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Saudade Insana

Melinda caminhou entre as lapides,em uma das mãos trazia uma garrafa de vinho carissimo,na outra duas taças,ela sorria ao caminhar.Não era um sorriso comum,nem de felicidade,era como se ela nada visse,algo louco...
Ela depositou uma das taças sobre uma lapíde de marmore negro.Encheu-a de vinho dizendo.
- Olá querido.Sabe que dia é hoje?
Ela levantou o rosto e sorriu mais ainda.Abriu a bolsa,de dentro tirou algumas velas,um pequeno vaso e uma caixa de fosforos.Depositou as velas na lapide,o vaso também,acendeu as velas e pegando uma flor do tumulo ao lado colocou-a no pequeno vaso.
- É amor,hoje fazem três anos.Você ainda lembra?Nós fomos ao restaurante mais caro da cidade,comemorando nosso aniversario de casamento.Ah eu estava tão feliz,sim amor,por um momento você me fez feliz...Eu tinha uma novidade importante aquela noite,mas estava esperando a hora certa.Então nós comemos,brindamos e dançamos...Ah querido estava tudo tão perfeito,mas você tinha que estragar tudo não tinha?Primeiro o cheque sem fundos,depois aquele maldito golpe de fugir pela janela do banheiro,ai descobriram que você dava series de golpes com piranhas pela cidade inteira...Ai que decepção,a policia chegou abusando do poder como sempre.Bateram em quase todos no restaurante,inclusive em mim... - Ela deu a volta na lapide tirando de tras dela uma pá,começou a cavar ao lado da sepultura - Então eles viram que eu era bonita demais para só bater...Sabe querido,eles me estupraram por horas antes de me levar pra delegacia,ali eu ainda fiquei numa cela imunda,com presas que abusaram de mim e me bateram,ai eu começei a sangrar. - Ela ja tinha cavado bastante quando bateu em algo duro.Era o lado do caixão,com força sobre humana ela puxou por uma das alças até que esse se deslocasse. - Eu sangrei tanto que me levaram para o hospital,mesmo lá,não conseguiram estancar o sangue...Eu estava perdendo nosso bebe,essa era a minha novidade,apos varias tentativas eu tinha conseguido engravidar...A dor era tanta querido,tudo ficava escuro na minha frente,eu tive tanto medo e no meu ultimo momento eu pude te ver...Dando para os policiais numa orgia,vocês gemiam e riam tanto.Aquilo me destruiu querido...Mas isso não importa agora. - Ela abriu o caixão vendo o marido roxo dentro do caixão. - Eu fiz um pacto e tenho que cumpri-lo,ontem a noite eu te enterrei vivo ai,o nome é de outro,ninguem nem notou sua falta,nisso que da ser vagabundo.Agora que você morreu,eu tenho que cumprir o ritual e te levar comigo amor...Pra sempre juntos lembra? - Ela decapitou a cabeça do homem com a pá,lhe enfiou uma vela na boca e tirando um livro da bolsa começou um longo discurso numa lingua morta,logo a terra começou a afundar em meio ao cheiro de enxofre que se espalhava.Ela abraçou o corpo decapitado. - Pra sempre juntos amor,pra sempre juntos no inferno! - Ela ria insanamente.O terreno se encheu daquele cheiro podre e dos risos loucos.
Na manhã seguinte o coveiro só achou um grande incendio...Adeus cemiterio...
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 10/10/2007
Código do texto: T689229

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 27 anos
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