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Um tiro perfeito

Estava na floresta.

Três horas de uma tarde de sol.

Apontava a espingarda para sua vítima.

Espingarda de cano grosso, barulhenta pra dedéu; porém eficiente e mortal.

Sua vítima.

Era como costumava chamá-los. Mais uma para sua coleção.

A cerca de vinte metros.

Nesse momento, sentia um poder indescritível.

Todo matador devia sentir o mesmo, claro.

Chegou a suar ligeiramente, tamanha era a emoção desse momento.

Bastava apertar o gatilho e tudo seria decidido.

Nossa! Que coisa linda! Maravilhosa! Sensacional!

A vítima não havia notado sua presença.

Não sabia sequer que iria morrer.

Eles nunca sabiam.

A vida tinha dessas coisas.

Viver era, acima de tudo, uma questão de sorte.

Vivia-se, aproveitando cada segundo, mas sempre com a sombra da morte rondando.

A sombra da morte vivia por perto, à espera de um vacilo, de um acidente ou de um azar.

E ele, naquele momento, de posse da espingarda, era - acima de tudo! - o azar de sua vítima.

Riu, ao pensar nisso.

Azar!

O homem da morte! O cara que puxa o gatilho.

E ele puxou.

Apertou firme o dedo no gatilho, puxou com precisão e ouviu a arma tremer em seu ombro, dando aquele solavanco característico.

BAAANNNGGG!!!

Como era barulhenta, aquela espingarda velha. Precisava trocá-la.

O projétil (entre fogo e fumaça) seguiu seu destino e atingiu em cheio o corpo da vítima.

Uma cena memorável! Lídima! Inolvidável!

Em segundos, a bala completou sua viagem mortífera... perfurou a carne... quebrou ossos... veias... artérias... fez o sangue jorrar...

Lá estava um corpo estremecendo, no esgar da morte.

Oh, como adorava esses momentos! Delírio para seus neurônios!

A vítima desabou sobre o chão lotado de folhas.

Morta! Morreu sem saber o porquê e por quem.

Um tiro perfeito!

Como sempre, pois raramente falhava.

Sorriu, satisfeito.

Sem perder tempo e sem largar a espingarda, percorreu os vinte metros que o separavam de sua vítima.

Parou diante dela.

A vítima, como gostava de chamar.

Outros diriam... a caça.

Linda!

Lustrosa!

Viçosa!

Exuberante!

Uma capivara.

Morta a seus pés: um apetitoso troféu!

Respirou fundo e, novamente sorriu, feliz.

Afinal, caçador que era, tinha cumprido mais uma missão.

FIM


Moral da história:
- Nem tudo aquilo que parece ser, é o que realmente é, já dizia um grande filósofo chamado "Jujuba-Não-Lembro-de-Quê".
- Hehehehehehehe!!!
Joderyma Torres
Enviado por Joderyma Torres em 11/02/2006
Reeditado em 05/03/2007
Código do texto: T110641
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joderyma Torres
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 51 anos
70 textos (14851 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 21:40)
Joderyma Torres