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AS ROSAS NEGRAS


Em um lugar distante, muito pobre e sobre as colinas, havia uma casa, um lar calmo e rodeado por flores. Mas nem todas as flores eram belas, havia uma espécie diferente de todas, havia ali, rosas negras.
O único e escuro segredo deste lugarejo, seu passado, um lugar onde se deveriam enterrar suas histórias.
Era manhã de uma sexta-feira, Clara e seus três filhos como de costume colhiam os legumes e faziam os afazeres de uma chácara qualquer, quando de repente, as palmas ecoaram ao longe. O carteiro trazia boas nova, Clara deixou o que estava fazendo e correu em sua direção, sem demora começou a ler vagarosamente, saboreando as palavras.
“Minha adorada e esperada aurora da minha vida, serão nossos dias as mais belas prisões do amor, e saberás do meu retorno ao encostar-se a meio o teu jardim de rosas que eu vislumbrarei, espere por minha chegada querida, não tardarei, enviarei noticias logo.”
                                            De seu amado esposo: Wilian
                                             
Ela lia e relia os poemas de seu amado e querido esposo, que por longos períodos e motivos havia deixado seu lar em busca de novas conquistas. O coração de Clara congelava em meio ao outono que se fazia nas montanhas da Escócia, sua espera era seu destino, mesmo que lhe custasse à espera de uma vida.
Uma mulher de princípios, ao qual seu primeiro era o cuidado com o coração, e em seguida os filhos que tanto amava, sua pequenina e confortável chácara, o seu trabalho. Uma residência pequena e talvez descuidada um pouco, mas que ao amanhecer conhecia os raios do sol que se deitavam sobre a grama baixinha, flores que enfeitavam a calçada coberta por neve, e trepadeiras, suas trepadeiras que lhe subiam ao redor de todos pilares da casinha de pedras.
Não havia muito que se fazer por aqueles tempos, o frio era imenso, e a neve havia castigado aquele ano todos por aquela região, apenas poucas batatas e os animais sustentavam a pequena família.
As crianças brincavam e se divertiam na neve, mas sabiam ajudar Clara em todas as atividades. Mesmo por estar só, muito homem solteiro da região a observava, Clara era de uma beleza inigualável, invejada por todas as outras mulheres da região, pelos seus longos cabelos loiros, uma pele tão sensível que necessitava de um toque à sua altura para acariciá-la, e seus olhos que mais pareciam o céu quando se abria em um sorriso azulado. Seus filhos eram sua imagem, os dois meninos mais velhos cuidavam de sua irmãzinha, Catarine, que ainda tinha seus três aninhos, enquanto Billy o mais velho com doze, e Jonas, com dez.
A chegada do inverno obrigou Clara a colocar um anúncio em seu portão para conseguir alguém para trabalhar em sua propriedade, e que fizesse o serviço mais pesado com os animais e todo o resto. Pois, seu esposo Wilian, havia partido para a guerra, que já fazia dois anos sem uma noticia sua, até sua última carta.
Não demorou muito, vários homens solteiros, senhores e jovens apareciam aos montes, mas Clara sempre receada, lembrando-se de seu amado esposo recusa todos eles, até que um dia não lhe cabia mais esperar tanto, pelas dificuldades encontradas era de extrema urgência aceitar alguém logo.
As palmas ecoaram por toda a casa, era por volta das seis da tarde o sol estava se pondo. Clara não imaginava que alguém pudesse à uma hora daquelas pedir o emprego, pensando ser um mendigo atendeu sem motivação alguma o rapaz. Ele perguntara pelo anúncio em seu portão, que tinha vontade trabalhar ali, apresentou-se como Walec.
Logo ela o convidou para entrar, fazia muito frio naquele dia, o homem entrou até a varanda e retirou seu chapéu, mostrando-se ser muito jovem, perto da idade de Clara, uns trinta e dois anos, aproximadamente. Ela o questionou o porque ele aceitaria o trabalho, e Walec mencionou estar só, e não ter para onde ir, que havia se perdido do pelotão e estava há muito tempo vagando pelas terras vizinhas. Clara reparou que em seu peito, bordado na camisa, havia um emblema estranho, nunca visto antes, com uma marca, mas nada que devesse se preocupar, pensou.
Ela aceitou os serviços de Walec, que logo foi se entreter com as crianças que vieram ao seu encontro pensando ser o pai, um pouco decepcionadas, perguntaram se ele ficaria ali, olhos se entrelaçaram entre Clara e Walec, vindo de uma confirmação dela com a cabeça, mas que no olhar de Billy, apenas baixou sua cabeça e se retirou bem devagar para seu quarto. Billy não tinha o costume de conversar com ninguém, fazia o tipo quieto e obediente, bem diferente de seus dois irmãos. Lylow, o cão, começou a latir com certa raiva. O cão não se aquietou até que todos entrassem na casa.
Walec, tinha um olhar dissimulado, não costumava fixar seus olhos em vários lugares, concentrava-se em apenas um lugar e observava. Logo em seguida, após as apresentações, Clara convidou a Walec que se sentasse à mesa para jantar com a família, ele mais que depressa tomou seu lugar. Jantaram o saboroso ensopado de batatas e carneiro, e logo a mulher mencionou que ele ficaria no celeiro, por não se sentir bem com um estranho na casa. Walec se direcionou ao celeiro agradecendo o jantar e dizendo uma boa noite às crianças, mas Billy apenas via tudo de cima da escada, Já Walec, apenas acenou a ele dizendo uma boa noite.
A noite caiu, sem piedade e sem pena, a neve caia fortemente, talvez uma das noites mais frias daquele ano. Clara olhava a foto do esposo em cima da escrivaninha, ela derramava suas lágrimas frias, que tocavam o chão por várias vezes, até que para esquecer e se recompor, olhou um pouco a vidraça congelada. Ela percebeu uma luz acesa pelo candelabro vinda de dentro do celeiro. Levantou-se e colocou-se a por todas as crianças para dormir.
Fez os dois mais novos dormirem, mas quando chegou em Billy, teve uma conversa antes do menino dormir.
Billy mencionou à mãe que sentia que algo estava para acontecer com ele e Walec, e que ela deveria estar preparada, os dias que viriam seriam de grandes revelações. Clara apenas sorriu e disse que estava tudo bem, seria apenas um empregado fazendo o serviço mais pesado no lugar de seu pai. Novamente ele relutou em dizer sobre seus medos, com uma diferença, mencionando sobre um vaso na estante. Clara pediu para que ele dormisse e lhe acalentou com um beijo na testa. E logo ela se pôs a ir para seu quarto. O menino deitou e dormiu em seguida.
A noite passou, a neve acalmou-se e pela manhã, Clara viu Walec com uma enxada se dirigindo à plantação que havia sido castigada pela falta de cuidado. Mas também viu que sua cerca ao redor da casa estava consertada, animou-se e foi agradecê-lo.
As crianças o rodeavam com um monte de perguntas infantis e o ajudavam como se fosse uma brincadeira. Mas Billy o observava conduzindo algumas ovelhas, com um ar de duvidas e muito ressabiado.
Foi um momento diferente, Walec largou a enxada e aproximou-se dele, com as mãos estendidas tentando cumprimentá-lo, Billy não lhe retribuiu, apenas baixou a cabeça dizendo não ser o seu pai. Walec olhou para o menino e abaixou em seu ouvido, dizendo bem baixinho para que ninguém o escutasse: “eu sei que você sabe, mas não conte a ela, por favor!”
O menino correu para dentro e bateu a porta, sem entender, Clara olhou  atentamente, mas não disse nada.
Os dias se passaram, parecia que a pequena chácara tomava forma novamente, realmente as coisas mudaram, e Clara já não pensava tanto em Wilian, suas lágrimas começaram a se secar dentro dela mesma, e as crianças a cada dia foram se acostumando, até que a mulher o convidou para morar na casa com todos. Billy havia atendido o pedido de Walec, começando até a trocar umas palavras com o homem, nem mesmo Lylow latia tanto para ele, depois de ter recebido de suas mãos uma nova casa de cachorro. Enfim, tudo estava perfeito, nada fora do normal, até que um dia, alguém bateu palmas em frente à casa de Clara.
Logo ela foi atender, todos observavam da janela, um homem gordo, com uma bolsa nas costas, entregando a mulher uma carta, que logo, aos prantos ela correu para dentro e subiu as escadas como um tiro, trancando-se dentro do quarto.
Na carta dizia:
“Olá meu amor, desculpe por minha demora em respondê-la. Aqui as coisas não caminham bem, perdemos muitos soldados e amanhã será um dia difícil e quase impossível de se vencer, não posso lhe dar esperanças sobre minha volta, apenas garanto-lhe meu coração, e minhas sinceras desculpas pelo tempo longe, mande um beijo a cada uma das crianças, e não conte nada disto. Diga ao Billy que na hora certa, ele deverá escolher fazer o que é certo para que todos possam ficar bem! Existem coisas acontecendo aqui, que não posso contar-lhe, mas que também não poderei conte-las por muito tempo, por isso cuide-se, se proteja. Eu sempre lhe amarei...”.
                                         
                                                       De seu devotado esposo: Wilian.

Clara apertou a carta contra o peito e chorou por alguns instantes, não sabia o que dizer às crianças, um medo invadiu-lhe seu interior, tomando conta de seus sentidos. Mas era preciso mostrar calma, e dizer algo que se acalma a todos. Assim, desceu as escadas e colocou-se à frente, que a aguardavam inquietos. Então, ela disse que estava tudo bem, nada haveria de preocupar agora, pois ele voltaria.
Neste instante Lylow começou a latir, desesperadamente, como se algo aproxima-se dele, o seu grito foi estridente, algo havia lhe machucado gravemente e feito que o cão se calasse. A ventania havia voltado naquela noite, e com ela, uma tempestade de neve que cobria todo o quintal, nada poderia ser visto, nem mesmo sair para acudir Lylow.
Walec acendeu a lareira enquanto todos a rodearam, mas Clara preparou para que todas as crianças dormissem, exceto Billy que ficou na sala com Walec. Os dois pararam por um instante e se olharam dentro dos olhos um do outro, com se eles se comunicassem naquele olhar. Walec pegou a mão de Billy e disse para que ele tomasse cuidado, e que vigiasse sua mãe e irmãos. O menino apenas confirmou dizendo que sim!
A mãe de Billy observou alguns últimos instantes e sem entender pediu para que ele subisse, pois já era tarde.
Ficaram então os dois na sala conversando, e Clara tentando descobrir o que estava acontecendo, mas Walec a distraiu com outros assuntos.
Clara questionou Walec sobre seu uniforme que havia chegado, de onde era, o porque ele estaria naquelas terras, pois, aquele não era um uniforme escocês, e não se parecia nada com algum visto por aquelas bandas. O homem apenas disse que não se preocupasse, pois tudo seria explicado no tempo certo, e ela entenderia, mas teria de fazer uma escolha no futuro muito difícil, e não era hora de falar sobre isso agora.
Clara deixou o assunto de lado, e fitou seu olhar em Walec segurando suas mãos. Ela dizia que há muito não sabia o que é um homem, começou a acariciá-lo, devagar, subindo e descendo a silhueta do seu rosto. Walec ficou surpreso, disse que não era certo, que seria errado, mas o desejo foi maior, logo ela subiu em cima do homem e começava a desabotoar seu vestido. Ficou completamente nua, retirando aos poucos a roupa de seu parceiro, incendiando um calor ainda maior que o da lareira acesa.
Fizeram amor bem ali, em meio às brasas que estalavam, gemidos e incontroláveis gritos vindos dela, ele tocava com carinho e beijava todo o seu corpo sensível.
Depois de um tempo, estavam os dois deitados ao chão, sob um tapete todo peludo e muito espesso. Abraçavam-se e se beijavam, não havia mais perguntas e não havia mais medo algum.
Mais um dia se passou, pela manhã, o sorriso de Clara estava estampado em seu rosto, estendia as roupas ao sol com entusiasmo. Foi então que algo lhe ocorreu, por um breve instante viu pela estrada que dava acesso a casa uma imagem de alguém caminhando, vindo naquela direção. Era uma estrada arborizada, toda reta como vê ao longe as montanhas. Parecia ser ele, mas estava longe ainda, a semelhança no andar era incontestável.
Walec agarrou Jonas e Catarine pelo braço com força, com um ar de desespero gritou a Clara que chama-se Billy, ela não lhe dava ouvidos, estava pasma com a imagem de seu marido vindo caminhando e acenando. As crianças choravam e gritavam o nome do pai, pedindo que ele as soltassem. Em seguida um monte de pessoas se dirigia atrás de Wilian pelo caminho, ele corria em desespero e acenava para que saíssem dali, para que entrassem dentro da casa. Walec colocou as crianças para dentro e tentou agarrar Clara, que insistia em ver seu marido, quando menos se esperava, a caravana que o seguia, passou por ele como se faz em um atropelo, continuando a seguir em frente.
Os gritos de Clara agora eram escutados, queria correr na direção do esposo, mas num gesto desesperado e audacioso, Walec colocou todos para dentro, com a ajuda de Billy que empurrava sua mãe.
A caravana se aproximou, homens a cavalo, encapuzados, com roupas negras e cruzes penduradas nos pescoços, como se saíssem de um velório ou coisa parecida, não dava para ver seus rostos, estavam também encapuzados e escuros. Apenas o brilho dos olhos vermelhos, que mais pareciam com sangue ficava mais a mostra.
Rodearam toda a casa, mas não entravam e não desciam de cima dos cavalos, apontavam para dentro, como se mostrasse o que queriam para ir embora. Ficaram montando guarda até que a noite caiu, ouviu-se o último latido de Lylow, e um decepar de uma espada pela sua cabeça, Catarine se desesperou junto de Jonas.
Foi então que algo atravessou a janela, embrulhado em um pano preto, do tamanho de uma bola. Quando Walec tentou abrir, pediu para as crianças não olharem, era a cabeça esmagada e decepada de Wilian.
Clara já estava impaciente, gritava dizendo que fossem embora, nada a respondia, então ela pediu uma explicação a Walec. Mas quando isso aconteceu, ele apenas olhou para Billy e o apontou, dizendo que contasse a verdade, que revelasse a temível realidade que se escondia com seu sangue e sua origem.
Um espantoso assombro tomou conta de todos, e Catarine perguntava ao irmão o que ele tinha, como uma criança ressabiada.
Billy levantou a mão, estendeu para um canto na estante, indicando um vaso com uma tampa. Mais que depressa, sua mãe apavorada, abriu a tampa e começou a jogar algo que caia de dentro dele. Era como uma poeira que ia descendo e se espalhando pela casa. Os homens de preto começaram a querer entrar na casa, mas quando tentavam, Billy apenas assoprava o pó que ficou suspenso pelo ar e fazia com que eles recuassem.
Era um momento de verdades a serem ditas, era a hora esperada por Clara, ela insistentemente perguntava a Billy o que era tudo aquilo, o garoto, mais parecendo uma estátua, apenas olhava para os homens ao lado de fora. Foi então que Walec, começou a falar sobre tudo ali.
Ele mencionou sobre a missão de Billy, e a morte de Wilian, que tudo aquilo era um plano, e teria de ser cumprido.
Wilian tinha em suas veias o sangue libertador, era uma alma capaz de deter o mal que crescia em silêncio por toda a Escócia, mas os feiticeiros e magos daquela região conheciam sua existência, e era preciso para eles que Wilian fosse destruído antes que o inverno acabasse, pois, com sua existência, os antigos espíritos não conseguiriam tomar sua forma verdadeira e nem passar a este mundo.
Mas o destino o privou desta missão, conseguiram capturá-lo e matá-lo, assim, sua missão de salvação seria ter um filho, seu herdeiro, a quem pudesse passar seu destino. Mas, com um porém, os espíritos o levariam de volta para as sombras, somente assim poderia salvar todo o mundo daquela ameaça!
Clara simplesmente disse que nunca concordaria com tudo aquilo, e que eram apenas bobagens, nada poderia tirar seu filho do seu lado.
Foi neste instante que todas as paredes tremeram, o chão começou a se mexer junto, a casa toda subiu num instante e no outro estava jogada ao lado, sobrando apenas o local onde estavam todos.
Os espíritos chamavam por Billy, enquanto sua mãe o segurava firmemente. Estavam diante dos espíritos, e suas faces começaram se revelar, não tinham forma ou sentidos, apenas contornos e rostos escuros. Walec disse que não estava ali por acaso, havia sido enviado pelo próprio Wilian na defesa contra estas forças. Ele não demorou muito e se atirou bem na frente de todos, enquanto as mãos dos maus espíritos atravessaram seu corpo, retirando sua alma, seu corpo ficou sem vida e seco, caindo aos pés de Billy,mas antes, pediu-lhe seu último desejo, para que não deixasse tudo se repetir novamente.
Clara ainda segurava firme o filho, mas os outros começaram ser puxados, foi então que ela teve de escolher entre Billy ou os dois menores. Seu choro era eminente, Billy apenas olhou rapidamente para ela sorrindo, não demorou muito e sua escolha foi feita sem demora, caminhou em direção aos espíritos e deixou todos ali, ajoelhados e em prantos. Os espíritos saltaram sobre ele como se fossem destroçá-lo, mas uma luz fortemente saiu de seu peito neste instante e começou a queimar todos os espíritos, a luz foi tão forte que poderia cegar qualquer um que estivesse olhando, em instantes não havia ameaça alguma mais, e Billy também desaparecera.
A neve secou, o sol brilhou com uma intensidade que fez a noite se tornar dia novamente.
A chácara que havia sido reconstruída se tornou um lugar deserto e muito mais sem vida, seria preciso muito para ela voltar a ser o que foi um dia.
Clara tinha no olhar um desânimo e um lamento, não sabia o que dizer aos filhos, não tinha aonde ir, e nem o que fazer. Então, Catarine pegou em sua mão e disse que estava tudo bem, e que ela não precisa se preocupar, ele estava em casa agora, e nada mais faria mal a ninguém. Jonas caminhou até o vaso que havia sido restaurado sem explicações e o pegou, caminhou até o desfiladeiro, abriu a tampa e jogou, como quem semeia ao vento, as cinzas pelo ar.
Anos se passaram, e Clara e seus dois filhos abandonaram aquele lugar para sempre. Bem no local onde era a casa, nasceu uma roseira, dizem que até hoje se vê suas flores, mas ninguém ousa colhê-las. Pois, suas rosas que crescem nunca perderam a cor, sempre e constantes, rosas negras!

autor: Danilo Padovan
Daykon
Enviado por Daykon em 19/07/2006
Código do texto: T197116
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