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O DIA FINAL

Ela cresceu! Joana, uma menina perfeita com defeitos iguais a qualquer um. Clarice, sua mãe era uma trabalhadora fiel a seus principios éticos e morais. Pablo, seu pai era rude, alto e com aparência impactante e no fundo, ele tocava a todos com seu jeito.
Clarice saia bem cedo para o trabalho, que arrumara a pouco tempo devido as muitas contas, porém, Pablo ainda discutia o emprego de sua esposa.
- Mulher não tem que ficar saindo pra trabalhar. Você tem é que ficar em casa cuidando da Joana, Clarice.
- Mas Pablo, você sabe muito bem que não estamos bem financeiramente! Joana vai ficar com minha mãe, ela já falou que cuida!
Joana fingia dormir, mas as discussões eram altas o suficiente e vinham da sala logo pela manhã entrando em seus ouvidos, pertubando a jovem criança.
Sempre a rotina se repetia e as discussões se intensificavam. Certo dia Joana olhou sua avó com os olhos cheios d´água e disse:
- Vó, não gosto mais do papai.
- Mas porque minha querida? Ele brigou com você meu anjo?
- Não, ele briga com a mamãe! Mamãe fica triste, eu vi ela chorando ontem no quarto!
A avó de Joana sabia que sua filha Clarice já não suportava mais seu marido, mas aguentava calada porquê no fundo havia algo que a prendia à ele! Algo que não era amor e ela sabia bem disso.
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Clarice estava em seu trabalho, cansada não pelo serviço, mas cansada de sua pacata existência. Sua filha era um doce, mas ela já não conseguia enxergar isso porque simplesmente perdeu o gosto pela vida.
- Olá Clarice, tudo bom?
Clarice levantou a cabeça e viu Ronaldo, seu companheiro de trabalho.
- Você está chorando Clarice?
Ela não havia se dado conta de que lágrimas teimosas caiam de seus olhos.
- Não, é que....
Ronaldo então deu a mão para Clarice:
- Vem, vamos tomar um café! Acho que você precisa desabafar.
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Pablo estava trabalhando na montagem de um prédio perto da sua casa e estava mais irritado do que em qualquer outro dia. Clarice pela primeira vez havia resmungado alguma coisa enquanto ele fazia seu sermão e isso era intolerável!
- Que foi cara? Porque essa cara ? - um amigo de Pablo questiona.
- Nada não cara, volta pro seu trabalho.
Neste mesmo instante o cinto de segurança de Pablo solta levemente.
- Opa! Ei, me dá a mão Pablo!
- Me deixa, já disse pra voltar pro seu trabalho.
E então o  cinto solta-se por completo.
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Joana olha para a vó e dá-lhe um abraço forte!
- O que foi minha linda? - pergunta a avó.
- Nada não vovó! Eu só queria abraçar a senhora!
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Clarice está na cozinha do escritório conversando com Ronaldo e ele a consola com palavras belas, dizendo o quanto ela é especial, porém Clarice está arrazada demais para perceber que há algo diferente no clima entre os dois.
- Clarice, você é uma mulher jovem. Porquê se prender à alguém que não te trata como deveria ser tratada!
- É bem mais complicado doque você imagina Ronaldo.
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Na motagem do prédio todos correm e gritam. Está a mais de 35 metros o corpo de Pablo. E há muito mais distancia entre seu corpo e sua alma.
Pablo vaga pelas ruas em direção ao escritório onde Clarice trabalha. Sua velocidade é imensa e ele consegue enxergar o caminho e a distancia como ninguém.
A porta não lhe impede, ninguém o percebe.
Ele atravessa as paredes e flutua observando cada milimetro.
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Clarice está de cabeça baixa, e ronaldo a eleva ao nivel de seus olhos.
Beija-a levemente.

Pablo observa.

A força com que as cadeiras e mesa foram jogadas ao alto foi imensa a intensidade de energia ali concentrada era algo inacreditável.
- Ai meu Deus! O que está acontecendo aqui? - Diz Clarice.

Começa a correr todos os outros funcionários atraidos pelo som, mas a porta se fecha e eali estão Ronaldo, Clarice e Pablo em espírito.

É rápido. Os dois são sulfocados com a força de Pablo sem que conseguissem defesa, e a fração de segundos com que isso ocorreu foi relevante, pois foi nesta fração que abriram as portas e encontraram caidos ao chão Clarice e Ronaldo já pálidos... olhos estalados... boca aberta.

Pablo corria flutuando pelas ruas e ruelas.

Joana abraçava a avó constantemente e o abraço apertava.

Pablo chegou diante dela.

- Pai, sai daqui. Não machuca a vovó.
- Que isso menina, seu pai está trabalhando! - Diz a avó.
- Pai, por favor, não machuca a vovó.
- Joana! Você está me assutando! Seu pai não está aqui!

Os segundos seguintes foram suficiente para que Dona Cecília, mãe de Clarice e avó da pequena Joana tivesse o mesmo fim que Clarice e Ronaldo.

Joana se afastava.
Pablo se aproximava.

Joana chorava.

- Calma filha, papai não quer fazer nada com você! Vem aqui, no colo do papai.
Joana abaixou a cabeça e elevou os braços!

Pablo a segurou.
No mesmo instante abriram-se portas grandes e entraram Joana e seu pai, deixando a cena do crime completamente limpa. Apenas um corpo. Apenas um mistério.

E o mistério se resolve no além, onde cumplices, pai e filha pertubada seguiam pela escuridão.

E o medo de Clarice deixar o marido se desvendava no ar. Sabia que entre os dois havia bem mais que uma relação de pai e filha. Havia algo mais que um pacto, e por isso ela tentava proteger Joana do mal que Pablo emanava.

Porém... foi-se pelas sombras o pacto da paternidade... e a cumplicidade de uma filha.
Daiane Rodrigues
Enviado por Daiane Rodrigues em 28/11/2007
Reeditado em 22/01/2008
Código do texto: T756800

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Sobre a autora
Daiane Rodrigues
Américo Brasiliense - São Paulo - Brasil, 28 anos
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Daiane Rodrigues