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Os gatos satânicos - Segunda parte - Final

Continuação...

V
        Os gatos o atacaram!
        E como aconteceu?
        No dia seguinte, sábado, levantou cedo. Limpou a casa. Deixou as roupas sujas na lavanderia. Reabasteceu o opala. Almoçou num dos restaurantes do bairro. Ouviu música. Viu TV. Cochilou.
        À noite, resolveu dar uma passada na boate do bairro.
Noite quente. Boate lotada, fumacenta e barulhenta. Forró arretado de porreta na área, coisa que adorava. Bebeu todas, conversou com os amigos, dançou e levou uma das mulheres para um dos quartos localizados nos fundos da boate.
        Entre beijos e carícias, fez aquele amor gostoso. Ela era meio gordinha, muié balzaquiana, porém muito carinhosa. Depois que o negócio foi feito, a deixou na boate mesmo. Claro que efetuou o pagamento da "gatinha", né?
Cinco horas da madrugada e entrou do opala cinza.
        Não quis manobrar o carro para o interior da garagem (dava muito trabalho para abrir o portão) e, como estava numa cidade pacata, resolvei deixá-lo estacionado na calçada mesmo.
        Saiu do carro, trancou a porta, passou pelo portão pequeno, atravessou o gramado e aproximava-se, meio cambaleante (pois bebeu pouco, dessa vez) da porta da frente quando...
        Um ataque!!!
        Duas formas estranhas pularam em cima dele. Vindos do telhado. Os gatos! Os gatos miseráveis! Guinchavam estranhamente. Ruídos animalescos! Urros do inferno!
        Surpreso e assustado, tentou livrar-se. Os gatos arranharam seu rosto! Com força. Eram mais fortes do que pensava. Um deles meteu as garras em seu olho direito. Sentiu o sangue escorrer!
        Sentiu dor! Lutou com os bichos. Caiu de costas no gramado da casa.
        Subitamente, os gatos pularam fora.
        Por alguns segundos, permaneceu deitado no gramado, o olho direito fechado.
        Desnorteado. Rosto ensangüentado. E, diante dele, os gatos! Parados. Sentados sobre as pernas traseiras. Olhou para os gatos e se perguntou porque eles interromperam o ataque. Poderiam tê-lo matado, se quisessem. Reconhecia que não tinha condições de escapar com vida do ataque. Mas os gatos apenas o olhavam, como se quisessem transmitir alguma mensagem. Que mensagem seria? Pareciam dizer "nós podemos matá-lo a qualquer momento".
        Estava tonto, vulnerável, e, naquele momento, não teria condições de revidar, mesmo estando armado. A arma! No cós da calça. Lembrou-se dela agora. Como pôde ter esquecido da arma?
        Quando tentou pegar a arma, os gatos se movimentaram e foram embora. Pularam, ágeis, o muro da frente da casa e sumiram de vista. Sabiam da arma, claro. Como?!?
        Levantou-se, ensangüentado, e foi parar no hospital.
        Deitado na cama do hospital, pela primeira vez sentiu medo.
        Alguma coisa estava errada.

VI
        Nos cinco dias que se seguiram, após ter recebido alta do hospital, o rosto inchado e com dois esparadrapos, sua vida tornou-se um inferno.
        Passou a não dormir direito e os tremores na mão se sucederam. Começou a tomar comprimidos e seu apetite diminuiu. Em conseqüência, emagreceu uns cinco quilos. Já era magro, agora então...
        À noite, trancava toda a casa e deitava com a arma na mão. Estava decidido a atirar nos malditos gatos, caso eles aparecessem. Ouvia ruídos e despertava, assustado. Suava. O rosto doía. Teve pesadelos com gatos. Não queria ter tais pesadelos. Mas tinha. Merda! Via gatos em todos os lugares. Gatos horríveis, com horripilantes manchas brancas nos olhos. Sentiu medo. Estava preparado para morrer baleado ou por alguma doença sinistra, mas não assim, vitimado por gatos assassinos e maquiavélicos. Não queria morrer sob as garras de gatos, os animais que mais detestava na Terra.
        Passou os cinco dias recluso, quase sem sair de casa. Seu rosto estava feio demais para exibi-lo. Pensou nos gatos. Sabia que aqueles não eram gatos normais. Pareciam ter sido treinados por alguém para esse tipo de coisa. Perseguição e ataque. Ou seja, algum inimigo, provavelmente alguém que sabia de sua vida de assassino (talvez o parente de uma de suas vitimas, quem sabe?), utilizava esse método ímpar de vingança. Ou seja, os gatos matavam e o cara (seja quem for) não aparecia na história. Com certeza tinha cópias das chaves de sua casa. Sabia que temia e detestava os gatos. Sabia dos seus hábitos. Quem seria essa pessoa? E como localizá-la? Recusou-se a acreditar que os gatos seriam mal-assombrados ou enfeitiçados. Isso era impossível! Eram gatos de carne e osso, mortais e vulneráveis. Breve iria matá-los, não tinha dúvidas com relação a isso. Era uma questão de tempo.
        Não tinha pais vivos. No entanto, possuía um irmão, que morava numa cidade vizinha e que, por coincidência, veio visitá-lo rapidamente, mesmo sem saber de nada.
        Tranqüilizou o irmão, que se assustou quando viu seu rosto inchado. Inventou uma história, de que teria brigado com uma mulher e isso pareceu convencer o irmão, que foi embora. Menos mau, pensou.
        Três amigos e uma amiga também o visitaram. Para eles contou sobre os gatos. Quer dizer, contou apenas que foi atacado e não que os gatos o seguiam há dias. Essa parte não interessava pra ninguém. Afinal, não queria que o chamassem de louco ou mentiroso.
        Optou por resolver esse problema sozinho, sem ajuda de ninguém.
        No sexto dia, o rosto melhorou (ficando apenas algumas pequenas cicatrizes) e ele voltou a sair de casa. Também voltou a dormir relativamente bem.
        Os dias passaram e os gatos não apareceram mais.
        Era o mês de dezembro, o mês do Natal.
        Quatro dias antes do Natal, recebeu o telefonema do filho.
        E foi aí que descobriu as verdadeiras intenções dos gatos. Ou do seu inimigo.
        E apavorou-se com isso!
        Meu Deus!, pensou, em pânico. Não é possível que o dono dos gatos pudesse... que ele...

VII
        Foi a conversa mais dolorosa e difícil que teve com o filho. Doeu no fundo do seu coração. Criou uma história patética, de que teria que viajar no Natal, para resolver um problema particular. Não, filho. Não poderia ser adiada. Sim. Você poderia vir em janeiro, mas depois do ano-novo. Sinto muito, filho. Estremeceu ao perceber a tristeza na voz do garoto. Sabia que ele queria vir no Natal, que pretendia passar pelo menos três dias ali, naquela casa enorme, curtindo uma liberdade que a mãe não permitia.
        No entanto, sabia que, se seu filho viesse, seria morto.
        Assassinado pelos gatos!
        Arrepiou-se, ao pensar.
        Foi por esse motivo que os gatos não o mataram, quando do ataque naquela madrugada. O dono deles, seu inimigo mortal, conhecia sua vida em todos os detalhes. Sabia que seu filho costumava visitá-lo no Natal. E preparou tudo para o Natal.
        Queria matar os dois. Pai e filho. Num ataque satânico e sangrento. Seria a vingança perfeita. Filho da puta! Se um dia descobrisse quem era... Iria dizimá-lo em mil pedaços, por tudo o que o fez passar.
        Por isso, preferiu ter um filho chateado e decepcionado do que um filho morto. Esperava viver o suficiente para poder explicar tudo ao filho, no futuro.
        Bem, só lhe restava, agora, preparar-se para o confronto.
        Sabia que os gatos viriam no Natal. Tinha plena convicção disso. Os gatos viriam, mas teriam uma surpresa. Ele iria se preparar.
        Começou os preparativos para a batalha.
        Comprou, na capital (procurou ficar bem longe da casa onde o filho morava), o seguinte material: uma espingarda de calibre grosso; tarrafa de pesca; uma pistola; um maçarico médio; muita munição; e corda. Talvez nem precisasse de nada daquilo.
        Colocou tudo no quarto.
        E esperou. Depois que matasse os gatos, iria investigar, na capital, para descobrir quem seriam os donos dos mesmos. Iria pegar também esse desgraçado!
        Teve mais pesadelos com gatos. Terríveis! Nauseabundos! Chegou a tremer de medo!
        E eis que chega o dia 24 de dezembro, véspera de Natal.
        Dia fatídico! Sentiu frio e uma sensação... mortífera, no peito. Depressão. Tristeza. O dia estava nublado, anunciando que viria chuva por aí. Dia triste. Dia de morte. Teve a sensação de que os gatos já estavam por perto... esperando... o momento certo...
        Levantou-se, tenso, fez suas necessidades fisiológicas, tomou banho e preparou o desjejum. A pistola no cós da bermuda, claro. Atento. Temeroso.
Terminava de tomar o café quando ouviu o barulho da campainha. Assustou-se. Quem seria? Um de seus amigos, talvez. Respirou fundo e, em passos lentos, foi até a sala.
        Quando abriu a porta, levou um susto!
        Meu Deus!,pensou. Não pode ser!
        Seu filho!
        Estava ali, diante dele.

VIII
        As explicações foram dadas e agora o filho se encontrava sentado no sofá, olhando para ele. O garoto simplesmente havia telefonado para seu irmão, é mole? Ligou para perguntar se tudo estava bem com o pai. Quer dizer, o garoto não acreditou nesse negócio de viagem misteriosa, em pleno Natal. Deduziu que algo estava errado.
        Ligou para o tio e soube da doença. E resolveu vir, para dar uma força.
        Menino bão da moléstia, sô, refletiu, orgulhoso. Possuía a inteligência do pai. Infelizmente, naquele caso.
E agora? O mal estava feito. Tentou dissuadir o filho a voltar, mas não conseguiu convencê-lo. Teve que corroborar a mentira que dissera ao irmão, sobre a briga com uma mulher. Acrescentou que não queria deixá-lo preocupado e outras abobrinhas fúteis. Para amenizar tudo, o garoto disse que só iria passar dois dias ali. Os dias 24 e 25 de dezembro. Iria embora no dia 26. Tudo bem.
        Respirou fundo e resignou-se. Bem, o negócio era torcer para que os gatos não aparecerem.
        E, enquanto o garoto tomava banho, escondeu todas as armas e o material dentro do guarda-roupa, no quarto.
        Não iria falar nada sobre os gatos e esperava que os animais não aparecessem.
        De certa forma, estava feliz pela vinda do filho, pois detestava passar o Natal sozinho. Os dois saíram e fizeram compras. Arroz, chester, macarrão, frutas, legumes e outros ingredientes para uma apetitosa ceia de Natal.
        Por volta das dez horas da noite, os dois jantaram o chester assado, com arroz, macarrão, frutas, salada, vinho e refrigerante. Colocaram o papo em dia. O garoto entrou numa academia de natação e estava se saindo muito bem. Ganhara o torneio juvenil de xadrez da escola há duas semanas. Não sabia ainda o que pretendia ser na vida. Gostava de ler e talvez optasse pela carreira de jornalista. Não bebia, não fumava e nunca experimentou nenhum tipo de droga. Muito bom.
        Meia-noite os dois foram até a principal praça da cidade, para o foguetório do Natal.
        A maioria dos moradores da cidade se reunia ali. Seus amigos cumprimentaram o garoto. A multidão vibrou com o barulho dos fogos. Um grupo musical animava a praça. Forró, lambada, rock, MPB, pagode, axé e etc. Havia muito vinho e muita cerveja. Todos dançando, na maior alegria. A festa se prolongou até amanhecer o dia.
        Pai e filho chegaram na casa por volta das sete horas da manhã do dia 25.
        Estava feliz, pois a companhia do filho o animava.
        Por alguns momentos, esqueceu os gatos.
        Na verdade, esqueceu completamente os gatos.
        Tomou banho e jogou-se na cama.
        Dormiu direto, até que...
        Acordou por volta das quatro horas da tarde, ao ouvir... os gritos.
        Vários gritos!
        Gritos de dor! Desesperados! Agonizantes!

IX
        Levantou-se, ainda embriagado de sono.
        A princípio, ficou desorientado, sem entender o que se passava. O que estava acontecendo? Que barulho seria esse? Ruídos de luta? E por que estava sentindo frio? Os gritos pareciam vir do outro quarto e cessaram, abruptamente.
        De repente, lembrou-se. Seu filho estava na casa.
        - Meu Deus! - murmurou.
        Assustado, colocou o calção e pegou a espingarda.
Saiu do quarto, bem desperto, preocupado, e atravessou o corredor em passos largos. Entrou no quarto, apontando a espingarda para...
        A cena que viu o deixou completamente chocado!
        Seu filho.
        Imóvel. Jogado no chão. De costas. Braços abertos. Perna esquerda sobre a cama. Olhos arregalados. Só de cueca. Sangue por todos os lados. Em cima dele...  os gatos. Um preto. Outro marrom. As malditas manchas brancas nos olhos. Um deles com um pedaço de carne na boca. Outro rasgava pedaços da barriga do seu filho, como se fosse a carne mais suculenta do universo. Uma imagem horrpilante!
        - Não! - gritou, em desespero - Não! Não! Não! Não! Não! Não!
        Não conseguiu se mexer. Não conseguiu tirar os olhos do cadáver de seu filho. Seu ente querido. O ser humano que mais amava no mundo. Morto. Dizimado pelos gatos. Lágrimas de dor desceram de seus olhos. Sentiu ódio. Sentiu medo. Suas pernas tremeram. Naquele momento, sua vida perdia o sentido. O que tanto temia aconteceu.
        Quando logrou despertar do transe, foi atacado pelos gatos.
        Um ataque brutal e surpreendente.
        Os gatos saltaram em cima dele e o derrubaram no piso do corredor. Tentou apontar a arma para um deles. Em pânico, puxou o gatilho. O barulho ensudercedor do tiro reverberou pela casa. O projétil atingiu uma das paredes do corredor. Notou, nos olhos dos gatos, um brilho amarelado, de uma intensa e arrepiante fosforescência. Não eram olhares inquietantes. Estes pareciam olhares de... ódio. Sim. Ódio era a palavra certa. Nunca tinha visto aquele brilho antes. Brilho horripilante. Sobrenatural! Tétrico!
        Sentiu dor. Os gatos o mordiam. Arranhavam. Perfuravam. Emitiam urros estranhos, animalescos, sobrenaturais. Sentiu dor quando um dos gatos mordeu sua orelha. Além da dor, embriagou-se de nojo, ao sentir aquele fedor horrível. Fétido! Nojento! Os gatos fediam horrivelmente! Como se fossem cadáveres em decomposição. Zumbis satânicos! Os pelos pareciam estar em processo de derretimento. Alguns caíam. Os gatos eram tão fedorentos quanto mortais.
        Sua visão ficou turva. Cinza. Delirou! Teve a impressão de que os gatos eram enormes. Como se fossem leões gigantes. Visões da morte! Chegou a apertar o pescoço de um deles, mas o animal se desenvencilhou com facilidade. Dentes em seu pescoço. Em seu ombro. Em seu peito. Arranhões profundos em sua carne! Dor! Muita dor! Sangue! O sangue jorrava de suas feias perfuradas! Estava ficando tonto.
        Largou a espingarda. Não tinha mais forças. Tentou levantar-se e não conseguiu. Começou a arrastar-se pelo corredor, com os gatos agora em suas costas. Mordendo. Arranhando. Não suportou a dor. Tonto, arriou ali mesmo, no corredor. O sangue fazia poças insanas no chão.
        - Não... não... - foi o que conseguiu murmurar, em agonia - não... não... não...
        Sentiu a aproximação da morte.
        O sangue saía de seu pescoço, líquido viscoso e escuro, juntamente com sua vida.
        Os gatos, então, subitamente, se afastaram.
        E desapareceram. Rápidos e em silêncio.
        Como se nunca tivessem naquela casa entrado.
        Não os viu mais em nenhum lugar.
        Levantou a cabeça, tentando ver seu inimigo. O dono dos gatos. Ele poderia parecer a qualquer momento, para saborear sua vingança. Cadê esse filho da puta? Onde estava? Por que não aparecia agora?
        Mas... não havia mais ninguém na casa. Apenas aquele fedor de carne podre permanecia, enojando-o.
        Estava sozinho... ensangüentado... e morrendo...
        Estranho...
        Não conseguia respirar!
        Imerso em dor, medo, sangue, desespero...
        De repente, pensou na velha. Involuntariamente, a imagem da velha bruxa lhe veio à mente. A bruxa da casa verde! A velha e seus gatos. Mulher feia, solitária, de olhar frio. Rosto enrugado e antipático. Mulher odiosa, que o olhara fixamente, cheia de ódio e... e... Por que pensara nela? O que ela tinha ver com tudo isso?
        E chegou a uma terrível conclusão. A resposta lhe veio à mente de modo chocante, fazendo-o arrepiar-se todo. Lágrimas de medo desceram de seus olhos. Estremeceu. O tremor o dominou, em meio à mais horrível de todas as dores. As dores na alma! E ele percebeu que...
        Não havia nenhum inimigo! Incrível! Não havia nenhum dono dos gatos! Não havia o sujeito que sabia de seus hábitos, que o seguia, que possuía as chaves de sua casa e que treinara tais gatos para atacá-lo. Essa pessoa simplesmente não existia. Não existia!
        Então... de onde vieram os gatos? Por quê o perseguiam?
        Por que ele? Por quê, meu Deus!, pensou, apavorado.
        Morreu sem obter a resposta.

X
        Os corpos foram encontrados no mesmo dia, uma hora depois.
        A vizinha ouviu o tiro e, juntamente com o esposo, foi ver o que se passava. Os dois viram os corpos e sentiram o fedor. O terrível fedor de carne podre! A mulher desmaiou.
        Um choque para a pequena e pacata cidade do interior nordestino.
        A hipótese de que o pai teria assassinado o filho e se suicidado em seguida (e vice-versa) foi descartada. Alguns pêlos de gatos foram encontrados na casa, mas os investigadores o ignoraram.
       O irmão do morto contou à polícia sobre o ataque da mulher.
       Os amigos do assassino morto optaram por não revelar, à polícia, o fato dele ter sido atacado por gatos. Na verdade, preferiram acreditar na história do irmão, de que ele teria sido atacado por uma mulher.
         Perguntas foram lançadas ao vento: quem matou os dois? Um animal selvagem? Um ladrão homicida? Um psicopata? A mulher misteriosa, citada pelo irmão? Onde estaria ela?
        A polícia, após meses de investigações, e sem conseguir encontrar a tal mulher, arquivou o caso. Jamais se descobriu quem foram os autores daquele crime terrível.

XI
        No dia seguinte, muita gente da cidade compareceu ao duplo enterro. Amigos. Curiosos. A ex-esposa estava lá, em prantos. O irmão do assassino falecido (bem como outros familiares) também. O cemitério estava lotado.
        Ninguém notou os dois gatos, um preto e um marrom, ambos com manchas brancas nos respectivos olhos esquerdos, sentados sobre as patas traseiras, perto de uma árvore e que observavam tudo, a uns vinte metros de distância.
        Nos olhos, um brilho... satânico.

FIM

Joderyma Torres
Enviado por Joderyma Torres em 10/02/2006
Reeditado em 25/02/2006
Código do texto: T110308
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joderyma Torres
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 51 anos
70 textos (14850 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 08:25)
Joderyma Torres