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O Homem Sem Medo

     Mário Lúcio era o tipo do cara metido a besta. Adorava contar vantagem, dizer que fazia e acontecia na cabeça dele, ele não era só o bom, ele era o melhor dos melhores. Ele vivia numa cidade bem tranqüila no interior do Brasil, por onde varias pessoas que viajam tinham que passar.Um belo dia Mário Lúcio estava no bar como sempre contando das suas para as pessoas que tivessem paciência de ouvir, e para as que o ouviam e depois curtiam com cara dele com outras pessoas, Mário Lúcio tinha até um apelido na cidade O Homem Sem Medo, sua fama se espalhava pela região e as pessoas vinham de outras cidades para desafia-lo a mostrar que realmente não tinha medo de nada, isso deixava Mário Lúcio muito, mas muito feliz visto que, assim ele sempre tinha façanhas novas para contar a quem quisesse ouvir.

     Mário Lúcio se gabava de “grandes” façanhas como, por exemplo, dormir no cemitério a noite em cima dos túmulos, procurar mula sem cabeça na sexta feira da paixão, sair a caça de lobisomem, procurar a baronesa e seus leitõezinhos nas estradas desertas, entre outras coisas que metem medo a qualquer um. Foi nesse dia, mais precisamente nessa noite que, mais um dos desafiantes de Mário Lúcio apareceu naquele bar, pelo menos era isso que ele pensava. Um homem alto com feições morenas, que podiam ser percebidas, debaixo daquele pesado sobretudo negro, que lhe encobria quase todo o corpo.

     Mário Lúcio nosso amigo valente, estava bebendo a décima branquinha na noite encostado no balcão do bar, quando ouviu um sujeito perguntar ao dono do lugar, onde poderia encontrar o tal de Homem Sem Medo que morava naquela cidade. Mais do que depressa, vaidoso pela sua fama ultrapassar os limites da cidade mais uma vez, e motivar mais um visitante a procurá-lo,Mário logo se adianta e pensa nessa hora, até em ir dizer ao prefeito que ele bem poderia homenageá-lo no dia do aniversário da cidade, pois ele contribuía para atrair turistas para aquele fim de mundo. Sem mais delongas, perguntou ao estranho em que poderia ajudá-lo, pois ele era Mário Lúcio Vaz da Guerra, o Homem Sem Medo. Depois de alguma conversa o sujeito explicou ao nosso amigo o desafio que queria lhe propor.

     Mário Lúcio sem pensar duas vezes aceitou todas as condições propostas pelo estranho visitante, que afinal não eram nenhum bicho de sete cabeças e consistiam em dividir o desafio em 3 partes, que seriam efetuadas nas 3 próximas sextas do mês de agosto.

     Mário Lúcio estava eufórico na sexta feira pois realizaria a sua primeira parte no acordo com estranho, ele só não concordava com o estrito sigilo exigido pelo tal cara, sobre as etapas do desafio pelo menos até o fim do mesmo, o encontro estava marcado para as 23:00 horas na encruzilhada que ficava nos limites da cidade. A primeira parte da prova Mário conseguiu realizar sem muitos problemas ele teve apenas que dormir no cemitério e antes disso a meia noite escrever uns sinais que o estranho lhe havia mostrado em um túmulo. Já a segunda parte deu um pouco mais de trabalho pois ele teve que sacrificar um animal e repetir os desenho no mesmo túmulo com o sangue.

     Mário Lúcio não consegue conter sua alegria pois só faltava uma parte do desafio a ser efetuada, naquela sexta feira 13 fria e chuvosa, enquanto esperava seu oponente bem baixo da figueira brava, ele ansiava pelos comentários que na manhã seguinte poderia tecer sobre sua mais recente façanha, as 23:30 faltando 20 min para o encontro marcado Mário Lúcio começa a se sentir meio estranho, suas entranhas se revolvem, seus olhos doem um pouco, sua boca está seca e seu corpo inteiro coça, ele mesmo estranhando aqueles sintomas não dá uma muita importância a eles e os atribui ao almoço pesado daquele dia. O estranho chega e pergunta a Mário Lúcio se ele está pronto para a ultima parte do desafio, ele responde que sim, o estranho então lhe esclarece que para vencer a aposta ele terá apenas que responder a uma simples pergunta. Ansioso Mário se diz pronto o estranho então lhe pergunta simplesmente: Mário Lúcio Vaz do que você mais tem medo na vida? E Mário responde: De nada. O estranho então profere as seguintes palavras: Estou livre e agora você carregará o fato que escolheu.

     Mário Lúcio Vaz depois desse dia nunca mais foi visto e ninguém em sua cidade teve noticia dele novamente, o estranho homem que lhe fez o que é conhecido pelo seu ultimo desafio, apareceu na cidade dias depois sem o sobretudo, com ótima aparência e se estabeleceu no lugar como pacato comerciante local. Na mesma época um homem que segundo os poucos que o viram se parecia muito com Mário Lúcio andou pelas cidades vizinhas procurando homens que se diziam sem medo.
Selva
Enviado por Selva em 16/08/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T218183

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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