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O DOBERMAN ENLOUQUECIDO

      Uma tinha doze anos; a outra, dez. Duas irmãs.
      Voltavam da escola. Caminhavam na rua de terra batida, com a fábrica de produtos químicos de um lado e um imenso sítio de outro. Faziam esse percurso todos os dias, de segunda a sexta. A casa das duas ficava na rua mais adiante.
      Livros nos braços, conversavam, felizes e despreocupadas.
      - Estou com fome. - disse uma delas.
      - Você está sempre com fome, sua comilona.
      Era onze horas e quarenta e cinco minutos de uma manhã de sol.
      O cachorro, um enorme doberman preto, de 50 kg, saiu da área do sítio, passando por entre uma brecha na cerca de arame farpado.
      Apenas rosnava e, em seus olhos, via-se o brilho da morte.
      - Meu Deus! - as meninas gritaram, ao ver o animal.
      O cão avançou para cima das meninas e atacou uma delas.
      Seus dentes fixaram-se nas pernas da menina mais velha. A outra gritou, em pânico, congelada, os livros caídos, ao presenciar a cena, mas sem poder reagir.
      O animal rasgou a perna, num banho de sangue. A vítima, em desespero, rastejou, tentando fugir.
      - Socorro! - a menina mais velha gritava, caída no chão - Júlia, peça ajuda. Rápido! Pelo amor de Deus!
      - N-Não c-con... - a menina mais nova balbuciou, pálida e assustada.
      E desmaiou.
      A menina mais velha tentava se desenvencilhar do cão. Socou-o. Este, enlouquecido, mordeu seu rosto. Depois, o pescoço.
      O doberman apertou firme o pescocinho, sentindo o gosto do sangue. A menina entrou em convulsão, tentando respirar. Parou de gritar e a dor lhe era angustiante. O corpinho estremeceu e depois ficou imóvel.
      O cão, ao não perceber mais movimentos, abandonou a menina mais velha.
      Cheirou a menina mais nova e, ao não obter reação, recuou, voltando para a área do sítio.
      Um silêncio de morte caiu sobre o local.

        ***

      Tinha setenta e cinco anos e morava sozinha.
      Às onze horas da noite, lavou as louças e colocou o resto de comida num saco plástico.
      Em passos trôpegos, a artrite incomodando um pouco, conduziu o saco com o lixo até o quintal.
      Soprava um vento frio, mas ela estava acostumada.
      Jogou o saco dentro da lata de lixo. Um gato marrom a encarava, a alguns metros.
      - Você já jantou, Chico? - perguntou ao gato.
      O gato apenas lambeu a pata dianteira e seguiu para os fundos. Não tinha dono, não seguia regras e sumia sempre que desejava.
      O quintal era cimentado até a metade. Com cem metros de comprimento, era cercado por uma cerca de bambu e, nos fundos, com o piso de terra preta, possuía várias árvores. Pés de: goiaba, abacate, mamão, erva cidreira, amora, pimenta, margarida, etc... Ela cuidava das plantas com carinho, pois tinha todo o tempo do mundo para isso.
      Pois foi daquelas árvores que o doberman preto surgiu.
      Ela não ouviu os gritos do gato e nem viu o cão. Ela não via, nem ouvia direito há muito tempo, devido à idade.
      Após ter deixado o saco na lata, voltou-se para entrar na casa.
      O cão a atacou pelas costas.
      Ferozmente. Cruelmente.
      Surpreendida, não chegou nem a gritar, pois o animal a pegou pelo pescoço. Foi uma mordida brutal, os dentes afiados afundando na carne.
      Seu corpo tremeu e o sangue jorrou.
      O cão lambeu o sangue do cadáver e foi embora.

        ***

      Desligou a televisão.
      Era meia-noite.
      Levantou-se e saiu da mansão. Casa de três pavimentos, luxuosa e com inúmeros cômodos. Havia o quintal, com mais de dois quilômetros quadrados de área.
      Uma espécie de sítio, lotado de árvores. Mansão herdada dos pais.
      Tinha cinqüenta e cinco anos e um filho, que era médico e que residia nos Estados Unidos.
      Filho este que iria visitá-lo dentro de dez dias.
      Era dono de duas fábricas de produtos químicos (juntamente com mais dois sócios, amigos de infância), que lhes davam um lucro considerável. Era um dos poucos milionários dessa cidadezinha do interior.
      Morava sozinho, desde que a esposa se fora, há dez anos.
      Esposa desgraçada! Já foi tarde, refletiu.
      Possuía três empregados, uma mulher e dois homens, que não dormiam ali. Eles chegavam às 8h e saíam às 18h. Dispensava-os, pois gostava da solidão.
      Saiu da mansão e avistou os contornos do prédio, a duzentos metros. Aquele prédio, de um pavimento, era seu reduto e ninguém tinha permissão para ali entrar.
      Começou a caminhar na direção do prédio, quando o doberman apareceu, subitamente.
      Assustado, parou e ficou olhando o cão.
      O animal latiu para ele, de modo hostil.

        ***

      - Oito ataques. Seis mortes. Dois feridos em estado grave.
      - Horrível! O que devemos fazer, inspetor Nelson?
      - Vigiar. Planejar. Investigar.
      - Qual seu plano?
      - Iremos espalhar vários homens por toda a cidade. Algo difícil, pois, apesar da cidade ser pequena, cinqüenta mil habitantes, possui uma extensa área rural. Mas é a única forma de tentarmos matá-lo.
      - Tem algum suspeito?
      - Infelizmente não. Ninguém sabe de onde o cão apareceu e quem é seu dono.
      - Com certeza um dono psicopata, um cara mais louco que o próprio animal, que está espalhando o terror pela cidade de propósito. Um lixo em forma de gente.
      - Concordo.
      - E a população?
      - Todos estão apavorados. As pessoas estão mudando os hábitos. Trancando portas, se armando, chegando em casa mais cedo. Quatro dobermans pretos já foram mortos por engano.
      - Quem cria dobermans está preocupado.
      - Isso mesmo. Além disso, os jornais de todo o país estão noticiando. Falam dos ataques do cão louco. A prefeitura está fazendo pressão. Até o governador ligou.
      - É preocupante.
      - O pânico é geral. Precisamos solucionar esse caso urgentemente.
      - Sem dúvida.

        ***

      Morava sozinho há três anos.
      A esposa havia pedido o divórcio e foi embora, com a menina, para a capital. Maldita! Se pudesse, a mataria.
      Tudo bem que ele gostava de tomar umas cervejas. Havia perdido três empregos, por causa de seu hábito de beber. Mas isso não era motivo para ela abandoná-lo.
      Merda de vida!
      Levantou-se, à meia-noite, e foi até a geladeira.
      Não havia muita comida na geladeira. Não mesmo. Porém, em compensação, quatorze garrafinhas de cerveja esperavam por ele. Que delícia!
      Pegou uma das garrafinhas, abriu e tomou uma dose reforçada.
      Depois, foi até a cozinha, em passos sonolentos, e abriu a porta que dava acesso ao quintal.
      O vento estava maneiro, mas frio.
      Aproximou-se do doberman, que estava amarrado numa grossa corrente.
      Passou a mão na cabeça e no focinho do cão.
      O doberman lambeu sua mão, de modo amistoso.
      - Calma, amigo. - murmurou - Ninguém irá pegá-lo.

        ***

      Era gordo e tinha sessenta anos. Sua esposa, magra, tinha cinqüenta.
      Meia-noite a mulher despertou, assustada.
      - Herman, acorde!
      Despertou com as mãos da mulher o tocando bruscamente.
      - O que foi, mulher? - indagou, ainda insone, sem entender nada.
      - Ouvi um barulho. Vá ver o que é, Herman.
      - Deve ser um gato. O Rick cuidará dele.
      - Não é gato, Herman. Pode ser um ladrão. Ou alguém tentando matar nosso Rick. Vamos, acorde, seu molenga!
      - Não enche.
      - Herman, vamos, levante. - ela o sacudia.
      Incomodado com aquilo, teve que abrir os olhos.
      - Dê uma olhada no nosso quintal. Vá, Herman!
      A contragosto, teve que se levantar.
      - Tudo bem, mulher. Mas aposto que é apenas um gato.
      Levantou-se, meio grogue, e, de pijama, foi até a cozinha.
      Era sua segunda esposa. E tão chata quanto a primeira. Que vontade tinha de se livrar também dessa. Não sabia até quando iria suportar tanta aporrinhação. Merda!
Respirou fundo, pegou o facão velho de cima do buffet e abriu a porta.
      O vento estava frio e enjoado.
      - Que chatice. - murmurou, irado - Essa mulher deve estar caducando.
      Desceu os degraus que davam acesso ao quintal, num nível mais baixo.
      - Rick! Rick! - gritou.
      De repente, o doberman preto surgiu da escuridão.
      - Tudo bem, Rick?
      Passou a mão nos pêlos do cão, que sentou-se, parecendo feliz.
      - Meu garoto. Fez boa caçada hoje?
      O doberman lambeu a mão dele.
      - Minha mulher tá doida. Doida e chata. Só tem você aqui, né, meu garoto? E se aparecesse alguém você atacaria e o faria em pedaços, certo? Sei que faria isso. Sei mesmo.
      O cão apenas o olhava, como se o entendesse.
      - Bom garoto... - murmurou, os olhos brilhando.
      Respirou fundo. Preparou-se para retornar a casa. E para sua mulher chata.

        ***

      Um mês depois, o mistério foi solucionado.
      - Tudo bem, inspetor Nelson?
      - Tudo.
      - Que caso insólito, hein?
      - Pois é. Quem diria que ele criava o doberman no porão.
      - No porão... Meu Deus! Não é à toa que se tornou um cão assassino.
      - Treinado especialmente para matar.
      - O que ele pretendia, especificamente?
      - Sinceramente não sei. Talvez sentisse apenas o prazer de mandar o cão matar pessoas. Esse é um enigma que levará para o túmulo.
      - Um psicopata. É verdade que a casa foi vasculhada e que o cadáver da esposa foi enterrado no mesmo porão em que ele criava o cão?
      - Isso mesmo, por incrível que pareça.
      - E todos nós achávamos que a esposa o tinha abandonado. Que coisa!
      - Fora do comum, eu diria.
      - E como será que tudo aconteceu?
      - Provavelmente ele soltou no cão para matar pessoas, durante o dia. No entanto, de algum forma o cão resolveu se voltar contra o dono.
      - Quer dizer, ele achava que o cão estava nas ruas matando.
      - Isso mesmo. Mas, na verdade, o cão havia assassinado o caseiro e entrara na casa. O animal partiu pra cima dele, no escritório e o matou a dentadas.
      - Terrível.
      - Acredito que ele tentou controlar o animal, mas sem sucesso. O monstro se voltou contra seu dono. Acho que o doberman enlouqueceu de vez.
      - Sem dúvida.
      - Depois, enquanto o cão matava a empregada, o marido dela trancou o animal dentro da casa e fugiu, apavorado. Não teve coragem sequer de tentar salvar a própria esposa. Depois, em desespero, nos chamou por telefone.
      - E quando vocês chegaram lá...
      - Vimos uma cena horripilante. O doberman comia as carnes do cadáver da empregada. Meu Deus! Uma cena grotesca.
      - E o que fizeram?
      - Tivemos que matá-lo a tiros, pois ele partiu pra cima. Um animal perigoso e louco.
      - É verdade que o filho veio dos Estados Unidos visitá-lo?
      - Sim. O rapaz passou quatro dias com o pai.
      - Ele teria algo a ver com o caso?
      - Provavelmente não sabe de nada. Depois que o rapaz foi embora, no dia seguinte o velho soltou o cão e... deu no que deu...
      - Deixa ver se entendi. Ele escondia o doberman no porão do prédio, é isso?
      - Isso mesmo.
      - E como é que os empregados não desconfiaram de nada?
      - Ele não permitia que ninguém entrasse no prédio. Com certeza comprou o cão e o treinou para matar às escondidas, sem ninguém perceber.
      - E quando a esposa sumiu, o filho estava onde?
      - Nos Estados Unidos. Ele mora lá há doze anos.
      - Fico me perguntando como é que um cara rico como ele, dono de duas fábricas, morando numa bela mansão, enlouquece desse jeito.
      - Já devia estar louco há muito tempo. Vai ver a esposa descobriu e pensava em pedir o divórcio quando ele decidiu matá-la. Enterrou o cadáver no porão.
      - Agora tem uma coisa estranha nessa história. E por que o filho nunca procurou descobrir o paradeiro da mãe?
      - Essa é uma pergunta que irei perguntar para o próprio filho.
      - Faça isso. Há algo sinistro no ar.
      - Bem, de qualquer forma, o caso está resolvido.

        ***

      Sentado no sofá do apartamento, em Miami, o rapaz esperava pelo telefonema.
      Esperava e pensava.
      Acreditatava que tudo daria certo.
      Ele sabia que não era filho do velho. Era hábil em escutar conversas por trás das portas. Sua mãe, uma alcoólatra, colocara chifres no velho razinza, sabe-se lá com quem. Ele não sabia quem era seu verdadeiro pai e nem queria saber. Dane-se! Não era do tipo romântico ou sentimental e muito menos ligado à família.
      O velho descobrira a traição da mãe e não gostara nem um pouco.
      Já estava nos Estados Unidos, quando o velho o informou que a mãe o abandonara. Pois sim! Ele a matara, com certeza! De algum forma, liquidou sua mãe. Desgraçado! Mas ela bem que mereceu. Quer dizer, os dois se mereciam. Mesmo assim, iria vingá-la.
      Fingiu acreditar nas palavras do crápula do velho. O fato de sua mãe ser filha única e órfã de pai e mãe facilitou as coisas.
      O velho, com o objetivo de disfarçar o negócio, o enviou para os Estados Unidos, justamente para poder se livrar de sua mãe.
      Em seguida, passou a enviar cartas para ele, nos Estados Unidos, dando o endereço de uma caixa postal, para que ele acreditasse ser aquelas as cartas de sua mãe. Babaca! Falsicou as cartas, imitando até a letra de sua mãe, como se isso fosse dar certo.
      Desconfiou, pois sabia que sua  mãe jamais enviaria cartas de uma caixa postal. Nunca! Bem, para não iniciar uma guerra e dando andamento ao seu plano, ele lia as cartas e fingia que acreditava que eram de sua mãe. Chegou a responder algumas, provavelmente lidas pelo velho. Nas supostas cartas, ela "dizia" que estava bem, que havia casado de novo e que estava feliz. Pura balela, invencionice do velho. Após dois anos, as cartas pararam de chegar.
       Na época com vinte e dois anos, era jovem demais para tentar uma reação. Odiava o pai, mas esperava o momento certo para vingar sua mãe. Iria matar o pai, mas precisava fazê-lo de modo a poder usufruir da herança. Seu plano teria que ser perfeito. Foi por isso que optou por estudar Medicina nos Estados Unidos, onde exercia a profissão. Um médico tinha um poder ilimitado sobre a vida humana. Muito, muito, muito... Riu, ao pensar.
      O tempo passou. Ainda solteiro, visitava o velho uma vez por ano, para não quebrar o vínculo. O miserável adorava suas visitas. Babaca!
      As coisas começaram a ficar fáceis depois que descobriu que o velho criava um cão da raça doberman. Isso foi há oito meses, quando o visitara.
      Sem o velho saber, percorreu toda a área da mansão e acabou descobrindo o porão do prédio. Prédio este erguido depois que fora para os Estados Unidos. Curioso, roubou as chaves do velho, entrou no porão e viu o filhote de doberman. Surpreso, perguntou-se, na época, com que finalidade o pai o estava criando. Tirara cópias das chaves do prédio e do porão, já pensando que isso lhe poderia ser benéfico, no futuro.
      Por ocasião da última visita, porém, ao ver as notícias dos ataques de um cão louco, por coincidência um doberman, logo raciocinou que só podia ser o cão de seu pai. Tinha que ser!
      Conversando com o pai, descobriu que ele nutria um ódio insano pelos sócios da empresa. Ele não os suportava! Devia ter algum tipo de inveja ou desconfiança dos sócios. Sei lá. O velho era meio louco.
      Talvez houvesse criado o cão com o objetivo de matar os sócios e ficar sozinho com a empresa. Quer dizer, primeiro o cão atacava pessoas de modo aleatório. Assim, ninguém desconfiaria quando os sócios também fossem atacados e mortos pelo mesmo cão enlouquecido. Um plano genial e macabro. Claro que seria assim! Havia lógica nessa hipótese. Afinal, o velho era um crápula, assassino e ambicioso. Eis o motivo de ter criado o cão.
      A princípio, pensou em matar o pai envenenado. Era médico e tinha acesso a vários medicamentos mortais, além de venenos e similares. Iria matá-lo de modo a parecer um acidente.
      Depois, mudou de idéia e resolveu utilizar o cão. Sim. O cão seria a chave mestra de seu plano.
      A nova idéia daria certo? Esperava que sim.
      E o que devia fazer? Na verdade, ele fez. Com ousadia e risco, mas fez, porra.
      Bastou aplicar no cão o medicamento certo. Um remédio potente, alucinógeno em alto grau, que enlouqueceria o animal e o faria atacar qualquer pessoa, incluindo o dono. Durante os quatro dias que passou na mansão, enquanto o pai estava numa das fábricas, foi até o porão (sem que os empregados o vissem) e aplicou duas doses, por meio de injeção, no doberman. Primeiro, um sonífero no animal; depois, as injeções.
      O remédio faria efeito por uma semana. Durante uma semana o cão atacaria pessoas e comeria suas carnes. Seria um monstro em forma de doberman. Estremeveu, só em pensar no estrago que aquele animal iria fazer.
      No dia seguinte, foi embora, certo de que o velho soltaria o animal logo em seguida.
      Sabia que o velho faria isso. Ele era louco demais (e imbecil demais!) para não fazê-lo.
      Só não sabia como iria acontecer. Provavelmente ao abrir as correntes, o cão já pularia em cima dele, estraçalhando-o com os dentes. Ou não? Ou será que o animal iria primeiro esticar as pernas na área externa? Iria sair do porão? O velho o soltaria à  noite ou durante o dia? Colocaria um focinheira no cão, antes? Liberaria a focinheira quando o tirasse do prédio? Além do velho, quem mais o cão mataria? Muitas pessoas? Crianças? Outros velhos? Ele já matara muita gente. Oh, seria um massacre! Mas foda-se! Não se importava com isso nem um pouco.
      E agora estava ali, ansioso, tenso, esperando a notícia certa. Não poderia ter falhas. Toda a riqueza do velho teria que ser dele. Sua vingança seria completa. Seria um homem rico, porra!
      De repente, o telefone tocou. No momento exato. Tinha que ser! Tinha que ser!
      - Alô! - disse, um pouco nervoso.
      - Bom dia. Aqui é o inspetor Nelson, da polícia civil brasileira. Com quem eu falo, por favor?
      - Bom dia. Meu nome é Sérgio Filman. Em que posso servi-lo?
      - Lamento informá-lo, senhor Filman, mas temos uma notícia triste para lhe dar, a respeito de seu pai.
      - S-Sim? - perguntou, mas já sabia do que se tratava. Procurou disfarçar a euforia.
      - Seu pai... infelizmente... faleceu ontem.
      - Meu pai? Meu Deus! - e fingiu chorar, embora estivesse aliviado, feliz, e risse por dentro.

                     FIM
Joderyma Torres
Enviado por Joderyma Torres em 20/08/2006
Reeditado em 21/08/2006
Código do texto: T221203
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joderyma Torres
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 51 anos
70 textos (14850 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 15:58)
Joderyma Torres