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O Monge.

Aloísio se encontrava em um Mosteiro europeu onde iria ficar hospedado por alguns dias a fim de descansar um pouco das agitações do mundo externo. Ele se encontrava em uma Abadia na Alemanha. Sempre foi seu sonho conhecer os Mosteiros europeus que pareciam até mini-cidades de tão grande que eram com capacidade para acolher uns 500 Monges. O Mosteiro também possuía um cemitério que ficava dentro do claustro dos Monges. Aloísio ficou sabendo que todos os Monges que viessem a falecer no Mosteiro seriam enterrados ali naquele Cemitério Claustral. O Abade levou Aloísio para conhecer praticamente todas as dependências do Mosteiro como a biblioteca, o refeitório, a universidade que era ligada com o Mosteiro onde os Monges fariam os seus estudos para se formarem padres, os campos imensos com os seu verdes a se perder de vista e ao redor do Mosteiro podia se divisar lindíssimas montanhas. O Mosteiro ficava em uma região rural da cidade. Depois que Aloísio viu todas as partes que era permitida aos hóspedes observar, o Abade o levou de volta para o seu quarto onde o mesmo estava hospedado. Ele tinha planos de ficar ali por uma semana. Nos três primeiros dias tudo correu na mais absoluta tranqüilidade e Aloísio estava gostando muito dessa experiência que fazia ali naquele Mosteiro. No 4º dia de sua hospedagem Aloísio resolveu ir novamente a biblioteca, pois ficara impressionadíssimo com o arsenal de livros que a mesma possuía. Chegando lá ele falou com o Ir. Nicolau que era o irmão Bibliotecário responsável pela mesma se poderia ver a biblioteca por inteiro e ele respondeu que não haveria nenhum problema. Encantando passeando no meio daquelas infinitas instantes de livros cada um separado por tema, magnificamente organizado ele sobe até o 3º Andar que era o último daquela imensa Biblioteca e viu que havia uma imensa instante que, porém estava trancada. Pensou consigo: “Por que será que essa instante é trancada, será que possui livros que não podem ser mostrado as pessoas?” E ficou com aquilo na cabeça. Quando ele perguntou ao Irmão Nicolau o por que daquela instante estar trancada ele respondeu que era por que ali havia uma coleção de livros raros que não podiam ser vistos. Isso deixou Aloísio ainda mais cismado. Quando chega a noite daquele dia Aloísio acorda e começa a ouvir uns barulhos estranhos como se fosse o som de uma música distante. Olha no relógio e vê que são quase meia noite. Curioso ele resolve sair de seu quarto para ver o que estava acontecendo. O barulho de música que ele ouvia era de um tipo muito estranho e assustador, não era cantada, mas havia algo de estranho naquelas hediondas notas musicais. Ele desceu, passou pelo Cemitério claustral quando de repente sente uma mão gélida tocar o seu ombro. Aloísio voltou-se na direção do Monge e o mesmo usava um capuz preto debaixo de um hábito também preto. Aloísio tremeu de susto e pergunta:
- Quem é o senhor? E o Monge responde:
- Sabe que a curiosidade muitas vezes pode levar a pessoa a ver coisas nada boas.
- Eu estava somente passando porque achei estranho essa música que está tocando, você não a ouve?
- Sim estou ouvindo, quer saber de onde está vindo esse som musical?
Já arrependido de ter saído de seu quarto Aloísio faz menção de voltar, quando o estranho Monge o agarra fortemente pela mão e o conduz para o lugar de onde o som poderia estar vindo. Quase no meio do caminho Aloísio diz ao Monge que gostaria de voltar para o seu quarto, porém o Monge continua praticamente puxando Aloísio ao local de onde estava vindo a música. Aloísio começa a tentar se soltar e fica desesperado quando percebe que o Monge não quer soltá-lo e pergunta:
- Para onde você está me levando?
- Para um lugar que tenho certeza que você gostará de conhecer!
- Solte-me eu não quero ir a lugar algum! Quem é você?
- O que importa quem sou se já não sou mais deste mundo?
- O que você quer dizer com isso? Aloísio estava completamente apavorado.
- Quero dizer que sou alguém que morreu nesta maldita Abadia trancafiado dentro de um calabouço depois de ser torturado até a morte acusado injustamente de ser um bruxo. Depois de ser torturado, me deixaram preso num lugar imundo em que os ratos vinham para me fazer companhia. Morri de fome e de sede há mais de 400 anos e até hoje estou aqui para me vingar de todas as pessoas que por esse lugar passarem.
Aloísio tentou sem sucesso se desvencilhar daquele espírito atormentado e começou a lutar com o sobrenatural. Começou a gritar desesperadamente por socorro, mas parecia que ninguém o ouvia, quando aquele ser das trevas lhe aplicou uma chave de estrangulamento fazendo com que Aloísio desmaiasse. Quando Aloísio acordou se encontrava em um corredor escuro e com um cheiro insuportável. Nesse corredor em que o chão era de terra batida ele via dos dois lados do mesmo celas onde provavelmente era usado para se torturarem muitas pessoas. Quantas pessoas não devem ter morrido aqui meu Deus, pensou. Queria enlouquecidamente sair daquele pesadelo ao qual tinha sido lançado. Ao final daquele horrível corredor ele começou a ouvir aquela assustadora música com muito mais intensidade. Novamente começa a gritar por socorro tentando inutilmente achar uma saída daquele lugar sombrio. Ele começa a correr desesperadamente na direção oposta de onde estava vindo aquela musica infernal e quando chega ao final do corredor se depara com uma escada em espiral que subia, para onde só Deus sabe. Correu como nunca havia corrido em sua vida tentando de qualquer forma sair daquele lugar e quando chega ao topo daquela escadaria que parecia não terminar nunca se deparou com uma porta entreaberta e qual não foi o seu susto quando viu que se encontrava naquele 3º andar da biblioteca com aquele horrível monge com a face completamente desfigurada o aguardando ali do lado de fora. Com um olhar de fúria incontida e um riso satânico ele diz:
- Agora você sabe do que se trata essa porta que fica trancada e que nunca pode ser aberta, mas ainda queria que você visse mais uma coisa...
- Não pelo amor de Deus eu não tenho nada a ver com o que aconteceu com você, só vim a esse Mosteiro a fim de descansar um pouco as minhas férias, deixe-me ir por favor!
- De jeito nenhum, não sem antes você ver de onde vem aquela música!
Aloísio mais uma vez corre desesperadamente tentando se desviar daquele horrível Monge, porém mais uma vez ele é pego pelo Monge que o coloca sobre os ombros e novamente entra com ele naquele horrível lugar. Aloísio gritava, esperniava, implorava de tudo quanto era jeito, mas nada. Novamente dentro daquele lugar as portas se fecham e vem novamente a escuridão. Aloísio tenta de tudo quanto é jeito se soltar, porém como o espírito era muito mais forte que ele continua a conduzi-lo calmamente por sobre os ombros o levando em direção àquele lugar de onde estava provindo aquela música maldita. Quando ele se depara com uma outra porta no final daquele corredor de onde vinha aqueles sons assustadores parecia que ele havia entrado no portal do inferno. Ele vê um monte de seres desfigurados, com os corpos apodrecidos, alguns gritando desesperadamente colados ao chão e outros dançando ao redor de um órgão que ficava no alto de um pórtico amparado por quatro grossas colunas e o ser que o tocava, assim como o Monge estava envolto num capuz negro e possuía as mãos completamente apodrecidas.
- Este aqui é o inferno onde todos estes que aqui estão foram condenados a viver eternamente, vítimas da maldade e da ambição humana que prega um Deus o qual nem eles mesmos têm fé. Nós ficamos aqui e para este lugar vêm todos aqueles que externamente falam uma coisa, mas que internamente vivem outra completamente diferente. Aqueles que falam de Deus e que prestam culto ao diabo através de seus atos insanos, que pensam que só por que estão escondidos atrás de uma clausura ninguém saberá o que eles fazem e o que pensam. Nós estamos aqui observando tudo sempre!
Aterrorizado com aquela visão do inferno Aloísio solta um grito desesperado e perde os sentidos. Quando acorda está novamente em seu quarto e um Irmão batia insistentemente na porta.
- Senhor Aloísio, o senhor está bem?
Já havia passado do meio-dia e Aloísio estava encharcado de suor e sua cabeça doía terrivelmente. Aloísio respondeu de dentro do quarto que estava tudo bem e que ele só estava com uma indisposição, mas que logo passaria.
- O senhor precisa de alguma coisa? Perguntou o Irmão preocupado.
- Não tudo bem muito obrigado! Porém nem sequer abriu a porta.
Tratou de sair daquele lugar o mais rápido possível, dizendo ao Abade do lugar que havia de voltar para o Brasil ainda naquele dia, pois teria surgido alguns contratempos que ele precisava resolver. Arrumou rapidamente as suas malas e não quis nem sequer ficar para o almoço. Um outro Irmão o conduziria até o Aeroporto e ele trataria de pegar o primeiro avião de volta para o Brasil, não queria nunca mais saber de férias em um lugar assim. Agradeceu a Deus por estar saindo daquele lugar. Um outro Monge bate em sua porta e diz que o levaria ao Aeroporto. Aloísio estranhou um pouco ao olhar para o monge, pois era muito sério e com um ar carrancudo. Falou que precisavam ir o mais rápido possível ao Aeroporto, pois quem sabe conseguiria pegar um avião de volta ao Brasil naquele dia mesmo. Já fora do Mosteiro começa a armar uma tremenda tempestade e dentro do carro Aloísio percebe que não era aquele o caminho pelo qual tinha vindo quando foi ao Mosteiro e pergunta ao Monge se estavam indo por algum atalio e de repente o jovem monge carrancudo solta uma estrondosa gargalhada e quando Aloísio olha ao seu lado ele já não é mais aquele Monge sério e sim aquela horrível criatura com a qual teve contato naquela madrugada cruel. E o Monge com aquele seu olhar satânico lhe diz:
- Agora que você já sabe do nosso segredo será mais um que viverá eternamente conosco! E soltou mais uma de suas satânicas gargalhadas.
Aloísio gritou, mas já era tarde, o carro desapareceu como que tragado pela terra. No Mosteiro ninguém havia visto Aloísio sair e nem precisa dizer que ele nunca mais foi encontrado, bom pelo menos neste plano.
FIM.
         

Rodolfo Aliecksándrovitch
Enviado por Rodolfo Aliecksándrovitch em 09/11/2006
Código do texto: T286151
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Sobre o autor
Rodolfo Aliecksándrovitch
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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