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Texto 1 - A maldição da velha da praça - estendido

Numa certa manhã de verão as crianças foram brincar na praça como de costume. Só que desta vez elas tiveram a companhia de um novo amigo que acabara de mudar para a casa do velho Senhor Brian.
O menino novo chama-se Diamon e chegou de outro país, por isso, demorou um pouco para aprender o idioma local.
O menino Diamon era estranho. Solitário. Triste. Cabelos pretos, olhos penetrantes e sérios, boca pequena e mãos ágeis. Era costume vestir pequena bermuda azul presa por suspensórios marinhos, blusa branca, meias brancas e sapatos pretos. O penteado sempre para a direita e o boné devidamente arrumada em sua pequena cabeça.
Não costumava se misturar com as outras crianças. Porém, num certo dia nublado, próximo da hora sexta da tarde, quase iniciado a noite, ele resolveu sair para brincar.
Nesse dia em particular, o primeiro dia de Diamon com as outras crianças, todos brincaram tranquilos. Jogaram bola, brincaram de pega-pega, amarelinha, etc.
Nem perceberam que alguém os observava com muita atenção.
Uma velha observava de longe a brincadeira inocente dos doze pequenos seres divertindo-se despreocupadamente. Vez e outra se ouviam a mãe de um deles chamando para lanchar, tirando esse detalhe a brincadeira dura bastante tempo. Cansaram e foram para suas casas descansar. Um certo pensamento de insatisfação tomou a alma de cada criança a tal ponto de fazê-las pensar em brincar mais, como se tivessem acordado naquele instante. Dor de cabeça leve acompanhada de ansiedade fez com que as crianças telefonassem umas para as outras mecanicamente.
 À noite as crianças resolveram brincar de acampamento e contar estórias de terror. Diamon, que era novo ali ficou com medo, mas foi.
Montaram as barracas, fizeram uma pequena fogueira e começaram a brincar de estórias de terror.
Instintivamente as crianças formaram um círculo em volta do fogo baixo e fraco. O clima ficou sombrio quando uma das crianças, o Paul, começou a contar uma estória de exorcismo e evocação do demônio. Todos ficaram muito assustados, mas ele garantiu que a estória era tirada de um filme que ele e seu pai haviam assistido.
Diamon tentou avisar que não era bom brincar com coisas que eles não conheciam. Ele conhecia magia pela tradição de sua família. Eram originários do sul da Europa e alguns de seus antepassados foram queimados pela Igreja acusados de feitiçaria.
Como as casas das crianças ficavam em frente à praça, elas sentiam-se protegidas, pois sabiam que ao menor sinal de perigo seus pais iriam ajudá-las.
- Larga à mão de ser medroso Diamon, a praça é circular e nossas casas são aqui. Por que o medo?
- Estou avisando, eu vejo uma senhora muito velha que está nos olhando. Disse Daimon com um ar mais que sério em seu olhar.
Uma luta interna e intensa travasse na alma do pequeno feiticeiro que tentava de todas as formas fazer com que seus novos coleguinhas voltassem para suas casas. Ele sabia que a rua, à noite, não é lugar para pessoas de bem, principalmente crianças.
Porém, como eles eram moradores de cidade pequena, muito distante dos centros econômicos, os pais nunca haviam falado em crimes naquela região, por menor que fossem. A delegacia abrigava apenas uma cela e dois policiais, um delegado e um investigador. Essa era toda a segurança daquela região esquecida pelo desenvolvimento moderno.
- Ih, para com isso Diamon, está me deixando assustada. Disse Bete com muito medo.
- Isso mesmo garoto, pegou o espírito da coisa. Disse o maior de todos ali. E riram com a ironia da piada.
- Não estou brincando. Tem mesmo uma senhora velha ali.
Rafael, o mais velho disse:
- Está bem. Onde está a tal senhora?
- Bem atrás de você.
Nisso, Rafael, deu um pulo de medo e virou para trás. Não havia ninguém lá. Todos riram e voltaram para seus lugares.
- Diamon, mais uma piadinha dessas e eu bato em você.
- Está bem, não quer acreditar, então fique aí.
Lucas, procurando acalmar todas as crianças disse:
- Pessoal vamos começar as estórias e comer nosso lanche, estou com muita fome.
 Todos concordaram e, cada um, contou sua estória. Apenas Diamon não quis contar nada. Apenas ouviu as estórias com muita atenção.
 Após uma pausa para o lanche, Diamon, percebeu que a velha senhora começou a andar em volta de todos ali.
- Pessoal, a velha senhora está dando círculos em volta de nós.
 Bete olhou para trás e a viu também. Um a um foi olhando para trás e todos acabaram vendo a velha senhora.
 Levantaram e saíram correndo. Porém, ela ficou ali dando voltas.
 Espantados, pararam próximos às suas casas e olharam-se. Não estavam entendendo o que estava acontecendo. A velha senhora parou de correr em círculos e sentou-se no chão. Não foi atrás de nenhuma criança.
 Diamon, tomou coragem e foi até ela.
 Começaram a conversar e todas as crianças, uma a uma, foram até lá.
 A velha senhora mostrou-se muito boa e calma, contou estórias alegres e cheias de vida. As crianças gostaram dela e ficaram ali até ficarem muito cansadas.
 Aos poucos as crianças foram adormecendo ali mesmo. Uma a uma.
 Perto da meia noite uma mãe saiu para procurar sua filha. Chegou no acampamento de brincadeira e não viu nenhuma criança.
 Soltou um grito horrível. Os pais saíram para ver o que acontecera.
 A polícia, os pais, amigos e familiares nunca mais ouviram falar das crianças da praça.
Nam mors mortuis
Enviado por Nam mors mortuis em 10/09/2013
Código do texto: T4474933
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Sobre o autor
Nam mors mortuis
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
120 textos (5516 leituras)
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