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O Ceifador

 - Foi aqui neste mesmo bar que ocorreu uma barbárie!- disse Jhonatham com a boca cheia.
 - Um crime?- perguntou Augusto
 - Um?- disse o velho rindo feito criança - Eu devia ter a idade que tu tem hoje, naquele tempo depois do serviço todos seguiam pra cá para se divertir e pegar algumas mulheres, se contar isso a sua tia eu o mato!
 - Não se preocupe, ela não vai saber!- respondeu sorrindo
 -bem continuando, estavamos aqui eu e alguns de meus amigos quando chegou o Alberto. Alberto era o tipo de cara que havia nascido para ser judiado, sempre era escurraçado das rodinhas de amigos. Neste dia ele sentou-se sozinho no último lugar do balcão, não estava com cara de muitos amigos , algo de sério devia ter acontecido. Até ai tudo bem eu estava com mais cinco caras nesta mesma mesa, e um deles era Emilio Dias, o cara mais encrenqueiro que eu já havia conhecido, o prazer dele era encher o saco de Alberto. Continuamos a jogar carta, e eu só de olho em Alberto, pedira uma garrafa de uísque toda para ele,Emilio estava concentrado demais no jogo para notar a presença de Alberto, assim mais ou menos meia hora se passou até que André um de meus amigos notou a presença do azarado e cutucou Emilio, quando ele viu do que se tratava aquela cutucada esqueceu o jogo na hora e pôs-se de pé, caminhou lentamente em direção á Alberto, puxou um banco e sentou-se perto dele, continuamos nosso jogo, de repente alguém grita e quando olhamos Alberto já descia a garrafa pela metade na cabeça de Emilio, Emilio caiu no chão sem saber o que acontecia, ninguém esperava que Alberto fizesse aquilo, os outros quatro que estavam comigo correram em direção a eles e começaram a espancar Alberto, eu fiquei sentado olhando boquiaberto a confusão se desenrolar, o dono do bar daquela época pediu a dois grandões que os pusessem para fora, depois de muita insistência Emilio e os outros convenceram os caras a deixa-los entrarem novamente, Alberto foi para casa todo desfigurado.- Jhonatham parou e levou o copo de cerveja a boca.
 - É só isso?- perguntou o sobrinho.
 - Não,é agora que vem a melhor parte, ou pior se tu preferir assim, quinze minutos se passaram e já haviamos recomeçado o jogo, Emilio estava com um corte na cabeça, mas não era nada de mais, a porta do bar se abriu e um silêncio pesado se manifestou ali, a banda parou de tocar, todos se calaram, junto a porta estava Alberto, ensopado devido a chuva forte que caía lá fora, começou a caminhar lentamente, arrastava algo atrás de si, Emilio ainda não se dera conta do que estava acontecendo, ainda estava estudando suas cartas, Alberto chegava cada vez mais perto, as pessoas começaram a se levantar e se afastar para os cantos do bar ao ver o que Alberto arrastava, quando chegou perto de Emilio eu pude ver o que era, pude ver porque ele levantou aquilo no ar, em uma fração de segundo, foi o tempo de Emilio erguer os olhos para nós,no momento seguinte sua cabeça já não se encontrava mais sobre o tronco, com um golpe rápido de foice Alberto o matou, cabeça de Emilio foi parar sobre o balcão, com outro golpe ele arrancou a cabeça de outros dois amigos meus de uma só vez, a essa altura eu já estava coberto com o sangue deles, os outros dois correram para fora do bar, eu continuei petrificado em meu lugar, Alberto olhou para mim ergueu a foice e a soltou em direção ao meu pescoço, a poucos centimetros da minha jugular ele parou e apenas disse com uma gélida voz " Ainda não chegou sua hora " , confesso que faltou pouco para que eu me cagasse todo, depois disso ele colocou a foice sobre o ombro e se foi para a noite chuvosa, se foi para sempre, meus outros dois amigos foram encontrados degolados a poucos quilômetros, e nunca mais se teve notícia de Alberto.


FIM
Raphael Vigonsa
Enviado por Raphael Vigonsa em 26/10/2006
Reeditado em 08/04/2013
Código do texto: T274297
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Raphael Vigonsa
Cuiabá - Mato Grosso - Brasil, 31 anos
61 textos (10065 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 01:03)
Raphael Vigonsa