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O próximo da lista.

        Já quase não aguentava o peso da mochila. Parou para descansar em frente a um bar de beira de estrada. Era noite, tempo úmido. O céu encoberto denunciava uma chuva que logo viria. Robert Finigan tentava encontrar o caminho certo para Michigan. Sem mapa e com um péssimo senso de direção conseguiu se perder com facilidade.
Robert largou a mochila sob o balcão. Pediu uma bebida forte. O bar estava movimentado. Camioneiros, guardas noturnos e vagabundos lotavam as mesas. Grandes posters de mulheres nuas estampavam as paredes. A iluminação era péssima e o odor de urina impregnava o ambiente. O telhado em péssimo estado mostrava o quão velho era o lugar. O seu dono, um homem de meia idade, barbudo, de aparência puramente desleixada servia as bebidas coma  ajuda de sua filha, uma jovem de excelente aparência e bons modos.
Depois de tomar uma dose de “Vieux” (um conhaque Holandês) Robert deu uma rápida olhada em todo o ambiente. A moça que servia as mesas tinha um andar gracioso que por logo chamou a atenção dele. O dono do bar ao perceber as intenções de Robert logo o advertiu:
          - Ela não é para seu bico, meu chapa
.           Robert tomou mais uma dose de “Vieux”, levantou-se e foi ao banheiro. O barulho no bar foi interrompido por um homem que chegara. Esse homem estava num estado físico lastimável. Aparentava ter uns 60 anos; o rosto coberto por sangue e um braço aparentemente quebrado, além de mancar copiosamente. Ele chegou pedindo socorro em voz alta:
           - Ajudem-me. Ela quer me matar; ela vai me matar!!!
O silencio foi geral. Depois seguiu-se uma seqüencia de copos quebrados e por último inúmeras risadas. O tal homem caiu sob uma das mesas, estava morto. O dono do bar tratou logo de limpar a sujeira.
Robert voltou para buscar sua mochila. O bar voltou ao seu movimento normal. Nem as manchas de sangue se via mais.
Do lado de fora uma chuva forte lavava o asfalto. Robert usou sua jaqueta para se proteger. Sua mochila estava mais pesada agora, mas isso não o incomodava tanto.
Uma jovem esperava o ônibus logo a sua frente. Era loira, cabelos curtos e olhos azuis. Tinha um corpo perfeito. Robert se aproximou sutilmente e perguntou:
- Quer companhia?
- Não, obrigada – respondeu a jovem, de imediato.
- Que pena – finalizou Robert.

Robert então tirou um pequeno punhal de sua jaqueta. Abordou a moça, agora, com mais agressividade. Ela tentou gritar mas não teve jeito. Uma apunhalada no peito tirou-lhe a vida precocimente.
Com o corpo ainda nos braços Robert tirou-lhe a blusa e o deitou na calçada. Tirou também a saia. Com um bisturi fez dois cortes semi-circulares na base dos seios e em seguida retirou os dois mamilos. Depois, com o punhal retirou os olhos e cortou as orelhas. Por último cortou a lingua. Tudo muito rápido e preciso. Findo os procedimentos ele empacotou tudo, colocou sem sua mochila, cobriu o corpo e seguiu sua jornada para a Filadelphia.
Robert seguia a pé por uma longa estrada. Quase não passavam carros por ali. Estava morrendo de sede e de fome. Ouvia o som de um carro se aproximando. Parou para olhar e viu que estava diminuindo a velocidade até parar ao seu lado. Uma bela moça de cabelos longos e loiros estava dirigindo. Ela então ofereceu carona a Robert:
Não preciso de carona, obrigado – disse Robert.
Tem certeza? Me parece que você não está muito bem..
Já disse! - gritou ele – não preciso de carona.

            A moça então ligou o carro e seguiu viagem. Robert ajeitou sua mochila e continuou caminhando. Depois de dias de viagem chegou a  Filadelphia. No parque hamilton ele se sentou em um banco e ficou a olhar o movimento de pessoas do local. Abriu sua mochila e retirou um pedaço de papel. Deu uma lida e depois o recolocou na mochila. Aguardou anoitecer.
No banco ao lado estava sentada uma moça de uns 23 anos. Morena, com cabelos lisos e longos. Seios pequenos e um olhar penetrante. Robert se levantou e foi a sua direção. Então disse:
- Tá frio hoje. Quer minha jaqueta para se proteger?
- Não, obrigada, estou bem assim – respondeu a moça, um tanto insegura.
- Vejo que há algo estranho no seu pescoço – disse Robert, tirando a mão do bolso da jaqueta.
- Como assim algo de errado?
A moça então foi surpreendida com um corte bem no meio do pescoço. Robert fez uma perfuração no pescoço de tal modo que o sangue sequer escorreu. A morte foi quase instantânea. Robert desta vez apenas cortou algumas mechas de cabelo e logo em seguida cobriu o corpo. Abriu a mochila, colocou a mecha que cortou e retirou o pedaço de papel. Leu-o novamente e o guardou no bolso da calça. Seguiu para a estação de trem de Bichburn.
Chegando lá foi surpreendido por uma mulher morena, baixa de seios fartos. Descia as escadas da estação com muita pressa e ia em sua direção. Então ela disse:
- Quase perdi o trem... que bom que cheguei a tempo.
- Você queria falar comigo? Perguntou Robert, meio apreensivo.
- Queria saber se você quer companhia?
Robert mais uma vez ignorou. Subiu no trem e seguiu para Detroit. Fez mais uma vítima. Uma jovem de 16 anos, muito bonita. Outra vítima, dessa vez em Denver no Colorado. A jovem foi totalmente desfigurada. Teve seu rosto praticamente retirado com uma precisão impressionante. A mochila de Robert estava muito pesada. Olhou o pedaço de papel e tomou um ônibus para Indianápoles. Chegou praticamente de noite. Comprou uma cerveja e seguiu por um beco mau ilumanado. De repente percebeu que estava sendo seguido, uma sombra distante mas de formas bem delineadas. Tentou apressar o passo. A sua frente havia uma porta entre aberta. Tentou abri-la mas viu que estava fechada por uma corrente. A sombra que o seguia  agora tomava formas femininas de uma beleza fora do normal. O rosto incrivelmente simétrico e olhos castanho escuros. Cabelos longos e ondulados com um brilho que ofuscava terrivelmente os olhos:
-  Quem é você – perguntou Robert.
-  Eu? Você não sabe? Eu era a garçonete daquele bar onde você parou para descansar...
-  Você tá brincando comigo. Eu me lembro muito bem daquela moça e ela não se parece com você...
-  Como seus olhos te enganam... Eu era a jovem que lhe ofereceu carona... - disse a moça, se aproximando de Robert.
- ... E você é a mulher que me abordou na estação de trem?
-  Exato.
-  O que quer comigo? - Perguntou Robert, agora sentindo o terror correr-lhe por todo o corpo.
-  Nada demais... apenas olhe a lista que carregas...
Robert então retirou o pedaço de papel que carregava no bolso. Suas mãos estavam tremulas e seu rostou estava molhado por um suor frio. Quando leu a lista sentiu suas pernas congelarem:
- Não acredito... - disse ele, quase sem voz. - Isso só pode estar errado.
- Não há nada de errado, Robert, é assim que tem que ser...
Robert então largou o pedaço de papel e tirou a mochila das costas. O pânico o fazia chorar como uma criança :
- Agora é minha vez... (disse ele, em tom de desolação)

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Um corpo totalmente mutilado foi encontrado em um beco em Indianápoles. Uma bela mulher segue viagem para Michigan carregando um pedaço de papel. A lista que ela carregava tinha vários nomes, cujo primeiro era exatamente o de Robert  Finigan.
Mazin Queiroz
Enviado por Mazin Queiroz em 09/09/2006
Reeditado em 13/09/2006
Código do texto: T236203
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Sobre o autor
Mazin Queiroz
Gama - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
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