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O Livro do Sotão

O Livro do Sótão –
 Parte I
 
    Sempre gostei muito de ler, podia passar horas a fio imersa em um livro, sonhando acordada com castelos, campos, pradarias e o que mais se apresentasse diante dos meus olhos pelas páginas dos livro..

    Lembro-me muito bem daquela noite sombria e fria, em que estava sozinha na casa da minha avó. Eu lia naquela noite um livro que havia encontrado no sótão durante a celebre faxina que fazíamos todos os anos antes do Natal.

    Era um livro antigo aquele, capa dura cor de fogo bem desgastada pelo tempo, mas nem por isso menos mágica e atraente aos meus olhos, pelo contrario o estado de quase decomposição do livro dava a ele um ar de mistério irresistível, em suas primeiras paginas amareladas pelo tempo encontrei uma dedicatória escrita numa língua que eu nunca tinha ouvido falar até aquele momento. As paginas que se seguiam estavam escritas em português, mas com algumas palavras que indicam que o autor daquele livro podia ter sido italiano ou espanhol. No livro em cujas paginas encontrei a estória de Marcello Syriano III conde desterrado de seu país,onde ele mesmo narrava os tristes acontecimentos que permearam sua viagem de desterro. Logo após o navio em que viajava zarpar de um porto lúgubre e sujo perdido em algum canto do tempo, os problemas de Marcello teriam inicio.

    O mar bravio e tormentoso fazia com que o pânico e o temor de um naufrágio se instalassem a todo momento nos olhos dos viajantes, embora ninguém mencionasse o fato todos sabiam que o navio se encontrava próximo a uma perigosa ilha onde segundo as lendas, viviam criaturas do passado a muito esquecidas cuja crueldade com ao pobres infelizes que caiam naquela ilha não tinha limite. O navio continuava a luta contra a tempestade seguindo sua rota, ao som de um trovão que todos juraram não ser desse mundo, uma imensa onda, de proporções jamais vistas, nem mesmo pelo experiente capitão põe o barco à deriva.

    Diante do desespero que se instala no coração dos passageiros e da tripulação daquele navio a perda de muitas vidas é inevitável. Marcello consegue se segurar numa parte dos destroços, tenta se manter calmo e ajudar as pessoas que estão aos gritos desesperadas a sua volta, diante de um quadro de tanto sofrimento e dor ele perde os sentidos.

    Ao acordar percebe a noite cerrada e em seguida que está em uma ilha, sente um medo e uma insegurança que não consegue explicar, mas sabe que esses sentimentos não são apenas pelo fato de se encontrar em um lugar desconhecido e com uma atmosfera onde o mal puro e simples parece reinar. Sem perder o instinto de conservação Marcello resolve esperar o amanhecer para tentar então, sair daquele lugar que lhe inspira calafrios, o ar está pesado, não se ouve nenhum barulho na vegetação, só resta a ele esperar. O frio aumenta a cada momento suas mãos tremem, de frio e medo, o silêncio é quebrado por sussurros que parecem vir de todas as direções, um forte odor de carne apodrecida pela ação das águas do mar envolve Marcello e ele presente que alguma coisa errada está acontecendo, do interior da ilha saí uma multidão de seres que guardam semelhanças com seres humanos, mas seus olhos e seus movimentos não deixam qualquer duvida sobre seu real estado, estão mortos e a muito, muito, tempo eles estão vindo ao encontro de Marcello, que transtornado pelo medo não consegue se mexer e apenas espera o triste desfecho da cena macabra, a cada instante o cheiro de carne em decomposição aumenta mais e mais, Agora as criaturas estão tão perto de Marcello que ele sente como se o cheiro já fizesse parte do seu corpo, ele está conformado sente que não tem mais salvação. Ergue então uma ultima oração a Deus pedindo apenas para que não se torne mais uma daquelas criaturas, nesse instante o sol começa a nascer e seus raios atravessam aqueles seres mortos e seus espectros desaparecem como num passe de mágica.

    Marcello é resgatado daquela ilha dias depois, transtornado e abatido ele tem as pupilas dilatadas e seus movimentos são espasmos sem sentido, balbucia a todo instante um pedido estranho,insiste para que as pessoas que o socorrem não deixem o sol se pôr, que a luz do sol não o deixe. Chego ao fim do primeiro capitulo do livro que encontrei no sótão da casa de minha avó, minhas amigas me chamam já é hora de sair e curtir a noite, deixo o livro sobre a cadeira e vou tomar banho, sinto um cheiro estranho como se algo estivesse se decompondo devo estar ficando maluca não me preocupo mais e deixo meu quarto em direção ao banheiro, afinal hoje a ilha será nossa.........
Selva
Enviado por Selva em 18/07/2006
Reeditado em 02/10/2006
Código do texto: T196784

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
24 textos (2767 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 18:24)
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