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Nunca durma sem beber água

Nunca durma sem beber água

Aroldo tomava água todas as noites antes de dormir, mas naquela, se esqueceu. Era exatamente 23 horas quando se deitou. Seu espírito havia se acostumado com o ritual de um copo de água, e naquela certamente não ficou contente com esquecimento de Aroldo.
De madrugada, Aroldo começou a rolar para lá e para cá em sua cama e  transpirava bastante. Seu espírito estava com sede. Sua alma sentia falta de água. E lentamente, como num sonho, a alma se desprendeu do corpo e saiu à procura do bendito líquido. A alma de Aroldo caminhou pelos corredores da casa e chegou até à cozinha. Em cima da mesa havia um jarro. O pai de Aroldo que havia se levantado para ir ao banheiro, veio até a cozinha beber um copo de leite, mas primeiro bebeu um pouco da água que estava no jarro.
Ao ir à geladeira pegar o leite, a alma percebeu que o jarro de água ficara destampado e mergulhou dentro com muito ardor, já que a sede era tanta.
O pai pegou o leite, mas antes de subir para o quarto, tapou o jarro, deixando a alma de seu filho presa dentro do recipiente, e voltou para a cama. A alma de Aroldo ficou desesperada e não conseguiu sair do jarro.
Na cama, Aroldo se debatia, transpirava, se asfixiava, mas não conseguiu trazer a sua alma de volta. Na manhã seguinte Aroldo não acordou, como não acordou nunca mais nesse mundo em toda sua vida.
Antonio Fabiano Pereira
Enviado por Antonio Fabiano Pereira em 06/06/2006
Código do texto: T170313
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Sobre o autor
Antonio Fabiano Pereira
Cornélio Procópio - Paraná - Brasil, 33 anos
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Antonio Fabiano Pereira