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A noite em que o demônio se libertou

Guilherme acabava de sair da danceteria com seu amigo Alessandro. Ambos tinham conseguido até ficar com uma garota, a que se chamava Denise tinha ficado com Guilherme e a que se chamava Rosângela havia ficado com Alessandro. Era mais uma dessas baladas, onde somente se fica com a mina e depois vai cada um para o seu lado. Eram apenas uma hora da madrugada quando resolveram os dois casais sair daquela danceteria dizendo que estava muito chato ficar ali, pois eles queriam algo mais quente, afinal já estavam mais do que excitados para ficarem ali somente nos pegas. Guilherme era o único que estava de carro e sugeriu para que eles fossem a algum lugar mais interessante, por que não dizer um Motel. Nisso Alessandro, Rosângela e Denise toparam de imediato, afinal tinha pintado uma química entre eles, porque não aproveitar para fazer daquela uma Madrugada inesquecível. Nisso saem os quatro da danceteria. Eles queriam aproveitar e ir para um Motel que já conheciam e que ficava num lugar um pouco afastado da cidade, devido a que eles estavam numa cidade não lá muito grande e não queriam cruzar com nenhum conhecido pelas ruelas da pequena cidade. Os quatro eram todos alunos universitários que estavam ali naquela cidade somente para estudar e depois cada um voltaria a sua cidade de origem. Moravam em uma república de estudantes, mas por incrível que pareça apesar de estarem estudando na mesma Universidade só se conheceram naquela movimentada noite de sábado. Guilherme e Alessandro estavam cursando Engenharia da Computação ao passo que as duas meninas estavam cursando Turismo que, aliás, era um ponto forte naquela pequena cidade, foco de atração turística principalmente na temporada de inverno. Foram então em destino ao Motel Novo Millenium que era um lugar que apesar de ser afastado da região era muito procurado pelos jovens, pois era um daqueles lugares exóticos onde havia quartos de várias nacionalidades e as pessoas poderiam escolher que tipo de quarto queria ficar e todos com cama redonda e colchão d’água e uma enorme banheira de Hidromassagem e que os dois amigos conheciam muito bem. Animados e já afastados da cidade eles ficavam trocando carícias dentro do carro, principalmente o Alessandro com a Rosângela, enquanto Denise estava com Guilherme no banco da frente. Fazia uma madrugada fria e já começava o prenúncio de que haveria um grande temporal, pois já começava a se ouvir o som forte dos trovões e uma ventania soprava que até se podia ouvir o som do vento. Quando estavam no meio do caminho que levava a esse Motel, a Zafira de Guilherme para e foi quando ele percebeu que a gasolina tinha terminado. Tentava ligar o carro e nada de ele andar, foi quando Alessandro pergunta:
- O que aconteceu Guilherme?
- Puta cara esqueci de colocar gasolina do carro antes de sairmos da cidade, nem percebi que já tinha acabado!
- E agora o que vamos fazer aqui no meio do nada? Pergunta Rosângela
- Ai meu Deus, mas que lugar o carro foi escolher para parar! O que vamos fazer agora Guilherme? Denise já estava com medo.
- Calma pessoal relaxe que tudo vai dar certo, já que não conseguimos chegar ao nosso destino por que na ficamos por aqui mesmo, afinal de contas o carro é grande e da para nos quatro brincarmos numa boa aqui. Quando amanhecer o dia a gente procura ajuda.
- De jeito nenhum, eu já estou apavorada de ter de parar nessa estrada que só tem mato dos dois lados e além do que vai começar a chover e não estou a fim de ficar no meio dessa estrada de terra. Rosângela também já estava ficando nervosa.
- Pô meu, como é que você foi esquecer de colocar gasolina no carro, que imprudência!
- Foi mal cara, desculpa! Vamos ver se conseguimos achar alguém que possa nos ajudar e vocês duas então fiquem aqui até nós voltarmos, ok?
- Ai Guilherme cuidado, estou tendo um mau pressentimento, será que não seria melhor a gente ficar por aqui mesmo?
- Nem pensar Dê, eu é que não quero passar a noite em uma estrada deserta, tudo bem nós ficamos aqui!
Guilherme e Alessandro saíram e tentaram procurar ajuda, mas onde eles iriam achar ajuda em um lugar completamente afastado de tudo. Quando eles começam a andar por aquela estrada eis que a chuva começa a cair forte fazendo com aquela estrada de terra virasse pura lama. Alessandro mal acreditando no que estava acontecendo começa a brigar com Guilherme dizendo que a culpa era dele por estarem ali no meio daquela estrada cheia de mato por ambos os lados e foi então que Guilherme lhe diz que quem havia dado a sugestão de irem àquele Motel no alto da montanha havia sido ele, o Alessandro. Estavam caminhando a cerca de meia hora e nada de encontrar sequer uma alma viva, nem mesmo um casebre a fim de que alguém pudesse lhes ajudar. Foi então que Guilherme para no meio da estrada dizendo que não estava se sentindo bem e a chuva continuava a cair abundantemente. Guilherme disse que estava sentindo uma certa dor de cabeça e estava ficando zonzo, com a impressão de que iria desmaiar. Alessandro tenta amparar o amigo e acaba encostando ele debaixo de uma árvore que havia do lado esquerdo da estrada. Nisso ele avista um pequeno casebre numa ribanceira e que para se chegar a ele atravessava-se uma pequena passarela. Alessandro ficou feliz por encontrar a tal casa e resolve pedir ajuda no tal lugar. Desceu por um caminho que estava já em forma de escada como se já fosse preparado para isso, mas que àquela altura era pura lama, atravessou a pequena passarela, foi quando viu que uma pequena luz vermelha já na entrada da porta se encontrava acessa, bem como todo o resto da casa e pensou: “Puxa vida, esse pessoal monta casas de prostituição em cada lugar! Quem é que vai achar uma casa dessas num lugar desses?”. E chegando mais perto começou a ouvir gritos horripilantes, foi quando viu pela pequena abertura da janela uma cena aterrorizante. Havia velas vermelhas e pretas espalhadas ao redor de um pobre homem que estava pregado em uma cruz, só que de cabeça para baixo. Em torno dele algumas pessoas faziam uma espécie de oração, num idioma completamente desconhecido. Estavam todos vestidos de vermelho e com capuzes vermelhos que não dava nem para ver os rostos de ninguém. E atrás desse homem na cruz havia uma horripilante imagem do belzebu, como se ele estivesse sendo oferecido em sacrifício. O pobre homem completamente ensangüentado gritava desesperadamente por socorro, foi quando uma pessoa se aproximou do coitado e cravou-lhe um punhal bem no meio do coração fazendo o coitado soltar o seu último berro antes de expirar. E em baixo dele havia uma bacia onde estava escorrendo todo o sangue que caia dele. Foi quando o líder daquele ritual macabro diz:
- A ti nós oferecemos ó Lúcifer, rei das trevas e senhor dos infernos mais uma alma para a tua morada a fim de que você possa se manifestar mais plenamente neste mundo. Vinde ó Rei das Trevas, ó Anticristo!
E começaram a cantar uma espécie de mantra, quando de repente uma fumaça brota do chão e vai ganhando uma forma humana. O cheiro de enxofre era tão insuportável que até do lado de fora dava para sentir. Um enorme ser surge daquela fumaça, usando uma longa capa preta, com um capuz vermelho, tinha os pés de bode e dava para ver que através do capuz duas enormes orelhas pontudas se destacavam. Alessandro não acreditava no que estava vendo, só podia ser uma alucinação, quando mais apavorado do que nunca resolve sair daquele antro de adoradores de Satã. Desesperadamente Alessandro corre feito um louco naquele caminho de terra e lama e quando finalmente chega à estrada não encontra mais seu amigo Guilherme, o mesmo havia desaparecido. Alessandro completamente desesperado começa a chamar por Guilherme e não obtém nenhuma resposta, quando de repente começa a ouvir passos de pessoas como se alguém estivesse subindo aquele caminho que ele tinha acabado de fazer. Alessandro corre desesperado pela estrada tentando de tudo quanto é jeito voltar para o carro onde estariam as duas garotas. Corre tão desesperadamente que escorrega naquela lama e bate de cara com tudo no chão. Apavorado ele levanta com o rosto ensangüentado e continua a correr, tinha de salvar a sua vida a qualquer custo. Quando chega no carro onde estão as meninas sente-se um pouco mais aliviado, quando nota que as duas meninas estão mortas e com a cabeça virada para trás. Alessandro solta um grito de desespero, quando do último banco do carro surge seu amigo Guilherme que se encontrava com uma barra de ferro na mão, a mesma toda enlameada de sangue. Já não era mais o seu amigo que ele conhecia, possuía um riso satânico e seu olhar brilhava como o fogo completamente vermelho. Alessandro solta um novo grito de horror e sai do carro tentando correr o máximo que podia, só que a estas alturas ele já estava muito cansado e o ar começava a faltar-lhe. Lágrimas escorrem abundantes de seus olhos e enquanto ele corre, Guilherme ia a seu encalço com passos rápidos e a barra de ferro na mão. Resolve entrar no meio daquele matagal a fim de se esconder daquela criatura que não sabia mais quem era, mas que com certeza não era mais o seu amigo que ele tanto conhecia. E o pior de tudo é que a chuva continuava a cair com força. No meio do matagal ele cai em cima de uma raiz de um tronco que se encontrava no chão, fazendo um grande corte em sua perna. Nisso ele começa a se arrastar e ouve passos vindo em sua direção. Alessandro junta todas as forças que ainda lhe restam e tenta correr o máximo que pode, porém as dores eram insuportáveis pelo esforço que fazia. Cansado de tanto correr ele se esconde atrás de uma enorme árvore, quando de repente sente alguém vindo por trás e ele nem tem tempo de virar e a pessoa já começa a sufocá-lo com um pano com clorofórmio. Alessandro começa a se debater desesperadamente, mas perde os sentidos. Quando acorda ele sente um grande mal-estar, e quando vê está em um quarto preso a uma corrente na cama, com o corpo completamente despido e sobre ele a luz acesa naquele intenso vermelho que ele já havia visto tão bem. Ele tenta desesperadamente se soltar e se levantar, mas não consegue, pois seus pés e suas mãos estão amarrados as correntes. Alessandro começa a chorar e a berrar desesperadamente para sair dali, quando vê uma pessoa com aquele capuz e aquela veste vermelha adentrando no quarto. Alessandro desesperado pede:
- Pelo amor de Deus, o que vocês querem comigo, me deixem ir embora, seus desgraçados!
- Hahahahahahahahaha! Como é está gostando aqui do nosso acolhimento? Não se entristeça, logo você estará totalmente livre de nós!
- O que vocês querem malditos, diga!
- Nós só queremos que você entregue a sua alma ao Senhor das Trevas. Depois que isso acontecer você se sentirá bem melhor.
- Vão pro Inferno, vocês mataram um homem que eu vi e depois mataram as nossas companheiras!
- Não senhor, quem matou as suas amiguinhas foi o seu amiguinho, ou melhor dizendo o nosso mestre que através do seu amiguinho realizou todos os atos, porque agora ele nos pertence. Aliás, ele tem uma sensibilidade incrível e não foi nada difícil para o nosso mestre tomar o corpo e a mente dele. Agora é quase chegada a hora do sacrifício supremo, em que depois de entregarmos a sua alma ao Inferno o nosso Mestre poderá deixar de vez o mundo das sombras e terá um corpo completamente original em que poderá agir na sua devastação pelo mundo, pois ele será o rei que irá governar para sempre este mundo e nós seremos os seus servos e aqueles que não quiserem servir ao Mestre das Trevas será eliminado.
Falando isso ele saiu do quarto deixando Alessandro ali que se debate desesperadamente e começa a berrar por socorro, mas ali onde ele se encontrava ninguém o escutaria. Ele sangra os seus pulsos e o tornozelo no desespero de tentar se libertar daquelas grossas correntes, sua garganta queima de tanto gritar para que o tirassem dali e vencido pelo cansaço ele acaba adormecendo. Acorda assustado com um estrondo que quase arromba a porta. Quando ele olha vê Guilherme o seu amigo naquela forma demoníaca olhando para ele. Ele chega perto de Alessandro e sorri diabolicamente para ele com aquela barra de ferro nas mãos. Começa a espancar Alessandro com aquela barra de ferro de ferro que berra de tanta dor. Com o seu corpo já totalmente machucado ele é desamarrado da cama e levado ao local onde algo em formato de cruz está no chão lhe aguardando. Colocam-no de cabeça para baixo e começam a pregar a sua mão com grossos pregos e depois os seus pés. Com as últimas forças que ainda lhe restava, ele urra de tanta dor, quando por fim levantam aquela cruz. Alessandro grita, chora, esperneia, mas de nada adianta, e quando vê já estão começando o seu ritual demoníaco. Colocam novamente aquela bacia embaixo dele na qual provavelmente agora escorreria o seu sangue. Alessandro está quase para perder os sentidos, mas ainda vê seu amigo Guilherme com o punhal nas mãos, que depois de cravá-lo no coração do amigo faz com que este solte seu último gemido antes de morrer. Com isso o demônio sai do corpo de Guilherme que desperta sem saber o que estava acontecendo. Fica desesperado ao ver o corpo de seu amigo morto na sua frente e quando olha para trás da de cara com o senhor das trevas sorrindo para ele. Guilherme solta um grande grito e tenta desesperadamente sair daquele lugar, quando percebe que as portas estão trancadas a cadeado. A coisa vai se aproximando dele mais e mais e com aquele terrível cheiro de enxofre diz em seus ouvidos:
- Venha Guilherme, que agora você será o meu servo eternamente no Inferno, assim como seus amigos!
Com isso ele abraça Guilherme e os dois são envolvidos em uma chama que faz com que Guilherme solte seus últimos berros antes de passar para o reino infernal. Com isso o diabo aparece aos seus servos em um corpo solidificado e lhes diz:
- Agora sim o meu ritual está completo! E solta uma satânica gargalhada.
FIM.
     
Rodolfo Aliecksándrovitch
Enviado por Rodolfo Aliecksándrovitch em 16/11/2006
Código do texto: T292501
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Rodolfo Aliecksándrovitch
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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Rodolfo Aliecksándrovitch