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A Caveira de prata

MISTÉRIOS acompanham este belo exemplar de crânio humano. Este foi, sem dúvida, o maior dos avisos que recebi de um nativo dos Andes. Encontrei durante minhas buscas nas ruínas de uma civilização totalmente desconhecida pelo homem. E que, se depender de mim, vai continuar desconhecida.

Eu bem sei o quanto foi difícil para te encontrar, crânio maldito. Vi bons homens morrendo das mais diversas doenças imagináveis. Vi meus amigos virarem dias em claro apenas para que eu pudesse dormir um pouco. E somente para, no final, lamentar tudo o que eu fiz.

Ouvia sua voz me chamando. Clamando meu nome, clamando para que eu te encontrasse. Tornei-me arqueólogo motivado por essa voz. Ganhei prêmios como descobridor de relíquias , pois sua voz parou de ressoar em meus umbrais mentais. Achava-me livre de ti, mórbida obsessão, mórbido lampejo de minha infância desgraçada. Sonhava contigo dias e dias, somente para depois, no final, terminar aqui.

Sinto calafrios em lembrar de como suas doenças mataram meus amigos. Um por um morrendo. E qual foi nossa maior surpresa quando encontramos o templo maldito onde moravas. Era lindo, decerto que o era. Era feito todo em cristal negro, reluzente, imponente. Parecia que o sonho de uma quimera havia transfigurado a realidade em torno daquela construção.

Adentramos. Teu mausoléu estava enterrado há mais de mil anos. E deveria ter continuado assim. Creio que agora é tarde, não é verdade?

Ao pisar naquele templo, uma  grande mariposa de pedra engoliu um de meus amigos mais queridos. Aquela armadilha cruel simplesmente devorou-o, quebrando todos os teus ossos e esmagando a carne.

Eis que, restando somente eu, vi um sacerdote lhe segurando. Seu rosto membranoso lembrava algo vagamente humano. Outros como ele me pegaram. Falaram num dialeto estranho, que hoje compreendo. Senti algo cravando em minhas costas, somente para dormir em seguida. Para sempre.

Acordei. Vi minha cabeça no chão, aberta em cima. Olhei num pedaço de vidro e percebi que eras tu no lugar do meu crânio e da minha cabeça. Descobri que precisava de meu cérebro para acordar de seu sono. E por que eu? Por que tinha de ser assim?

Senti fortes impulsos, mas não contavas tu que eu era mais forte. E que estriparia, graças aos teus poderes, aqueles homens com cara de lagarto. Criei garras, as acho bonitas, feitas de meus ossos. Lembro-me de sempre querer dar um fim nisso tudo. E hoje é chegada a hora. Peguei minha pistola, uma .44, acredito que seja o bastante. E é só puxar o gatilho, para estourar-te e tudo que tem dentro. Assim aprenderás, grande imortal, que nunca se faz as coisas sem que saia impune.

Adeus.
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 28/10/2007
Código do texto: T713074

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 33 anos
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Fabio Melo