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O Anjo

O Anjo
 
    Onde será que eu coloquei o celular? Nesses tempos em que tudo é pra ontem esse aparelhinho até que é bem útil pensou Terese. A mais de 1 hora parada naquele lugar isolado e frio ela enfim se deu conta de ter visto logo de manha, seu cachorro com algo estanho na boca e de não ter dado muita importância ao fato. Agora ali parada naquele lugar isolado ela pensava que não custava nada ter conferido o que o bendito cachorro estava mastigando.
    Com certeza a atraso para a festa na empresa estava fora de cogitação, pelo menos para seu chefe um homem amargurado e que sentia um imenso prazer em atormentar sua vida, com esses pensamentos em sua mente, a única solução seria tentar encontrar um telefone publico e pedir ajuda a algum amigo solidário, o grande problema era como encontrar um telefone funcionando naquele deserto.
    Depois de andar alguns quarteirões com os sapatos nas mãos, pois era impossível andar com aquela coisa mais que 5 metros, Terese enfim encontra um telefone funcionado, liga para Helen e pede que a amiga venha buscá-la o mais rápido possível, aquele lugar já estava lhe dando arrepios. Logo mais a frente do telefone Terese vê entre aberta a  porta de um estabelecimento que com muita boa vontade pode-se chamar de bar, o frio está ficando insuportável pensa ela, em circunstâncias normais jamais entraria em lugar desses, mas com esse frio é melhor arriscar.
    Ao entrar no bar percebe que além da atmosfera carregada de odores característicos como bebida, suor e cigarros, existe algo no ar que não se pode definir, algo como uma sensação de morte e desespero, as pessoas sentadas ali parecem mais desesperançadas do que o normal mesmo em um bar.
    Terese não pretende consumir nada e tenta se acalmar pensa até em sair, mas o frio lá fora a faz mudar de idéia. O radio roufenho e triste toca musicas muito antigas e Terese se lembra dos sucessos dos anos trinta que sua falecida avó tão querida, gostava de ouvir nas tardes de sábado, a tristeza toma conta de suas lembranças e lê decide tomar um drink para esquecer e suportar a espera pela carona Helen naquele lugar estranho. Pede então ao garçom um Blody Merry, que demorou uma eternidade para ficar pronto, ao experimentar a bebida notou que tinha um gosto estranho e singular e sentiu um sono muito forte irresistível, esqueceu-se da festa, do chefe pernóstico, dos problemas com dinheiro, do namorado, de tudo e caiu num sono profundo.
    Ao acordar notou que os raios de sol entravam pelos buracos nas paredes do bar que estava inundado de luz e poeira, os moveis estavam quebrados e deteriorados pelo tempo e a umidade, o lugar estava deserto então via sinal de viva alma a tempos, Terese se sente confusa e feliz ao mesmo tempo, o estress seu companheiro atroz naquela longa semana tinha desaparecido como por magia, ao se recompor para sair Terese pode ver pelas frestas da janela como o dia está lindo lá fora.
    Chegando em casa exausta e feliz Terese encontra um jornal em cima da mesa, resolve folheá-lo e se depara com uma manchete que a deixa sem fôlego, o jornal relata que no mesmo bairro onde seu carro dera problemas na noite passada estranhos assassinatos foram cometidos mais de 20 pessoas foram mortas da maneira cruel e sem explicação aparentemente, a policia procurava os culpados e agradecia qualquer informação com a qual a população pudesse contribuir. Na foto do jornal Terese reconhece um vulto bem na porta daquele bar onde passou a noite que se parece muito com sua avó e que sorri para ela protetoramente
Selva
Enviado por Selva em 24/08/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T224561

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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Selva