bem que ele poderia ajudar-lhe, mas parece que lhe falta coragem de enfrentar a víbora.
Não percebe que está outra vez abraçada, agora olhando firme nos olhos dele. Se já cometeu uma transgressão não importa que seja um rosário. Até agora não disseram uma palavra um ao outro. No coração apenas o sentimento de felicidade misturado ao medo do momento da volta. Nota que as luzes começam a brilhar, sinal de noite fechada. E se fossem assaltados?
Sente que é preciso terminar com o breve encontro e voltar para casa antes que qualquer premonição se confirme. Agora luta contra a vontade de ficar o fim de semana inteiro com ele. Ele, porém, também é apenas um adolescente, com pais mais liberais, é certo. Soam na mente as palavras da orientadora educacional da escola, advertindo contra o sexo sem compromisso, contra o risco das doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. O jeito é voltar para casa e entrar furtivamente como saiu. Conseguirá?
Ele vem junto até perto. O pouco movimento da rua permite que não sejam vistos por conhecidos. Vê que a mãe está na área da frente. Ficam ocultos aguardando que ela volte para a cozinha. A janta deve estar quase pronto. Será que ela já notou sua falta? Nem pensa em admitir a hipótese!
Entra pela porta aberta da sala escura. Vai para o quarto, também aberto.
A mãe está lá!

Prof Roque
Enviado por Prof Roque em 27/01/2006
Código do texto: T104606
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof Roque
Santa Rosa - Rio Grande do Sul - Brasil, 67 anos
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