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Quando todos os medos se tornam realidade

    "Aqui, sentado nesta confortável poltrona, somente com duas velas acesas e grossos maços de papeis sobre a escrivaninha tento retirar, do lugar mais íntimo de meu coração, a bela imagem de uma garota e uma pequena história como esta.
    Imagino qual poderia ser o final, como acabar a história, mas qualquer idéia sobre um começo não me vem a mente, nada, a não ser... Sim... A não ser que...
    Não, não haveria eu de escrever o que penso, Futuros leitores sequer compreenderiam-me, indagariam possíveis ações e blasfemariam estes escritos, é certo, sentiriam que muito de seu tempo havia sido perdido nesta leitura, e consequentemente condenariam quaisquer outras de meus manuscritos, nem mesmo dando-me ao luxo de um simples olhar a essas humildes escrituras.
    Mas seria, eu, um tolo se não expressasse o que agora sinto...
    Talvez uma mudança de ambiente, no qual escrevo, ajudaria para novas e possíveis idéias, mas se assim o fizer não mais haverá o charme desta escura sala, iluminada somente por duas pobres velas. Aqui sempre me expressei, aqui sempre o farei."

    Um quarto escuro, iluminado somente por duas velas, presas em castiçais, pregados  a velhas paredes. A um canto, pouco iluminado, coberto por sombras, correm tristes algumas lágrimas, uma jovem chorava em alto tom. Sentada sob aquele mórbido ambiente e vestida somente com uma branca e quase transparente camisola transbordava de seus olhos gotas que caiam mansas sobre o delicado tecido. Dobrava as pernas e as circulava com um suave abraço. Soluçava fortes dore, as quais fragmentavam seu coração. E seus sentimentos deprimidos estavam, mas com um fino cordão de alivio por assim poderem ficar.
    O choro que era, naquele momento, forte, não era expresso por sentimentos dispensáveis, não, estavam ali por motivos superiores. E ainda assim havia de um porque, o qual a deveria fazer esquecer qualquer pranto, mas não o fazia, não por ignorância, mas pela forma como o curto passado a perturbava. Era esse de um terrível pesadelo. Algo que alguém, do interior de sua mente, fazia crescer, tornar-se mais assustador. Chorando era o que haveria de continuar fazendo.

    "Sim, a bela jovem a qual imaginei. Mas porque chorava? Qual o motivo de eu a ter descrito neste estado? Não sei, talvez seja pela agonia que está em meu peito. Sempre há a intensa necessidade de expressar o que no momento sinto, como se, se não o fizesse não haveria qualquer satisfação pessoal.
    Estou tenso, com o coração acelerado. Devo relaxar, respirar fundo, e assim continuar."

    Algum tempo depois, com um pouco de alívio, não mais chorava, sentia satisfeita de muito o ter feito. Seus pensamentos circulavam por outros passados, eram mais felizes. Somente contemplava sua feliz vida no campo, estava disposta a esquecer os tormentos.
    Filetes escorridos de sua escura maquiagem ainda restavam, mas eram só, nem mesmo as finas rugas e expressões provocadas pelo medo e a agonia a maltratavam. Qualquer olhas a veria, a não ser pelo filete escorrido, com os sentimentos básicos de dias normais.
    Os ritmos dançantes produzidos pelas velas tornaram-se seu passatempo. Os verdes pastos refletidos em sua mente seguiam a mesma direção, como se o vento o fizesse de tormento. Tudo tão simples e hipnótico. Não havia qualquer outra cousa no momento, estava tentada pelas labaredas.
    Pouco a pouco as chamas diminuíram e se apagaram.

        Em um corredor próximo sons eram produzidos, como os de passos. O aperto em seu coração tornou-se novamente presente. O frio suor do medo tomou suas mãos. Tudo voltara. A felicidade fora logo abandonada de seus pensamentos, o obscuro abismo de quando chorava tomava novamente forma.
    Os passos pareciam cada vez mais perto. Provocavam-na um desespero forte. Tiravam-na quaisquer idéias sobre o que poderia ser feito.
    Tremia. O que estaria prestes a acontecer era demasiado assustador. Não imaginava uma forma com a qual poderia enfrentá-lo. Ele estava louco, de uma insanidade aterrorizante, somente concebida pelo coração. Amor negro.
    À frente da porta os passos pararam seus ecos malignos. Por debaixo da mesma uma macabra dança era executada, provocada pelas chamas de uma tocha.
    Suas lembranças vagavam pela estupidez. A fechadura. Esquecera-na aberta. Um simples gesto na tranca poderia salvar-lhe a vida. Não haveria mais salvação.
    Seu coração tornou-se a acelerar, tão rápido quando lhe era permitido. Os medos sairiam da possibilidade, torna-se-iam realidade, tudo acabaria.
    Todo o lugar era iluminado, tomava o ambiente. O jovem entrara, procurava o que de seu cria ser. Vasculhava o todo, a acharia.
    Rapidamente interrompeu sua busca. Acomodou-se numa cadeira. Olhava tudo o que podia. Não se via conformado, ela devia de ali estar. Rangia os dentes com sua própria irritação. Talvez não mais a acharia.
    Seus olhos foram comprimidos, desejava enxergar melhor. Tinha mais um lugar a procurar. Com toalhas a esconder todas suas pernas e se arrastarem ao chão havia uma mesa. Seu interior não se tornava visível de onde ele se encontrava.
    Tornou a pôr-se de pé e com um passo posto na frente do outro seguiu em retilíneo na direção da mesa. Por um grande susto fora tomado ao chegar perto dessa. Sua caça de sob a mesa corria. Por um instante exitou e assim a viu fugir pela porta.
    Não havia em sua mente qualquer lugar onde poderia esconder-se e essa possibilidade a assustava. O castelo era de uma grandiosa extensão, infinitos cômodos, e nenhum no qual pudesse sentir-se segura. Por assim estar, afogada em medos e dúvidas, adentrou a primeira porta que, depois de muito correr, deparou -se. Rapidamente fechou-a.
    Vários castiçais, pregados nas paredes já negras pelas chamas, iluminavam o ambiente maravilhosamente. E tudo parecia familiar, já havia estado ali, e não há muito tempo. Talvez... Sim , seu coração tomou os batimentos acelerados. O refúgio do monstro, a toca do lobo. Entrara no pior lugar. Correra com o nunca, mas... Era tola, voltara ao início do pesadelo... Inicio sim, fora ali onde tudo acontecera. A lança, as roupas perto da porta.
    Retorno não havia mais, seria descoberta. Seria aquele recinto seu refugio. De sob o leito dele.
    Sentia-se ofegante, mas deveria acalmar-se, tinha a consciência de que qualquer ruído poderia chamar a atenção. Respirou fundo: uma, duas, três... nove vezes, até sentir-se melhor. Encolheu -se e assim ficou , por um tempo relativamente longo, mas não com muita importância.
    Depois de muito se acalmar escutou alguns estalos, era a porta abrindo-se, dava passagem ao monstro.
    A garota ficou novamente apreensiva. Continuava encolhida.
    Calmamente o rapaz adentrou o recinto, caminhava por todas as partes, abria e fechava portas, mexia em objetos barulhentos, até deitar na cama, mas sem antes apagar quase todas as tochas, deixando somente uma acesa.
    Ela continuava deitada, agora quase que sem respirar e com os olhos arregalados.
    Ele, inquieto, mexia e remexia em seu leito. Não havia achado-a e com certeza não descansaria até consegui-lo.
    As horas em que necessitou ficar escondida foram as mais longas de sua vida, estava com medo e sua vontade era de sair correndo, chegar à porta e assim escapar, fazer o possível para nunca mais cair nas garras daquele homem.
    Depois de muito criou coragem para escapar. Apurou os ouvidos, escutava a respiração dele para ter certeza de que dormia. Nada escutou além do lento chiado de suas narinas. Com certeza estava longe, no mundo dos sonhos.
    Rastejou de sob a cama e olhando por cima desta confirmou-o adormecido. Esse deveria ser o momento, não poderia perdê-lo, teria que continuar a rastejar até a porta. Ia cuidadosamente, tentando não esbarrar em nada e assim não provocar
qualquer ruído.
    Ao chegar à porta levantou-se. Estava protegida à sombra de um grande guarda roupas. Se ele acordasse não a veria, pelo menos era o que pressupunha.
    Segurou a argola presa à porta e puxou-a. Nos primeiros instantes não o fez com muita força, o que não fora o suficiente. Pôs assim mais força, fazendo-a movimentar-se, juntamente com um grave estalo. Parou imediatamente, seu coração acelerava ainda mais. Olhou para ele, rezando para que não tivesse acordado. Nada, ainda dormia, com o um falso anjo.
    Voltou à porta, não restava mais volta. Segurou novamente a argola de ferro e puxou-a. Outro estalo pode ser ouvido... E mais um, e outro... Não poderia mais parar, somente continuar, não havia outra escolha. Os ruídos pareciam ecoar dentro de sua cabeça, eram assustadores, ainda mais por parecerem capazes de...
    - Hei! – Tarde demais, o que mais temia no momento acontecera, ele acordara.
    Quase tudo pareceu perdido, somente lhe restava correr. Reuniu todas as forças que tinha e puxou a argola, fazendo a porta abrir-se rapidamente. Saiu por esta e correu o máximo que pode. Pretendia chegar ao portão principal e assim sair
daquele inferno.
    Os corredores eram longos, com vários lances de escadas, direções a serem tomadas, enormes e circulares escadarias. Tudo para se chegar ao hall principal.
    Ao descer o último lance de escadas sentiu-se mais aliviada, só lhe restava chegar ao portão, que se encontrava entreaberto, e sair daquele pesadelo.
    Enquanto corria feliz para a saída foi surpreendida por uma sombra que saia de traz de uma pilastra. Deu de encontro com esta e caiu para traz.
    Era ele, mas como havia chego tão rápido? Ah, isso não tinha mais importância, estava perdida...
    O rapaz a segurou pelos braços e a levantou, machucando-a. Não disse qualquer palavra, somente a arrastou de volta ao quarto.
    Enquanto a puxava ela tentava desesperadamente escapas de suas garras, debatia-se, segurava no que podia, mas ele era demasiadamente forte, não havia escapatória. Chegou ao quarto totalmente machucada.
    Ele a jogou em cima da cama e sentou-se numa poltrona, abaixou a cabeça e mais nada disse. Seus longos cabelos cobriam seu rosto. Parecia estar pensando.
    A garota chorava, estava sentindo dores em quase todas as partes de seu corpo, nunca havia sido tão maltratada.
    - Cale a boca! - Gritou ele ainda com a cabeça baixa.
    Mas ela não conseguia parar. Estava com medo, com vários ferimentos e tudo o que havia sonhado se extinguia.
    Ele serviu-se de um cálice de vinho que repousava numa mesa próxima. O bebia furiosamente, sem medo da alteração de seu estado.
    - Porque está fazendo isso comigo?
    Ele nada respondeu, voltou a servir mais um pouco de vinho no cálice.
    - Por favor, pare.
    Ele sorriu.
    - Porque? - A voz dela sumia num choro.
    - PORQUE? - Ele gritou enquanto se levantava. Deu alguns passos e então com um tom mais brando continuou - Tem coragem de me perguntar o porque? Creio que deve estar sofrendo de algum tipo de amnésia - Chegou mais perto e com o nariz quase encostando no dela disse - Lembre-se, olhe em suas próprias lembranças o porque. Não precisa voltar dias, nem muitas horas, somente lembre-se do que aconteceu quando estávamos juntos no começo desta noite.

    "Não consigo imaginar o que pretendo. Pareço estar levando tudo muito longe.
    Mas se o estiver não há como voltar, estou envolvido demais com a história para o fazer, terei de continuar. A curiosidade para saber onde chegarei me tomou conta, estou prestas a chegar em um lugar na minha mente onde pouco estive."

    Era um dia feliz, os dois estavam extremam ente apaixonados, não havia nada que pudesse estragar aquele momento. Depois de um dia perfeito somente lhes restava terminar a noite igualmente.
    Ela era um a bela mulher. Já havia tido alguns poucos amantes, os quais pouco interessa agora. Era experiente, sabia o que deveria ser feito e como. Por esse motivo tinha em mente com o seria a noite, e o quão linda a tornaria. Era de seu interesse o fazer feliz e juntos com partilharem dessa sensação, e por muito tempo viverem assim .
    Ele não tinha qualquer experiência, nunca havia tido qualquer mulher para si, somente imaginava como seria e se algum dia seria. E por não ter qualquer tipo de relacionamento sexual  antes via-se com medo de sua primeira vez, não sabia como deveria reagir e se seria bom, tanto para si quanto para sua amante. Algumas vezes era como se esses medos o tomassem conta, pois ficava horas só, pensando, imaginando e sonhando, mas seus sonhos sempre tornavam-se pesadelos, mesmo quando os fazia acordado. E o que mais temia era de algum a coisa sair errada e ela, sua amante, o desprezar, dispensá-lo para sempre, tornando-o tão minúsculo quanto uma mísera formiga. Esperava que ela não o fizesse.
    Foram para o quarto dele, se amavam , ela sem qualquer preocupação, ele com o coração acelerado e a mente cheia de pensamentos. Mas se o dia fora tão bom, porque a noite não o seria também? Com certeza seria e ele se esforçaria ao máximo para fazê-lo.
    Ela ria feliz, como uma criança, estava realmente alegre, não teria porque disfarçar, era um dos melhores momentos daquele romance, e se assim continuasse aquela noite seria inesquecível. Beijava-o com toda a paixão que tinha, queria sentir seus lábios nos dele, era aquele o homem de sua vida. Ele tentava de qualquer maneira demonstrar o que sentia, mas sabia que tudo o que fizesse não era o suficiente, ela merecia mais, a única coisa que lhe importava no momento. Poderia até não ser o melhor para si, mas se para ela fosse estaria tudo perfeito.
    Em pé no meio do quarto beijavam-se com o se fosse a última vez. Somente o sábio cuidado de nunca avançar até onde o outro não desejava era respeitado.
    Seu s corações batiam unidos, pensavam a mesma coisa, queriam a mesma coisa, mas também tinham a mesma vergonha e dúvidas. Acariciavamse, os beijos continuavam e era só, não se viam na certeza de algo a mais... Por alguns minutos...
    Ele tom ou a primeira iniciativa, se despiu da parte de cima de suas roupas.
    Estavam excitados, m ais do que imaginavam um dia estarem, era um sonho que estava preste a se realizar e com certeza não seria nenhum pesadelo, não, seria bom , ótimo, maravilhoso.
    Ela já havia pensado nesse encontro, havia sonhado com isso, em noites frias e sob seus cobertores, escutando o chiar do vento e os ruídos de sua própria respiração, ampliada pela sensação do prazer produzido pelo contato de seus dedos com a parte mais delicada de seu corpo. Sonhava com ele, em com o seria perfeito e com os truques que pudesse ter na manga, se tivesse algum . Não há muito haviam iniciado o relacionamento e por isso ela cuidava para que não fossem rápido demais, para que ele não a imaginasse uma mulher fácil, alguém do qual sabia ele não gostar. Mas ela o queria...
    ... E agora o tinha, era inteiramente seu, de corpo e coração, faria tudo o que ela quisesse ou pedisse, estava apaixonado e ainda excitado.
    Continuaram em pé, deliciando-se, quase que completamente nus. Ele a acariciava, mas não passava a mão inteiramente em seu corpo, a menos que a peça de roupa que cobrisse a superfície desejada fosse inteiramente retirada e enquanto a acariciava prestava atenção em sua face e em seus gestos, para saber se gostava do que ele fazia; para sua satisfação quase todos os pontos eram de pura excitação.
    Todas as peças de roupas foram retiradas, estavam no mais natural possível e sem qualquer tipo de vergonha. Todos os traumas que ele tinha de seu próprio corpo foram completamente esquecidos, até mesmo os mais perturbadores. Ela sentia-se a mais bela de todo o reino, ele a desejava, podia ver em seus olhos e isso era o suficiente para sentir-se tão especial.
    Trocaram beijos e caricias, queriam um ao outro, mas não tinham a coragem da iniciativa, ficavam a esperar a reação do parceiro. Assim ficaram até ela o deitar e sentando no colo dele sentiu o prazer explodir em seu corpo. Era incontestavelmente bom, ainda mais que o amava e esse sentimento por si só era forte, mas nesse momento cresceu incontrolavelmente... Ele era o homem de sua vida.
    Ele sentiu um calafrio percorrer seu corpo, nunca imaginara ser tão bom, realmente era merecedor dos ditos populares. Já sabia muito sobre, a teoria estava na ponta de sua língua, até mais que imaginava, e eram muitas as coisas que na prática se concretizavam, tornavam-se reais através do prazer. Oh grande prazer que nunca pode se extinguir. Pensava nas coisas que deveriam ser feitas e em como fazê-las, muitos pensamentos passavam por sua cabeça de uma única vez, afastarem-se e em seguida retornarem mais intensamente. Coisas boas, ruins ou neutras, eram demais para que pudesse analisá-las. Sentiu uma pontada de dor de cabeça, não era incomodo, somente uma pequena dor que surgiu e um pouco mais lentamente se foi, não era nada, deveria continuar a fazê-la feliz. Fazê-la feliz, era outra coisa que o atormentava e parecia ser uma das principais. Tinha que fazer tudo certo para no final vê-la sorrindo, satisfeita e assim ficarem os dois nas nuvens, curtindo o pós como homem e mulher. Mas poderia ser que alguma coisa desse errado, que ela não gostasse. Não, não poderia ser, sempre ouvira falar que dera certo para todos e com certeza para ele não haveria de ser diferente... Ou seria?
    Nesse momento percebeu estar tão afogado em pensamentos ruins que não sentia mais prazer no que fazia e sabia não ser bom caso assim continuasse, não mesmo. Tentou voltar a seu estado inicial, concentrou-se no movimento que era feito, mas nada, continuava neutro, sem qualquer prazer para sentir. Continuou mais um pouco, até o momento em que não dava mais para prosseguir, não estava como deveria.
    Olhou para ela triste e assim pararam. Ela não entendera, talvez ele não quisesse mais, ou não havia gostado dela... Não tinha outra explicação. Se entreolharam por um tempo, tentando imaginar o que o outro pensava, mas sem chegar a qualquer conclusão.
    Os pensamentos dele continuavam desesperadamente passando por sua cabeça, mas agora seguiam outra linha de raciocínio. Imaginava o que ela poderia estar pensando dele, do porque ter parado assim, aparentemente sem motivos; com certeza seriam coisas ruins, pois não havia como pensar em coisas boas nesses momentos.
    E ela concordava com os pensamentos dele, sem mesmo saber quais eram. Via no rosto do seu homem que não estava bem, mas porque? Ela sentia prazer, pode ter ficado um pouco envergonhada e assim não demonstrara, mas o sentira e queria mais. Mas e ele? O que havia de errado? Talvez sim. E se fosse com ela? Algo que tivesse feito de errado e que causasse sua reprovação? Não, sempre fora assim com todos, agindo sempre da mesma forma sem que houvesse qualquer reclamação; na verdade a elogiavam. O problema estava nele, com certeza, era o único culpado.
    - O que houve? - Ela perguntou delicadamente e demonstrando preocupação.
    Ele a olhou assustado, não pela pergunta que fora feita, pois já deveria saber que viria, mas sim por não saber o que responder. Vasculhava a própria mente a procura de qualquer coisa que pudesse lhe falar, mas nesse momento, quando mais precisava, nenhum pensamento parecia aparecer, sua mente estava vazia, a não ser pela presença da culpa que a dominava.
    Ela continuava a olhá-lo, ainda sentada no colo dele, que também continuava imóvel, deitado por sob ela.
    - Não sei, me desculpe - Foi a única coisa que pôde responder, não havia nada a mais.
    Aquele momento pareceu ter sido o mais longo até àquela hora. Nem mesmo eles sabiam o que pensavam, tudo tão obscuro e nublado. Viram-se novamente esperando que o outro tivesse a primeira reação. Em amargura ela tomou a iniciativa.
    - Pensei que seria bom fazer contigo, mas parece que estava enganada - Ela disse. Ele a olhou espantado -Não consegue nem mesmo me deixar satisfeita numa hora dessas. Es um imbecil, um idiota, não me parece ser o homem que imaginei - Enquanto falava levantou-se, foi até uma bolsa que havia levado consigo, dela retirou uma camisola e a vestiu -Parece realmente que estava enganada quanto a você - Ele escutava cada palavra como se estacas fossem fincadas em seu coração - Posso lhe dizer na mais infame das giras camponesas que és um frouxo - A última palavra fora a mais aterrorizante e isso o fez se alto culpar e se ofender até a centésima próxima geração.
    Ao terminar de vestir a camisola ela pegou suas roupas que haviam ficado espalhadas pelo chão do quarto, sua bolsa e seguiu até a porta. Não desejava ali continuar, aquele homem, se fosse um, não a merecia e por esse motivo iria embora para nunca mais voltar. Não olhou um momento sequer para traz, sabia que ele poderia estar chorando, que não aguentaria aquilo como um HOMEM.
    Para ela eles deveriam ser rudes, não precisariam ser cavaleiros ou qualquer coisa do tipo, se não fossem sensíveis era o que importava.
    Ao encostar a mão na argola presa à porta fora surpreendida por algo se chocando contra a mesma e ao seu lado. Era uma lança e ela sabia fazer parte de uma velha armadura de batalha que se encontrava ao lado da cama. Quando olhou para traz o viu ao lado da armadura e com o rosto todo desfigurado pelo ódio, seus cabelos compridos e negros caiam por sobre seu rosto, dando um ar ainda mais assustador aquela figura.
    Ao vê-lo ela sentiu todo o medo que ele desejava que sentisse. Rapidamente abriu a porta e fugiu do pesadelo.

    "O fim das lembranças, mas de que lembranças? De onde posso tê-las tirado? Em minha mente vasculho, mas não encontro nada que possa assim explicar essas fantasias aqui descritas. Talvez a alteração provocada por poder ser qualquer outra pessoa enquanto escreve-se, ou mesmo somente o prazer de escrever sobre um eu diferente. Mas de qualquer forma necessito de um final, algo que me satisfaça, fico deprimido somente em pensar que se parar por aqui, talvez nunca dê um destino a meus personagens."

    - Veja, este é o motivo por eu estar te tratando desta maneira, sei que é uma garota inteligente, mas não parece ter sido muito esta noite...
    - Mas... -Ela desejou falar, mas foi interrompida.
    - Oh menina, não tem nada de mas - Ele continuou - Você sabe que o que fez foi idiota, não deveria ter me tratado dessa maneira, eu a amo, a amo muito e sabe disso, então me diga, porque o fez?
    Ela nada disse.
    - Vamos, me diga o porque daquilo? Só quero entender, nem que seja somente um pouquinho. Por favor.
    - Amor, é que... - Novamente foi interrompida.
    - Amor? Escutei bem? Não acredito que você disse essa palavra - Ele começava um choro tímido - Estamos aqui, discutindo o porque de você ter me tratado daquela maneira e você vem com isso? Garota, não sei o que pretende, mas se é me deixar pior do que estava, saiba que está conseguindo. Já me senti depressivo, já me senti com muita raiva, mas não como hoje, neste momento posso fazer qualquer coisa que desejar, e sabe porque disso? Sabe? É porque nunca, nunca, fui tratado com tanto desprezo por alguém que amo. Sempre tentei fazer tudo o que desejasse, nunca lhe faltei para nada, nem lhe levantei a voz o mínimo que fosse, mesmo que não gostasse de suas reações. Eu a amo, e por esse motivo tinha medo de te perder, de fazer qualquer coisa errada que lhe deixasse triste para comigo e assim me abandonar. Oh, sempre sonhei contigo assim, deitada em minha cama, mas não era algo erótico, não, era o amor praticado pelos grandes amantes. E você estragou tudo, tudo. Agora penso, o que devo fazer contigo? Qual deve ser minha próxima jogada? As coisas não podem acabar assim, não posso te deixar ir sem que me faça feliz novamente. Vou ter que dar um jeito nisso, não desejo continuar triste como agora estou.
    - O que fará comigo? - A face da garota nunca se modificou tanto por medo.
    - Ainda não sei, veremos.
    Ele se levantou vagarosamente da poltrona, bebeu mais um pouco do vinho e caminhou sem pressa para perto da cama. Ela se encolhia, arrastava-se o mais longe possível que o móvel permitia e sentia medo, muito medo. A face dele não demonstrava qualquer sentimento, estava neutra, uma incógnita. Quando chegou ao lado da cama parou, examinou-a e então se sentou nesta. Ela continuava encolhida, tremendo, sem saber o que fazer; a possibilidade de correr para fugir não lhe parecia viável, ele era mais rápido, havia conferido em sua última tentativa de fulga; e enfrentá-lo era ainda pior, ele era forte, já havia combatido em frentes de batalhas, enfrentado bárbaros, e ela, uma simples donzela, que trancava-se no castelo por medo de bronzear-se e sem nunca fazer qualquer esforço. Não havia escolhas.
    - Venha para perto de mim - Ele a chamava, passava a mão pelo lençol, alisava-o, demonstrando a ela onde deveria sentar-se. Ela não se mexia, continuava no mesmo local, não lhe parecia uma boa ideia. - ANDE LOGO, VENHA AQUI - As palavras saíram rudes da boca dele, eram sérias e convidativas pelo medo que produziam. Ela então se aproximou vagarosamente, sentou-se onde ele indicava, seus olhos estavam arregalados, tentando imaginar o que pretendia, mas nada lhe vinha à mente, nem coisas boas, nem ruins, simplesmente nada.
   
    "O terror, algo fantástico, escondido no intimo da mente de todos, mas somente poucos conseguem pô-lo para fora, e creio ser um destes. Minha mente pesa com tudo o que pensa, com todas as coisas que deseja fazer, e nem tudo consigo escrever, somente umas poucas linhas e tudo o que tenho guardado aqui, em minha mente. Por isso vou continuar e colocar para fora o que de pouco consigo."

    O mais estranho foi quando ele aproximou sua face da dela e rosnou, enrugando todo o rosto, de modo a parecer um animal. Ela abriu a boca e tentou gritar, mas nada saiu, ficou parada com seu rosto quase colado no dele. Logo após até mesmo os pequenos insetos pareciam saber o que acontecia, tudo ficou em silêncio, não havia qualquer ruído. Com os rostos quase colados, para como um beijo, ficaram entreolhando-se, ela com medo, ele não se sabe. O momento era de total estranheza.
    Ele afastou-se, voltou a se sentar naturalmente enquanto ela ainda retomava a respiração. Os sons do ambiente voltavam vagarosamente, tudo retomava seu ritmo, até mesmo ele.
    - Venha comigo - Disse ele enquanto se levantava - Sério, venha comigo, quero te mostrar uma coisa.
    Ela obedeceu, não tinha motivos para discordar dele agora, era hora de fazer tudo o que pedisse, senão, tinha certeza, estaria perdida.
    Quando ela se levantou ele segurou seu braço e o puxou forte e rudemente, não tinha qualquer preocupação com o que ela sentia, isso não lhe importava mais, ela também já o havia feito sofrer muito, agora teria que pagar por tudo, tudo mesmo, não com a mesma moeda, pois isso não mais poderia ser feito, mas sim com algo um tanto quanto diferente. Enquanto a puxava ela gritava, desta vez não de medo, mas sim de dor, ele a apertava de modo a até mesmo interromper sua circulação. Passaram por escuros corredores, lugares por onde ela nem mesmo sabia existirem, longas escadarias subiram, desconfortavelmente. Chegaram a um dos muros, na parte de traz do castelo.
    - Onde estamos? - Perguntou ela, com as palavras emboladas pelo choro.
    - Como assim onde? Não sabe? Não vê? Este lugar é tão belo, não sei de outro assim neste castelo - Respondeu ele - Creio que nunca deve ter vindo até aqui, não é ambiente para uma dama, mas bem, está aqui agora, e sabemos não ser qualquer dama, então veja, não é belo?
    Ela olhou ao redor e nada respondeu.
    - Mas o que gostaria de te mostrar não está exatamente aqui, venha, é mais a frente.
    Ele a pegou novamente pelo braço e a puxou até uma das torres, um lugar fétido, com pouca luz, e cheio de objetos usados pelos carrascos para obrigarem os escravos falarem, ou até mesmo para punirem os mesmos. Ela era arrastada por aquele chão todo coberto por palha e sangue. Se estivesse assustada antes, agora é que tudo piorara, pois já tinha em mente o que ele pretendia.
    - Não, por favor, não faça isso comigo.
    Fora jogada a frente de uma máquina um tanto quanto estranha. Feita em madeira tinha em seu topo um capacete para que se fosse posto a cabeça do "coitado", e quatro tiras de couro, duas para as mãos e duas para os pés, além de várias engrenagens.
    - Olhe, o que acha, não é belo? O homem pode inventar muitas coisas legais, não é mesmo? - Ele satirizava o momento - Essas coisas são umas delas, e de muita utilidade por sinal. Olhe essa que está a sua frente, é a melhor, pelo menos acho eu - Ela olhava para ele com a pior expressão que já houvera feito - Venha cá - Chamou enquanto a agarrava novamente.
    A puxou até encima da máquina. Ela se debatia, não deveria entregar-se a isso. Ele com um pouco de esforço amarrou seus braços e prendeu sua cabeça no capacete, deixando suas pernas livres. Ela gritava e tentava de todas as formas escapar, mas estava presa, sabia que não conseguiria se desamarrar, somente lhe restava ele acabar com a "brincadeira" e deixá-la ir.
    - Oh minha linda, creio que está tudo pronto, agora podemos começar a diversão - Ao pronunciar essas palavras ele começou a mover vagarosamente uma roda que era presa às engrenagens da máquina. Os braços dela começaram a ser esticados, bem lentamente, mas causando uma dor insuportável. Ela foi pouco a pouco saindo da posição de V para T e quando isso aconteceu é que começou as dores. No começo era somente a pele que esticava, mas não demorou muito para começar a escutar as próprias juntas estalarem. A dor era a de nervos se rompendo.
    Ele a olhava com um maligno sorriso no rosto, não cessou o movimento de girar a roda até escutar o primeiro grande estalo saído do corpo dela. Parou então e ficou relembrando de tudo o que ela havia lhe dito, de todas as crueldades que havia lhe pronunciado. Começou a ter alguns estranhos espasmos, seguidos de calafrios.
    Oh, como isso é legal, se soubesse você já estaria ai há muito mais tempo.
    Tornou a afrouxar as correias e amarrou as pernas.
    - Que tal abrir as pernas para mim? - Falava sorrindo.
    Quando movimentou a máquina novamente o fez com muito mais crueldade, sem qualquer compaixão, a garota gritava, pedia ajuda a todos os santos que conhecia, até que os nervos de suas pernas se romperam. A dor que sentira fora tão grande que desmaiou, acabando com a felicidade dele.
    - Ah, não acredito, já?
   
    "O fim, retirado de algum lugar onde eu nem mesmo sabia existir, onde pensava nunca conseguir penetrar. Se forem meus desejos, talvez seja mesmo um psicopata, alguém que não merece o mínimo de compaixão, mas não creio que o faria fora deste mundo de fantasia, é somente aqui, com a minha pena, o tinteiro e algumas folhas de papiro, coisas que me inspiram, que me colocam no mundo medieval, do terror antigo, uma das minhas grandes paixões. Mas o que seria de mim se o deixasse assim, um assassino, torturador, um amante desprezado. Devo terminar minha história..."

    Ele a retirou de cima da máquina, a colocou nos ombros, e foram para fora da torre.
    O castelo fora construído em cima de um grande penhasco a beira do mar. Encontravam-se na muralha que dava para o penhasco, era um lugar gélido, mas com uma bela visão.
    - Amor, sempre te disse que não conseguiria viver sem você, e isso é verdade, por isso adeus - Deu um último beijo nela e pulou de cima da muralha, levando-a junto consigo.

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Bem, está muito mal escrito, eu sei, quando o escrevi não fiz bem e esse faz algum tempo que o tenho, somente copiei e colei aqui. Irei revisá-lo, assim que tiver tempo. Obrigado.
Lesfar Inmors
Enviado por Lesfar Inmors em 09/11/2007
Reeditado em 10/12/2007
Código do texto: T730185

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Sobre o autor
Lesfar Inmors
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
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Lesfar Inmors