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O cão de Helmon.

        Na antiga cidade de Helmon, de aproximadamente dois mil habitantes, onde as longas ruas eram rodeadas por antigos casarões de épocas imemoráveis,  viviam famílias ricas, tradicionais que ostentavam sua riqueza através do luxo de belas roupa, jóias finas do mais puro quilate, carros importados  e tudo o mais que o dinheiro podia comprar.
Essas pessoas viviam nos velhos casarões muito bem restaurados pelos mais renomados restauradores do mundo. Cada casarão trazia a inscrição da família que ali vivia. Na  esquina da rua Once viviam os Fishers e, vizinhos a eles, moravam os Benvils.
A cidade era tranqüila. As crianças podiam brincar felizes pela s calçadas e parques enquanto seus pais trabalhavam despreocupados. Os cães dessa cidade eram todos de raça, tinham pedigree, comiam as rações mais caras, eram bem tratados por seus donos.
Um certo dia ensolarado surgiu um  velho cão na cidade. Este tinha uma aparência repugnante. Tinha uma das orelhas cortadas; a outra estava terrivelmente infeccionada. Tinha apenas um olho e mancava ruidosamente. O rosto estava marcado por inúmeras cicatrizes e além de tudo exalava um cheiro pútrido insuportável. As crianças que o viam passar ficavam espantadas com a horrenda aparência dele, que tanto causava temor quanto  um sentimento de pena.
Quando o velho cão tentava se coçar suas articulações estalavam causando agonia a quem ouvisse. Esse cão atravessava a Rua Once tão lentamente como se carregasse grande peso nas costas e por conseqüência todos podiam sentir o cheiro forte que causava ânsia de vômito.
Os moradores de Helmon ficaram estarrecidos com a situação. Cobravam soluções de seu prefeito para se livrarem do visitante incomodo. O medo de ter seus filhos contaminados por alguma doença fez os pais proibirem as crianças de brincarem na rua. Todos os dias o velho cão atravessava toda a extensão da Rua Once, cruzava a rua Price e Morgue e então repetia o mesmo trajeto, sempre no mesmo ritmo e exalando o mau cheiro desagradável. As pessoas olhavam aquilo com indignação a ponto de deseja a morte do velho cão.
Dia após dia a cena se repetia. O cão passava em todas as ruas da cidade sempre em horários específicos. Sua aparência desagradável já incomodara tanto os moradores de Helmon que os mesmo resolveram tomar providencias. Em uma reunião comunitária então ficou decidido que o cão seria expulso da cidade, não importava o método empregado para tal fim. Cada um então sugeriu uma idéia para que o objetivo fosse atingido.
Entre todas as idéias uma foi escolhida para ser posta em pratica. Era a seguinte:  quando o velho cão passasse pela rua Once todos os habitantes jogariam objetos nele tantos quanto pudessem. Assim se repetiria na Rua Price e também na Morgue até que o cão fuja de uma vez da cidade. Satisfeitos com a solução encontrada os moradores retornaram as suas casas para se prepararem para o dia seguinte.
O dia amanheceu nublado. Um cheiro forte forte de podridão chegava ao olfato de todos da cidade de Helmon. O velho cão se aproximava mais uma vez da Rua Once. Todos os moradores já estavam apostos com objetos na mão. Quando o cão se aproximou todos começaram a lançar seus objetos: calçados, louças metais e até pedras, tudo quanto era pesado foi usado par expulsar o velho cão.  Este por sua vez seguiu mancando, como sempre, sem demonstrar qualquer reação às fortes pancadas que sofria. Assim se repetiu na rua Price, na Morgue. Os moradores enfurecidos buscavam mais objetos para jogar no velho cão e este sequer esboçava reação, continuava a sua caminhada até o fim  da Rua Morgue. Mas desta vez o velho cão fez um percurso diferente. Depois de chegar na esquina da rua Morgue ele seguiu em frente, até a saída da cidade. Os habitantes de Helmon ficaram felizes com a saída dele.
A paz finalmente reinava na cidade. Todos contentes resolveram dormir cedo  para acordarem bem dispostos para uma grande festa de comemoração que iria ocorrer no dia seguinte. Mas durante a madrugada os habitantes de Helmon foram surpreendidos por um uivo macabro, ensurdecedor. Quando estes foram olhar  viram um imponente cão a uivar na esquina da Rua Once. Tinha formas perfeitas e olhos negros e uivava com um fervor jamais visto. Depois de uivar pela última vez o silencio foi geral na cidade.
No dia seguinte a defesa civil do Estado foi chamada para um caso de extrema urgência. Mais de vinte viaturas foram chamadas às pressas para a cidade de Helmon. Chegando lá mau podia suportar o fedor de carniça, um cheiro pútrido que parecia queimar os pulmões. Nesse dia a defesa civil tinha que exterminar mais de dois mil cães de rua em Helmon e nenhum habitante foi encontrado
Mazin Queiroz
Enviado por Mazin Queiroz em 19/08/2006
Reeditado em 19/08/2006
Código do texto: T220057
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Sobre o autor
Mazin Queiroz
Gama - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
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Mazin Queiroz