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O CASO DO VELHO FANTASMA

Tudo começa em uma sexta-feira mas não uma sexta-feira comum era fim de mês e não qualquer mês era outubro, dia trinta e um chamado “Dia das Bruxas”, uma lenda que o Celtas diziam que bruxas se reuniam em uma festa negra onde bebiam, comiam e praticavam sacrifícios mais isto é outra história.

Estava Rogério, jovem com dezoito anos, simpático e sempre disposto a ajudar. Quando  indo para a região do Jabaquara, naquela manhã bem cedo próximo as sete horas ia andando para a rua Luís Ossini de Castro. No meio do seu trajeto encontrou um senhor, já com suas cinqüentas e poucas primaveras ultrapassadas que perguntou-lhe o destino a qual se dirigia com tanta simpatia que o jovem nem desconfiou do que se tratava. Deu a informação solicitada pelo ancião que sorrindo brandamente de dentro do seu carro muito antigo pediu-lhe um favor:

- Meu jovem Rogério, gostaria que fizesse um favor para mim naquele mesmo quarteirão ao qual você se dirige. Com uma pausa e com a voz serena continuou:

- Uma rua simples onde mora minha esposa, esqueci de deixar-lhe um bilhete, você poderia fazer esta gentileza?

Rogério não sabia que dizer, como aquele senhor que se apresentara pelo nome de Guilherme sabia o seu nome? E ainda como poderia ter certeza de que iria fazer o que ele tinha pedido? Estas questões foram perturbando a consciência do rapaz durante o caminho de ida para a rua Jurupari, pois era lá que iria encontrar a senhora Marli Dias, senhora que agora iria receber sua visita devido ao senhor Guilherme ter dito que era ela que deveria receber o bilhete.

Foi indo, tanto andou que finalmente chegou naquela rua sossegada, próxima ao aeroporto que de manhã saía incontáveis vôos para todos lugares desafiando a tranqüilidade total do lugar.

E para sua supressa um problema começou logo que tocou a campainha da porta a senhora Dias hesitou em abri-la, abrindo a fechadura e a porta quando disse que tinha um bilhete do seu Guilherme em mãos. Rogério foi chamado de mentiroso:

- Mentiroso! Mentiroso! Aqui você não entra!.

Gritou a velha senhora. O jovem não arredou o pé dali por que tinha prometido entregar o bilhete e isto agora ficara como um objetivo a ser comprido. Explicou-se melhor para a senhora, que agora mais calma abriu a porta ainda desconfiando do franzino rapaz que apenas prestara simples favor á um desconhecido.

- Como você conseguiu este bilhete? Perguntou a senhora Marli.

- Um senhor chamado de Guilherme me entregou após perguntar se estava vindo para esta região do Jabaquara.

Mas ele está morto! Disse com a voz pesarosa. - Faz-se mais de quinze anos que sou viúva e vivo aqui sozinha, veja só esta foto do Guilherme. Ah! Guilherme e seu carro, não o abandonava por nada e por isso partiu desta vida, mas é a vida, não é meu filho?.

É ele sim, foi este homem que me pediu para entregar-lhe o bilhete. Disse Rogério com ar de espanto, mais branco que lençol lavado e com a voz quase sumindo.

Neste momento escutam barulho tão alto assemelhando-se a de avião, assustaram-se mais ainda quando escutaram uma explosão e as paredes da casa tremerem como em terremoto. Mais explosões e a senhora que já não tinha a juventude de muitos anos desmaiou. Desfalecida Rogério tratou de lhe reativar a consciência com muita calma e sem entrar em pânico. Quando saiu na rua percebeu um rastro de destruição que até os mais ingênuos sabiam o que tinha ocorrido tamanho era os danos ali causados. Um avião tinha caído e possivelmente matado todos os passageiros e tripulantes da aeronave que mal saíra do chão. A rua que tinha maior quantidade de destroços sendo a principal atingida era a Luís Ossini de Castro aonde se dirigia posteriormente para a casa de um amigo professor que mais tarde soube da morte dele junto com outros.

Passado algum tempo a vida de Rogério era a mesma, só que agora ele pensava ter nascido de novo e ainda lembrava do ocorrido toda vez antes de dormir. Assim rezava pedindo que Deus permitisse entender a história e em sonho ocorrendo os seguintes fatos.

Estava o senhor Dias dentro do mesmo automóvel que encontrará e ele a pé conversando, pedindo carona, entrou no carro e seguiu viagem com o senhor Guilherme. Em um cruzamento com linha do trem, o carro apresentou defeito e o senhor Dias não permitiu que saísse do carro, pois este já iria sair da situação em que se encontrava. O eixo da frente, os trilhos e o eixo traseiro com a locomotiva e seus vagões carregada vindo em sua direção, esta era a cena que via. Buzinou, não uma mais diversas vezes, a locomotiva. Desastre foi inevitável quanto fatal. Desencarnaram Guilherme e Rogério por defeito mecânico no carro. Agora uma voz chegou-lhe ao ouvido pedindo-lhe desculpas pelo ocorrido e que agora tinha feito a coisa certa o desviando do seu trajeto impedindo dele morrer em um dia tão triste quanto esta sexta-feira das bruxas.

- Ás vezes é nos permitido prestar serviços a quais devemos algo, desculpe-me se lhe assustei, mas foi preciso interferir de maneira mais direta para impedir que fosse “morto” em desagradável acidente aéreo no dia das bruxas. Quando as almas mais imperfeitas tomam conta de suas vítimas preferidas, jovens sem fé e desvirtuosos o que felizmente não é seu caso Guilherme. Fique com Deus e suas bênçãos irmão. Estas palavras ficaram a noite inteira na cabeça de Rogério que após ter acordado entendia e agradecia o fato ocorrido naquela sexta-feira trágica.


Edson Marques
Enviado por Edson Marques em 07/10/2005
Reeditado em 26/06/2009
Código do texto: T57586

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Sobre o autor
Edson Marques
Queimadas - Bahia - Brasil, 40 anos
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