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Marcos morreu... (*)

Os sinos da Catedral deram as 11 baladas quebrando o silêncio da noite naquela hora. A rua estaria completamente vazia não fosse apenas Leo que caminhava para casa após um longo dia de trabalho, mesmo sendo domingo à noite.
Enquanto dobrava a esquina na Praça em frente a Igreja Matriz, mergulhado em pensamentos por sua namorada, ouvio um barulho que o trouxe de volta a realidade à sua volta.
Ao baixar os olhos para a rua viu um corpo estendido à sua frente e próximo a uma moto que ainda rodopiava. Ao aproximar-se correndo viu marcas de sangue no portão dos fundos do confessionário da Matriz. Ele reconhecera a pessoa caída ali: era Marcos, um amigo de infância que agora agonizava enquanto seus olhos suplicavam ajuda.
O coração de Leo batia acelerado e suas mãos trêmulas seguravam as ensanguentadas mãos de Marcos. Não havia sequer um único arranhão pelo corpo, mas o sangue o banhava... A pancada fora em sua cabeça e havia um profundo corte um pouco acima do olho esquerdo: algo horrível de se contemplar mum amigo.
Mesmo em pânico Leo foi chamar uma ambulância que chegou em cinco minutos: mas era tarde demais para Marcos, seu último respirar foi enquanto a recepicionista anotava o endereço de onde ele estava. Quando os enfermeiros e pára-médicos chegaram encontraram Leo chorando abraçado ao seu amigo sem vida.
Enquanto levavam o corpo para o hospital Leo foi avisar a família do amigo que perdera. Ao chegar na casa de Marcos estava havendo um aniversário e todos riam felizes por mais um ano de vida de Suellen, sobrinha que perdera seu tio na noite de seu aniversário de seus 15 anos.
Não poderia haver pior momento para Leo falar sobre Marcos... Quando Alex avistou Leo deu um sorriso que só os bons amigos são capazes de fazer e convidou-o para entrar e participar da festa perguntando que supresa o traria naquela hora da noite.
Eu preciso falar a sós contigo, disse Leo, puxando-o à parte. Fala cara, o que é? Pergunta Alex já percebendo a expressão de medo no rosto de seu amigo. Teu irmão sofreu um acidente e está no hospital, você precisa ir lá agora comigo - falou Leo já saindo... -, no caminho te falo o que aconteceu. Sairam apressados dizendo que voltariam logo sem comunicar a razão aos que estavam festejando.
Antes de chegarem ao hospital, que ficava a cinco quarteirões de onde moravam, Leo conta o que acontecera e diz que Marcos havia falecido. Desesperado, Alex adentra o hospital procurando por seu irmão, que a uma hora atrás estava divertindo-se com ele no aniversário, e agora jazia no hospital.
Ao vê-lo, o pranto passa a invadir seu ser numa disiluzão que palavras não podem traduzir: ele estava diante de uma parte de sua vida que já não mais vivia... Após muito tempo, seu soluço vai dando lugar a razão e ele percebe que a madrugada o chama de volta para dar a notícia àqueles que, talvez, ainda estivessem esperando-o.
O celular toca e sua sobrinha pergunta se havia acontecido algo. Ele tenta disfarçar sua dor e diz que já está indo. Ao dirigir-se para casa pede a Leo para passar no local do acidente.
Ao chegarem avistam alguns curiosos no local enquanto removem a moto de seu irmão, o sangue havia manchado a parede e o portão onde Marcos colidira, mas estava faltando algo: o capacete que Marcos deixara em casa antes de descer a ladeira do alto Guaramiranga e perder o controle chocando-se no portão.
Além de ter bebido na festa ele abusou da velocidade num lugar impróprio e sem a proteção adequada. Foi vítima de sua imprudência! Desperdiçou uma vida vida jovem e de tantos sonhos, deixando a família e amigos com a sua ausência... Marcando com uma triste página a vida de sua sobrinha. Deixando a todos uma grande lição: capacete é para estar na cabeça de quem anda de moto e não para dividir espaço numa mesa onde há um bolo de chocolate.

*Baseado mum fato real acontecido em Canindé, Ceará, na noite do domingo, dia 17 de Julho de 2005. Os nomes própios são fictícios assim como o enredo. Mas o seu nome ou meu poderiam fazer parte do drama. Pense nisso...
Copyright by Apollu Stefanno
Enviado por Copyright by Apollu Stefanno em 18/07/2005
Reeditado em 28/07/2005
Código do texto: T35376

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Sobre o autor
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João Pessoa - Paraíba - Brasil, 40 anos
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