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viagem fatal

Viagem fatal


     Eram 2 horas da madrugada, eu viajava com pressa para entregar a última mercadoria, mas neste dia não tinha como andar mais do que 50 km/h, chovia muito, e a visibilidade estava afetada pela grande quantidade de água que jorrava no para bisa, tentava o máximo possível manter o meu acoplado na estrada.
      Derrepente percebi algo vindo em minha direção, com a distância e a visibilidade, não dava para distinguir o que era , tão logo a lonjura ia diminuindo, pude perceber que se tratava de uma garotinha. Parei o meu caminhão desci e fui ao encontro dela.
      _ Oi menininha, o que faz você sozinha aqui há esta hora?
      _ Seu moço, obrigado por ter parado o caminhão. Estou precisando de ajuda.
      _ Calma ai garotinha. Qual e o seu nome?
      _ Mariana.
      _ Bonito nome Mariana, onde estão seus pais?
      Mariana começou a chorar e disse:
      _ A minha família esta logo ali na frente precisando de ajuda.
      _ Precisando de ajuda, que tipo de ajuda? O carro de vocês acabou a gasolina, o pneu furou? Mas, espera aí, que tipo de pais é os seus que deixam uma menininha sair sozinha numa estrada deserta à uma hora dessas.
      _ Sofremos um acidente, o carro de meu pai caiu em uma ribanceira. Papai está muito machucado, mamãe está dormindo... ela! Ela não consegue acordar, meu irmãozinho não para de chorar. Ajuda a minha família vai seu moço.
       Diante de tal suplica findo de uma garotinha desesperada, não pensei duas vezes, acomodei a Mariana na boleia do meu caminhão e fomos onde estava os seus pais, antes de descer a ribanceira, passei um radio de socorro para um posto policial mas perto dali.
       _ Fique aqui minha filha, vou ver o que posso fazer antes do socorro chegar. Não abra a porta do caminhão para ninguém, entendeu ninguém.
        Logo estava pendendo ribanceira abaixo, a primeira pessoa que vi foi o pai de Mariana, percebi que ele estava muito machucado, o seu rosto era uma massa de carne e sangue em total homogeneidade, por todo o seu corpo viam-se filetes de cortes, uns meros arranhões, outros de imensa profundidade. Mas apesar dos ferimentos, o pai de Mariana estava consciente, mas muito transtornado, o tempo todo chamando pelos seus familiares.
         _ Por favor, ajuda a minha família. Onde esta minha esposa, cadê a minha filha, Junior tudo bem com você meu garoto?
         Tentei em vão acalmar o pai de mariana. A mãe dela estava no banco ao lado, com o tempo o transtorno começou a subir a minha cabeça, mas tentei permanecer calmo, pois era a única ajuda daquela família naquele momento.
         _ Calma meu amigo, quero te ajudar, mas preciso que você fique calmo, sei que é difícil. Diga-me, você está sentindo os seus membros?
         _ Sim consigo sentir os meus braços e também as pernas. Onde esta minha filha, Mariana onde esta você.
         Não adiantava acalmar o homem, o seu pranto veio com mas eloqüência, e o pânico tomo-lhe a cabeça de vez. Fui dar uma olhada na mulher, esforcei-me em pular o carro, tentando não fazer movimentos bruscos para não piorar os acidentados. Ela permanecia inconsciente por sinal não tinha ferimentos à vista, não a retirei do carro, não queria arriscar uma fratura em seu pescoço.
       _ Meu amigo, a sua esposa está inconsciente, pela a sua aparência dá pra dizer que ela está bem, a sua respiração está normal, não há ferimentos expostos, não vou tirá-la do carro pra não causar nenhuma lesão. Antes de descer a ribanceira passei um rádio para o socorro, a qualquer momento eles estarão chegando. Foi a sua filha Mariana que parou o meu caminhão, ela me trouxe aqui.
        _ A minha filha está com você? Ela está bem? Cadê ela? Onde está a minha filha?
         No momento em que estava falando com o pai de Marina o socorro chegava, foi tão logo que percebi que o irmãozinho de Mariana estava caído no assoalho do carro junto ao banco de passageiros, o seu choro estava muito baixo, por isso não percebi de imediato. Tinha apenas um aranhão em sua testa logo acima da sobrancelha, do seu lado a porta estava aberta, provavelmente por onde a Mariana saiu e foi ao meu encontro.
          _ O socorro chegou meu amigo, logo eles vão retirá-lo do carro e sua família também.
           Removeram primeiro o pai de Mariana, logo depois a mãe em seguida o irmão. Um dos para-médicos veio até a mim e me perguntou se tinha mas alguém, disse que sim, que estava no meu caminhão,e que teria sido ela que me trouxe aqui. Derrepente um dos para-médicos gritou:
          _ Tem uma pessoa aqui!
          Todos correram para o local, chegando lá, algo me surrou no estomago, uma dor intensa, a náusea mais forte que senti em todo a minha vida. Ali estendida no chão uma garotinha linda, usava um vestido trançado, um laço no cabelo, mas com algo diferente em sua beleza jovial, um detalhe fúnebre estava no canto esquerdo de seu rosto no qual escorria um liquido escarlate. Parecia-me que ela estava dormindo, o sono dos anjos. Um para-médico agachou-se perto dela e constatou que estava morta, estava morta já um tempo. Provavelmente lançada pra fora do carro.
           Meu nome e Roberto, trabalho como motorista de caminhão transportando mercadoria por todo o país. Em uma dessas minhas viagens e o que aconteceu o que acabei de narrar, uma historia que vai ficar por resto da vida em minha mente.


EDGE NOGUEIRA
EDGE NOGUEIRA
Enviado por EDGE NOGUEIRA em 18/06/2005
Reeditado em 18/06/2005
Código do texto: T25614
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Sobre o autor
EDGE NOGUEIRA
Brazlândia - Distrito Federal - Brasil, 42 anos
25 textos (2522 leituras)
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