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UMA SUCÚBO EM ÊXTASE

UMA SUCÚBO EM ÊXTASE

Era uma noite fria de inverno, na cidade de Nova Iorque. Caminhando entre as pessoas um homem alto, de longos cabelos louros, presos num rabo de cavalo. Vestia uma jaqueta jeans azul, uma calça também de jeans azul, óculos escuros, tênis. Era bonito, tinha um porte atlético. Seu nome era John Engels. Ele é um detetive particular, mas hoje está em seu dia de folga. Caminha pelas ruas, em meio à multidão frenética.
Uma garota vestindo uma roupa colante preta entrega um panfleto. Era de uma nova casa noturna, que havia sido inaugurada. A casa em questão se chamava “Blood Doll”. Engels resolveu ir até lá conferir como era a casa noturna.
Chegando lá, ele vê uma fachada bonita, em néon azul e vermelho, escrita “Blood and Darkness”. Local bonito, mas todo aquele preto incomodava Engels, mas mesmo assim reparava na beleza do lugar.
Ele entrou na casa, após pagar a taxa e ser revistado por um segurança. Pelo menos o local era seguro. O local lembrava uma masmorra medieval, com todo aquele preto, correntes, uma luz roxa indireta. A casa tinha três ambientes distintos, separados por uma escada cada um. O primeiro ambiente tinha pessoa vestindo roupas pretas, algumas de vinil e outras de couro, usavam correntes, crucifixos e toda a sorte de penduricalhos macabros.

“Here are the young men,
a weight on their shoulders
Here are the young men,
well where have they been?

Estava tocando uma música muito alta, mal se podia pensar naquele ambiente. Mas era no mínimo inusitado, Havia garotas se beijando entre si, o que para Engels não causava muito espanto (ele vira coisas muito mais depravadas de onde veio). Não era uma orgia por assim dizer, mas que chocaria muita gente. E eram meninas novas, não pareciam ter mais de dezesseis anos, mas Engels preferia deixar quieto.

We knocked on the doors
of hell's darker chambers
Pushed to the limits
we dragged ourselves in

Começava a reparar que também muitos homens começavam a chegar, dada certa hora da noite. “Góticos”, foi o que pensou Engels. Nunca entendera a razão de jovens ficarem vangloriando tanto a morte.

Watched from the wings as
the scenes were replaying
We saw ourselves now as
we never have seen
Portrayal of the traumas and degeneration
The sorrows we suffered
and never were freed
Where have they been”

Resolvera ir a um ambiente mais calmo. Aquele era muito barulhento. Percebera que naquele ambiente, que era um pouco mais discreto, estavam reunidos executivos. Tocava uma música ambiente, pessoas mais bem vestidas estavam lá. Era mais agradável. Tinha um balcão, onde um homem loiro, muito bem vestido, fazia os drinks. Engels pediu uma bebida e pagou. Conversou com algumas pessoas e, mais tarde, viu uma porta na escada, cujo um cartaz dizia que a área acima só podia ser visitada mediante pagamento de uma taxa adicional e sendo maior de vinte e um anos. Engels mostrou sua carteira de identidade, pagou a diferença e subiu.
O último andar era um clube noturno, onde rolava Strip-tease e tinha aquelas cabines de Peep Show. Havia muitos homens e mulheres por lá. Apesar da alta carga de eroticismo que tinha no local, ele era agradável. Rolava músicas dos mais variados estilos.

“Queen of all my sleepless nights
For whose beauty I, Faun
have played my pipes, with heart
Queen in white silk, skin like milk
Horns of Faun, lips of dawn
You are now honoured you with my presence
As I'm honoured by your sight
I crown your perfection
The predator in your breast, I devour

Começava uma sessão de strip-tease. A primeira a chegar era uma mulher deslumbrante, de nome Melissa. Estava usando uma roupa negra provocante, que parecia muito com uma roupa medieval, uma espécie de espartilho. Seu corpo era estonteante, a roupa lhe era muito apertada para seus dotes físicos. Ela era baixa, não mais que um metro e sessenta, cabelos louros até a cintura, lisos, olhos verdes como duas grandes esmeraldas, uma pele levemente bronzeada, o que dava um toque exótico à moça. Possuía grandes e vermelhos lábios, voluptuosos. Os homens ficavam encantados ao vê-la.

From where it burns spirals of exotic scents
Rose, sandal, jasmine, all kinds of incense
Aged fragrances only dreamed of once
Dragons do dream far beyond the sense
We make love in the dusty throne
of a Modern Sodoma

Ela era desejada por muitos ali no recinto. Mas após o Strip-tease, ela se aproximou de John e sussurrou em seus ouvidos:
— Muito bem, querido. Gostaria de ter algo mais quente para tua noite?
Engels respondeu, tremendo:
— Não, senhorita. Eu não...
— Silêncio!...disse Melissa, com sua voz doce e delicada. Você é muito bonito, cavalheiro. Venha comigo, mostrarei como tua noite valerá a pena.
Normalmente Engels não aceitaria. Mas algo naquela mulher o fez aceitar. Ele tremia e muito. A mulher, delicadamente disse:
— Como se chama, meu amor?
— John Engels.
— Nome bonito e elegante.

Daylight has broken into a strange nostalgia
Night tired candles seem like two lovers
Melt in a embrace of conspiracy
Between us there is this strange chemistry
but would you die for me?
would you die for what I've longed to be?”

Foram até um quarto. Era luxuoso, com uma cama muito grande, com lençóis roxos, espelhos. Dava para escutar um pouco da música que estava tocando no terceiro piso.

“The scent of a woman was not mine...

Welcome home, darling
Did you miss me?
Wish to dwell in dear love?

Ela começou a tirar a roupa de Engels. Tirou-lhe os óculos e se deslumbrou com os belos olhos azuis de Engels. Parecia como se nunca tivesse visto olhos tão bonitos. Começou a beijá-lo, que estava ainda um pouco relutante, mas aos poucos ia cedendo.

Touch my milklike skin
Feel the ocean
Lick my deepest
Hear the starry choir

Rip off this lace
that keeps me imprisoned
But beware the enchantment
for my eroticism is your oblivion”

Quando estava quase pronto para transar com ela, algo súbito ocorre. Ele começa a enxergar um veio negro na aura dela. Como que por milagre sua habilidade de enxergar através das auras tinha sido acordada. Rapidamente, sem camisa, deu um salto para trás.
— Está com medo?... perguntou a mulher, com um sorriso maldoso nos lábios.
Engels se sentiu um pouco mais fraco. A mulher havia lhe roubado um pouco de sua energia vital.
— Venha, meu amor — falava a mulher, suspirando um pouco.
— Saia da minha frente! — gritou Engels, com seus olhos começando a emitir uma luz branca e azul.
— O que é você — diz a mulher, impressionada.
— Eu te faço essa pergunta primeiro, demônio!!!
A mulher ficou um pouco assustada. De repente surge na mulher um belo par de asas de couro, como as de um morcego. Sua silhueta fica um pouco mais diabólica, mas ainda sim muito sensual.
— Maldita sucúbo — resmunga Engels.
— É o que sou  — fala a mulher, com um olhar malicioso sobre Engels − e você, o que é, afinal de contas?
— Deverias saber quem sou, criatura de Lilith!
— Como sabes de minha mãe?
Então ela percebeu que John era na verdade Helaziel. Um anjo caído que voltou do Inferno. Não se sabe como ele fez isso, mas agora ele é perseguido tanto pelo céu como pelo inferno.
A sucúbo conjurou uma adaga em sua mão direita e golpeou Helaziel. Ele começava a sangrar.
— Seu sangue é doce... diz a sucúbo, lambendo a lâmina. Serás levado como um presente a minha mãe, maldito. Eu, Azeria, Dama da Luxúria, serei conclamada o braço direito de minha mãe.
Helaziel então deu um soco violento no rosto do demônio. Os dois começaram a brigar violentamente. O ferimento de Helaziel não parava de sangrar. Então ele criou um clarão em suas mãos, um efeito menor de magia e fugiu.
Voltou até sua casa, onde preparou um ungüento mágico para cicatrizar o ferimento. Ele não podia acreditar que uma sucúbo podia ser tão forte. Resolvera relaxar um pouco.
Subitamente, a janela de sua casa é quebrada. A sucúbo conseguiu localizar onde ele se escondia. Vergava agora uma armadura de combate, que realçava as silhuetas de seu corpo. Usava também uma espada negra.
Eles começaram a lutar. Helaziel estava desarmado. Tomou dois golpes no torso, que o fizeram sangrar muito. Estava subjugado e indefeso, prostrado no chão. Bastaria um golpe para matá-lo de vez.
Mas Azeria não o fez.
— Mate-me logo!!! — suspirou Helaziel.
— Não, anjo-demônio.
— Basta um golpe e terás meu cadáver para levar a sua mestra. Basta que eu esteja MORTO para que sejas recompensada. Não tenho muita valia vivo.
— Não — disse a sucúbo, tremendo e olhando nos olhos azuis de Helaziel, que estavam ainda mais bonitos.
Helaziel se recuperou e correu em volta da casa. Pegou uma espada que estava sobre a sua mesa. Era uma espada prateada. Ele então acertou um golpe violento na sucúbo. O sangue dela manchou o corpo de Helaziel.
— Vá embora !— disse Helaziel — vá enquanto estou te dando uma chance. Vá embora, demônio maldito!
Ela fugiu, toda ensangüentada. Helaziel pegou parte do sangue dela e guardou num frasco.
No dia seguinte, pegou esse sangue e misturou com várias ervas e materiais místicos. Criou um pó e pulverizou-o na sua casa, entoando palavras místicas. Teve sorte em ter sobrevivido. Esse pó criou uma barreira mágica que impede a sucúbo achar e entrar na casa de Helaziel de novo.
Perto de um prédio, uma mulher muito bonita caminhava. Estava um pouco machucada, mas andava sem dificuldade. Resolveu entrar no “Blood and Darkness”, primeiro piso. Lá haviam muitas pessoas, vestidas de preto e com maquiagem pesada. Resolveu ficar um pouco por lá. E antes de ir até o terceiro piso, estava escutando a última música daquele DJ naquela noite.

“Illness and plagues, torture and blight
Is what she brings
Mocking holy standards, deceiving feeble fools
Is what she loves
Granted with powers, gifted with magic
Watching the world through raven eyes

Damned woman mischievous whore
Heretic princess
Devil's own

Her seductive elegance
Excites your weak flesh
Her diabolical beauty
Enchants your bewildered mind

You damn woman
You mischievous whore
You heretic princess
You are Devil's own

[performing an ecstatic dance:]
A serenade made out of black magic
She has learned to set souls afire
And makes sure that you never
Will leave it's trance
Her diabolical beauty
Enchants your bewildered mind”
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 20/09/2006
Código do texto: T244551

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 32 anos
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Fabio Melo