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A PRISIONEIRA DO SEXO
 

          Leôncio possuidor de um gênio muito forte, autoritário, sádico, um verdadeiro carrasco, sua ira maior o sentimento de vingança, por isso e mais era temido por todos na região. Fazendeiro senhor de muitas posses com mania de grandeza, em uma de suas propriedades localizada numa colina rodeadas de verdes e ricos vales ele construiu um casarão que era uma verdadeira fortaleza. Cercado por muros de pedra, com portões de aço qual moradores da região chamavam de portões da morte. Com mais de vinte quartos, um salão de festas imenso seguido de um corredor escuro que por vezes era iluminado por tochas.

Dali em diante só boatos, os curiosos diziam que ali tinha celas calabouços, um verdadeiro arsenal de armas e objetos de tortura. O infeliz que desse o azar de ser colocado ali por Leôncio jamais sairia morto ou vivo para descrever.
 
No casarão Leôncio mantinha há muitos anos como prisioneira sua esposa Natalina, que era vigiada sem folga, raras eram as oportunidades da mesma de estar sozinha. Porém numa dessas brechas deixada por Leôncio, Natalina aproveitou o momento, pretendia ir direto para seus aposentos onde fazia do quarto seu refúgio, seu espaço favorito, mesmo sem privação era ali que conseguia alguns momentos de sossego.
 
Ao ver-se sozinha sem os olhares perversos do marido, Natalina caminha em direção ao salão de festas completamente vazio, e quase sem perceber, adentrou o corredor que hora iluminado pelas tochas, desceu as escadas chegando ao local Onde muitas vezes assistiu o sofrimento de Raul, dali em diante tudo era surpresa para ela.
 
As tochas iluminavam as paredes, passou pelas celas vazias. O medo que sentia antes já não tinha mais, incrível ali os túmulos onde Leôncio enterrava os mortos. Raul descansava entre aquelas paredes, e ela sabia que o espírito dele só lhe ofereceria conforto e proteção. Parou e tocou a pedra fria, sentiu uma saudade suave em vez da solidão e a agonia da perda. Depois seguiu em direção contraria curiosa para ver se existia uma saída. Passou novamente pelas celas vazias pela porta fechada da sala de tortura local  que Raul passou seus últimos dias. Apressou o passo até onde devia começar o túnel que levava diretamente ao lado da colina e possivelmente o rio.

Por fim chegou no local imaginava ela existia uma passagem secreta. Segue curiosa, uma parede, outra parede, confirmava agora, era de verdade, o acesso ao túnel de saída estava lacrado, a explicação do porque Raul não havia conseguido fugir. Porém mais adiante uma luminosidade bem fraca, vinha de um alçapão, provavelmente uma nova abertura, a observar a madeira com cheiro de nova, deveria ter sido construída após a morte de Raul. Satisfeita pela descoberta, iniciou o caminho de volta. Caminhava com passos apressados cabeça e olhos baixos absorta em seus pensamentos.
 
De repente sentiu-se invadida por uma estranha sensação, isso, mais a impressão de que a escuridão se tornava mais densa, alertaram-na de que ela já não estava mais sozinha, num sobressalto firmou os olhos identificou através das frestas as formas largas de ombros masculinos era Leôncio entrando, o coração bateu forte em seu peito, ele nunca poderia saber que ela esteve ali.
 
Agora em seus aposentos preparando-se para o jantar Leôncio adentra ao quarto e diz:
- Passei aqui não a encontrei, onde estava? Natalina calmamente responde,
- fui até a capela rezar e acabei demorando mais que de costume.
- Se acha que pode sair por ai livremente se engana, Nunca esqueça que meus homens estão sempre atentos.
 
Como poderia ela esquecer aquele martírio, Desde que Leôncio descobrira o amor que Natalina nutria por Raul, ou seja a traição, começou naquele casarão as maiores atrocidades, verdadeiras cenas de terror. Raul era seu homem de confiança não podia ter se apaixonado pela mulher do patrão, era imperdoável, ela sabia, estavam perdidos.
 
Para castigar a esposa Leôncio trancafiou-a em seu quarto e jogou Raul no calabouço, Natalina aos berros grita, suplica, pergunta desesperada ao marido o que iria fazer com Raul, o que vai acontecer? Que diferença faz você saber o que irá acontecer Não se preocupe, a cada castigo dado a ele você assistirá de camarote. De onde ele está jamais sairá, nem vivo nem morto, porque ali mesmo será enterrado. Quero ver quanto tempo o espertalhão traidor irá resistir. Decepcionada, triste se sentindo culpada pelo sofrimento de Raul, Natalina se descontrola, sabe o quanto Leôncio é cruel, não vai poder fazer nada para salvar seu amado.
 
No dia seguinte Leôncio da inicio ao terror as barbarias, era muita crueldade, tanta que suas  unhas eram arrancadas uma a cada dia com a ponta da peixeira (faca) Raul sempre calado vai tentando suportar, e os dias seguem sem sequer uma trégua. Natalina sofria, pois a tudo assistia.
 
Raul depois de uma tentativa sem sucesso de fuga terminou seus dias após um ano resistindo todo tipo de crueldade e humilhação, acorrentado pés e mãos amarradas ferida por todo o corpo, vermes comendo sua carne ainda vivo, digno de misericórdia. Morreu no maior sofrimento, sendo ali mesmo enterrado.
 
Após a morte de Raul, Leôncio passou a fazer festas regadas a muita bebida, tendo como convidados prostitutas mulheres do mais baixo nível com atos promíscuos onde o sexo era o teor alto da noite, rolava de tudo, para humilhar Natalina que era obrigada por Leôncio assistir toda aquela depravação.
 
E assim seguia a rotina de Natalina, porém jamais deixou de arquitetar seu plano de fuga. Já sabia ela agora do alçapão existente no túnel do calabouço, só teria que aguardar a melhor oportunidade.
 
Em uma festa programada por Leôncio, Natalina aproveita a distração do marido já totalmente embriagado e põe seu plano em prática. Sai sem ser notada, em passos rápidos desce as escadas indo em direção ao calabouço, adentra o corredor escuro e sente-se como fosse puxada pela mão, que lhe conduz até o alçapão dando-lhe sustentação para que ela consiga alcançar a saída que de acesso ao rio.
 
Já fora do castelo sente sua liberdade bem próxima, teria que ser tudo muito rápido e logo estaria em segurança. Percebe ainda uma força superior invisível conduzi-la até a canoa um ar gelado toca-lhe o rosto... E pensa, seria Raul que a estaria ajudando?
 
Natalina segue em remadas rápidas, respiração ofegante, precisa ser rápido não pode correr o risco de ser pega, só em pensar tremula suas carnes. Depois de anos de sofrimento consegue enfim se livrar de Leôncio, indo para um local bem distante, sem deixar endereço nem marcas de seu paradeiro. Muda de nome e recomeça uma nova vida, deixando para traz todo aquele terror vivido.
 
Passaram-se treze anos após a fuga de Natalina, Leôncio sozinho, doente, abandonado, até os dias de hoje ainda gasta o pouco que lhe resta à procura por Natalina.


Rosa Righetto
05/05/11
Rosa Righetto
Enviado por Rosa Righetto em 05/05/2011
Reeditado em 10/04/2012
Código do texto: T2950708
Classificação de conteúdo: seguro

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Rosa Righetto
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