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OS TRÊS SANTOS

São Marcos...
12h30min PM
Um professor de história que foi fazer uma pesquisa em uma antiga mansão, foi encontrado morto e ao que tudo indica, foi suicídio.
Delegacia local...
O detetive Estevão Bastos é recomendado para o caso.
_ A que horas exatamente o corpo do tal professor foi encontrado? - Pergunta Estevão para o delegado.
Este então responde:
_ Aproximadamente por volta de meio dia e meia.
_ Organizarei o pessoal e o equipamento e partiremos esta tarde.
Além do detetive e dos quatro policiais foram também o jornalista Luís Nunes e o guia Vivaldo Madeira, mais conhecido como Toco, devido a sua baixa estatura.
Chegaram à mansão exatamente às cinco horas da tarde.
_ Nossa, que casarão!!! - Exclamou admirado o jornalista.
O casarão possuía uma enorme varanda, onde haviam três portas ligadas ao salão principal. Tudo estava em processo de desgaste, afinal, a mansão já contava com quase duzentos anos.
O detetive examina atentamente o local onde foi encontrado o corpo e então diz:
_ Parece que rolou da escada, vejam as manchas de sangue!  É como se ele estivesse correndo de algo...
O jornalista registra tudo em sua câmera. Quase que ao mesmo tempo, notam um enorme prego na mão do cadáver. O detetive não demora a perceber que o professor não cometera suicídio, logo deduz que a vítima assustou-se com algo e caiu da escada, perfurando o coração acidentalmente.
Todos os presentes atentam a uma curiosidade: havia um quadro de três santos na parede do salão principal e lá estava escrito com letras trêmulas: “A resposta é essa...”.
_ É melhor continuarmos amanhã, pois está escurecendo... - Diz Toco totalmente apavorado.
_ Claro, vamos pessoal, voltaremos amanhã. - Responde o detetive.
As sete pessoas envolvidas no caso alojaram-se em um hotel, enquanto o jornalista revia a filmagem, notou a presença de uma oitava pessoa. Tamanha foi sua surpresa, que acordou aos outros.
_ ...Vejam, Vejam... O que têm a dizer sobre isso? - Pergunta o ofegante Luís Nunes.
No dia seguinte, Estevão é o primeiro a chegar à velha mansão, junto com os primeiros raios de sol, pois estava muito empolgado e otimista com as investigações.
_ O que o professor teria visto naquela noite? - Pergunta-se Estevão, intrigado.
Pensou em inúmeras possibilidades, até que, subitamente, seu devaneio foi interrompido por passos leves, bem próximos ao local onde estava. Quase sucumbe ao horror ao se deparar com uma moça jovem, muito pálida trajando roupas muito antigas e trazendo uma expressão desesperada no belo rosto, como que a pedir ajuda... Estevão então, desmaia.
O primeiro rosto que viu ao despertar foi o do guia Toco, já no quarto do hotel.
_ O que aconteceu Estevão? Fale! Pergunta um dos policiais.
Estevão não relata o que viu e rapidamente se levanta. Uma cadeia de eventos passa com rapidez em sua mente, desde a morte do professor, o quadro dos três santos e a aparição fantasmagórica da jovem na sala da mansão.
Então, uma peça enorme do quebra-cabeças acaba de ser descoberto, como que caindo de pára-quedas em seu colo. O jornalista diz:
_ Nós encontramos estas três estatuetas que estavam cuidadosamente cobertas por um óleo semelhante ao verniz. Eram os três santos que estavam no quadro do salão principal: São Jorge, São Pedro e Santo Antonio...
_ Luís, você lembra o que estava escrito no quadro? Pergunta Estevão ao jornalista.
_ Claro, mas por que isso agora?
_ Tente descobrir se há algo escrito nas estatuetas. Responde o detetive.
O jornalista examina minuciosamente as imagens, mas não consegue encontrar nada. Então, resolve guardá-las em uma estante. Apesar de nada terem descoberto, sentiam que faltava muito pouco para desvendar o mistério.
 De repente, uma rajada de vento invade o aposento através da janela, derrubando uma das estatuetas da estante, que se quebra em inúmeros pedaços. Todos se desesperam, mas logo percebem que havia uma carta em meio àqueles fragmentos.
O jornalista então percebe que o óleo serviu para proteger tal papel da ação corrosiva do tempo. Dispostos a decifrar o enigma, quebram as outras estatuetas e percebem que contém mais duas cartas muito antigas.
O detetive começa a lê-las em voz alta, obedecendo a uma ordem cronológica:
_ “Escrevi esta carta para que todos saibam a minha história! Sou Ana de Albuquerque, filha do Barão de Albuquerque e.tenho quinze anos. No dia 14 de outubro deste ano, meu pai comprou uma leva de muitos escravos e para que todos soubessem a quem estes pertenciam, mandou cortar o dedo indicador da mão esquerda de cada um deles... Não sou a favor de tamanha crueldade, mas nada pude fazer sobre isso. Pretendia estudar na capital e escrever muitos textos para tentar acabar com tamanha injustiça...”.
O jornalista prossegue a leitura abrindo a segunda carta:
_ “Infelizmente, meu pai fez muitos inimigos, dentre eles, políticos, advogados, alguns abolicionistas, e é claro, os escravos... Certa noite, muitos homens invadiram a nossa casa libertando a todos. Eu sabia que eles voltariam para se vingar e voltaram mesmo, capturando-me e deixando-me em um cativeiro. Meu pai foi preso e acusado pelo meu assassinato, vítima de um plano cuidadosamente orquestrado pelos seus inimigos.”
O guia lê a terceira e última carta:
“_ Estou muito fraca, sinto que não vou viver muito, mas, mesmo assim, quero que alguém leia estas cartas e entregue-as às autoridades, para que todos saibam a verdade sobre o meu pai, pois não fui morta por ele. Não descansarei até que alguém leia estas cartas. Por isso deixei uma pista no quadro do salão principal, para que leiam e saibam toda a verdade”. Ana de Albuquerque.
_ Então, por isso que todos os que visitavam aquela mansão, diziam que viam e ouviam coisas... Ela só queria que soubessem a verdade sobre o seu pai, que ele não a matou como diz a história. Ao vê-la, o professor se assustou e morreu acidentalmente. Conclui Estevão.

Daquele dia em diante, ninguém mais ouviu relatos sobre aparições na velha mansão.
Felipe Corrêa
Enviado por Felipe Corrêa em 30/10/2006
Reeditado em 22/12/2009
Código do texto: T277334

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Sobre o autor
Felipe Corrêa
São Luís - Maranhão - Brasil, 27 anos
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Felipe Corrêa