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A reconstrução da pirâmide de Zimbar.

Dia 01: O projeto.

Zimbar: Vamos reerguer os pilares da minha pirâmide e deixá-la bem melhor do que era antes.
Anbato: Não estou gostando desse projeto. Eu, o arquiteto real, não aprovo. Afinal quem desenhou isso?
Zimbar: Aqueles malditos escoceses vão ver o que é uma pirâmide de verdade.
Anbato: O que é isso aqui? Um buraco na parede? Eu nunca vi uma coisa mais idiota em toda a minha vida. E isso aqui? O que diabos é uma cortina?
Zimbar: Tudo bem que eles não tiveram culpa do projeto anterior ser uma porcaria e a pirâmide desabar com o primeiro soprinho de vento. Mas não foi nada cortês da parte deles rirem daquele jeito.
Anbato: Eu me recuso a participar de um projeto tão idiota e arquitetonicamente incorreto.
Zimbar: Quando tudo ficar pronto, você vai ser presenteado com todo o ouro que puder carregar.
Anbato: Ah! É mesmo um belíssimo projeto! Ousado, dinâmico, magnífico! Somente um gênio para concebê-lo.
Zimbar: Claro, fui eu quem o desenhou.
Anbato: Logo vi. Quando eu começo?
Zimbar: Agora! O tempo urge! Vá meu fiel lacaio. Faça sua mágica.
Anbato: Pode deixar comigo! Você vai ter uma pirâmide igualzinha a outra!
Zimbar: É disso que tenho medo.



Dia 45: Balanço

Anbato: Meu senhor, tenho a satisfação de afirmar que a reconstrução da sua pirâmide vai muito bem. Não tivemos nenhuma vítima fatal. Apenas 12 mutilações, 09 pessoas com disenteria, 60 pessoas com desidratação e 1 um caso de assédio sexual.
Zimbar: Muito bem! E quanto isso vai custar?
Anbato: Apenas 123 moedas de ouro.
Zimbar: Ótimo! É menos do que o orçamento previa! Acho que vou colocar uma espécie de cano que jorra água em uma espécie de quarto para tomar banhos.
Anbato: Tem certeza disso?
Zimbar: Claro! Vou chamá-lo de chuveiro. Uma idéia magnífica não acha?
Anbato: Sim, claro. O senhor é quem tem o dinheiro. Tomar banhos! Onde já se viu!
Zimbar: O que você ainda faz aqui?
Anbato: Vou voltar para o trabalho.
Zimbar: Já devia ter voltado!



Dia 184: Greve

Zimbar: Você disse que a pirâmide seria terminada em 6 meses. Já se passaram.... Muitos mais... E não terminou!
Anbato: Temos um problema, senhor. Os trabalhadores se recusam a voltar ao trabalho enquanto as condições não melhorarem. Eles disseram que os trabalhadores dos dinamarqueses ganham uma refeição por dia trabalhado e água a vontade.
Zimbar: Refeição? Água? Malditos dinamarqueses sempre atrapalhando meus planos.
Anbato: E ao menos que o senhor os atenda, eles vão continuar parados.
Zimbar: Mande os guardas chicotearem cada um desses folgados. Depois que o primeiro levar umas boas chibatadas duvido muito que não retornem ao trabalho.
Anbato: Mas senhor, isso não seria ético da minha parte e além do mais...
Zimbar: Ético? Pois bem... Guardas! Apliquem duzentas chibatadas nesse infeliz e mais trezentas nesse tal ético!
Anbato: Está bem, está bem. Meu avô já dizia, chicotada no bumbum dos outros é refresco.
Zimbar: Assim mesmo que eu gosto!



Dia 200: Preparativos para a inauguração

Anbato: Meu senhor, dentro de mais uma semana a pirâmide vai ficar pronta!
Zimbar: Ótimo! Bem que meu adivinho pessoal disse que eu teria boas noticias! Você arrumou o que eu pedi?
Anbato: Sim, senhor. *Batendo palmas* Aqui está senhor.
Zimbar: Anbato, o que é isso?
Anbato: Uma virgem pro sacrifício senhor.
Zimbar: Mas é uma garotinha. Explique-se.
Anbato: Bem senhor, desde que o povo descobriu que o vosso Deus exige um sacrifício anual de uma virgem, ficou difícil de encontrar alguém com essas características.
Zimbar: Eu não vou matar uma garotinha.
Anbato: Que tal se agente realizar um número de dança? O senhor podia dizer que é o sacrifício do bom gosto. Rárárá. O que o senhor acha?
Zimbar: Uma idéia completamente estúpida. E se eu colocar uma peruca e uma saia em você?
Anbato: Desculpe, eu não ouvi.
Zimbar: Nada, nada. Bem vamos ter que ficar sem o sacrifício. Espero que ‘Sambatoinizan, o grande’ nos perdoe.



Duas semanas depois da inauguração.

Zimbar: Bem, foi bom enquanto durou. Eu sabia que aquele sacrifício iria fazer faltam.
Anbato: Mas a culpa foi toda sua, por desrespeitar o rei da Dinamarca.
Zimbar: Minha? Tudo o que eu fiz foi defender a honra de minha esposa. Vai me dizer que esse não é o papel do marido?
Anbato: Mas tudo o que ele fez foi elogiar a jóia que sua esposa usava no pescoço.
Zimbar: Bem, na hora me pareceu outra coisa.
Anbato: E mesmo assim, o senhor precisava matar todos os descendentes dele e urinar em seus cadáveres?
Zimbar: Confesso que eu tinha bebido um pouco demais.
Anbato: Agora o senhor não tem mais reino, não tem mais filhos, não tem mais pirâmide, não tem mais povo e a sua mulher se tornou esposa do rei dinamarquês. Tudo que sobrou foram esses dois cavalos.
Zimbar: Só me resta recomeçar. Vamos vagar pelo deserto em busca de um povo perdido. Vamos surgir heroicamente e prometer muitas coisas que não podemos cumprir.
Anbato: É, como sempre.
Zimbar: Sim, como sempre! E enquanto isso seremos só nós dois. Ah, meu fiel lacaio, o tempo que se seguirá vai ser difícil. Você vai ter que fazer o papel do meu escudeiro, do meu cozinheiro, do meu carregador particular e todas essas coisas. E ouso dizer que nas noites em que a solidão bater você vai ter que fazer o papel de minha esposa.... Anbato para onde você está indo? Volte aqui! Anbato?...... Ah! Droga!
Thom Ficman
Enviado por Thom Ficman em 17/01/2006
Código do texto: T100267
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Sobre o autor
Thom Ficman
Belém - Pará - Brasil
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Thom Ficman