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Pomar (parte 1)

Cristiano era um homem ocupado,sim,sim muito ocupado.Vivia correndo e falando alto.Dono de uma grande construtora ele fechava varios negocios por dia,demolia coisas para construir outras,é a renovação ele dizia com um sorriso sarcastico.Seu novo grande negocio era um complexo industrial,seria moderno,pratico,rapido e renderia milhões ao seu bolso,mas entre ele e sua fortuna estava a floresta.Sim,a tranquila e silenciosa floresta dos sussurros.Cristiano não sabia por que a chamavam assim,nunca ouvira nada sussurrar daquele maldito lugar.A cada dia que passava sua raiva pela floresta so aumentava.Maldito lugar,maldito lugar.
Mandou varios arquitetos a floresta para medirem,averiguarem e então darem as ordens para derrubar aquele matagal maldito.
Passaram-se dias sem que ele soubesse qualquer coisa sobre os arquitetos.Ligou nos celulares e nada,tentou a familia e soube que eles não haviam voltado.Um arrepio passou por sua espinha,maldito lugar,maldito lugar.
Mandou outra equipe,mas desta só voltaram três,totalmente loucos,feridos,cansados e doentes de uma estranha infecção.Algo que lhes deixava o corpo verde,que lhes roia a pele,que lhes endurecia os musculos.Aos poucos eles definharam vomitando e suando o proprio sangue.Cristiano não sentia medo,apenas odio,muito odio daquela maldita floresta.Conversou com os moradores locais que lhe disseram sempre ter tido muito respeito pela centenária floresta,depositar oferendas dentro dela,como pentes de osso,espelhos,contas coloridas e ornamentos.Disseram que os seres da mata eram muito vaidosos e que os presentes faziam com que eles não jogassem a floresta contra a pequena e rural cidade.
- Mas como jogar a floresta contra vocês? - Perguntou Cristiano.
- Ora douto,eles querem que nois vire tudo arvre,tudo,tudo arvre.Meu primo antonio tentou cortar uma arvre dessa,a arvre sangrou douto,acredite,a arvre sangrou...Que maluquice. - O campones parecia envolto em seus proprios pensamentos.
- Mas onde esta seu primo? - Perguntou Cristiano ansioso para falar com esse caipira.
- Ficou doido,se embrenhou na floresta pedindo descurpa pra arvre tudo e nunca mais voltou...Deve de te virado arvre também,não vai lá douto,não vai la não. - O caipira parecia com medo do que dizia e se afastou dizendo. - Tudo,tudo arvre,com foia e maçã de toda cor,mas ainda assim tudo arvre.
Sem entendar nada e pouco acreditanto na historia Cristiano seguiu em frente com seus planos.Pegou seu carro para dar uma olhada na floresta antes de se arriscar dentro dela.Era densa,com uma especie de cerca viva ao redor,ramos entrelaçados com folhas douradas davam um ar vivo naquele lugar.Pequenas flores lilases nasciam naquela cerca viva,Cristiano as achou lindas e foi até la colher uma ou duas,afinal se agradara de uma das moças da cidade e talvez valesse a pena levar-lhe aquelas tenras flores.
Estava prestes a colher quando um gritinho abafado chamou sua atenção.Do meio da cerca viva saiu uma garotinha,pequena e esverdeada a menininha estava coberta de terra e correu para dentro da floresta.Cristiano foi atrás dela cheio de receio.Correu gritando que ela voltasse pois ja estava escurecendo,afinal ele ja estava perto de alcançá-la quando esta se escondeu atrás de uma arvore.Ele contornou a árvore e seu sangue gelou ao ver...Apenas um arbusto pequeno,sujo de terra e coberto de flores lilases.Com um arrepio na espinha ele lembrou das palavras do nativo.
"É no final,tudo arvre."
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 17/09/2007
Código do texto: T656788

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 27 anos
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