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MINHA VIDA (PARTE V)

 O CRIME
........CONTINUAÇÃO DA PARTE IV


Em junho de 1977, entregamos a Rodovia Fernão Dias para a Polícia Rodoviária Federal, eis que era uma estrada conveniada e o contrato não havia sido renovado pelas autoridades da época.
Naquela noite fria de junho, na companhia do finado Pradinho, a meia-noite em ponto, posicionei a minha viatura no final da pista (saída da Fernão dias para a Dutra), e o inspetor Ortega, da Polícia Rodoviária Federal, fez o mesmo com a viatura dele, em sentido oposto – entrando na rodovia (Dutra x Fernão Dias), sacramentando assim, a passagem de comando. Com pompa policial, demos alguns tiros para cima, e em conjunto montamos ali mesmo uma pequena operação de fiscalização, cujo intuito era mostrar aos usuários da via, a nova situação. Isto feito, fizemos a passagem de comando assim como João Batista fez com Cristo Jesus, no advento do batismo nas águas do Rio Jordão.
A maioria do nosso efetivo policial foi transferida para a companhia de Jundiaí a outra parte ficou no destacamento de Atibaia prestando serviços na Rodovia Dom Pedro I, conhecida como: “Transbibi” (Campinas x Jacareí – num sentido levava bichas e no outro trazia biscoitos).
Na companhia de Jundiaí fiquei trabalhando na Via Anhanguera até a conclusão das obras da Rodovia dos bandeirantes, que se deu em outubro de 1978, num palanque montado no quilometro 46 (entroncamento da Bandeirantes com a Anhanguera) o Presidente da República – O Gal. Ernesto Geisel, o Governador do Estado, o Ministro dos Transportes, secretários disso e daquilo, além de autoridades civis, eclesiásticas e principalmente “milicos”, numa grande festa Militar inauguraram a rodovia. Naquela mesma noite a estrada foi entregue ao público (usuário) e naquela mesma noite, deu-se o primeiro acidente com três vítimas fatais no quilômetro 40/41 da pista sul.
Em 1977, quando ainda trabalhava na Fernão Dias comecei a cursar a Faculdade de Direito São Francisco – Bragança Paulista. Quando fui transferido para o sistema Anhanguera/Bandeirantes a coisa se complicou um pouco, mas, mesmo assim não desisti. É bem verdade que tive que buscar forças no funda da minha’lma para continuar, pois, morava em Interlagos, trabalhava na região de Jundiaí e estudava em Bragança Paulista, além disso estava recém-casado... Naquela época a gasolina era racionada e os postos fechavam às 18 horas da sexta-feira e só reabriam na segunda-feira pela manhã.
Certa feita, na rodovia dos Bandeirantes, socorri uma família que havia ficado sem gasolina no retorno para a capital, num domingo à noite. Peguei a família (o marido, a esposa e duas mocinhas lindas – Cris e Paula), coloquei na viatura e a deixei em segurança na administração do pedágio do quilometro 39; como o meu “Dojão” era a gás, tirei gasolina do tanque e coloquei no opala da família. Após o socorro, o marido muito feliz, e após pagar a gasolina (não o socorro) tirou do bolso um cartão de visitas e me ofertou. No cartão estava escrito: fulano de tal... Juiz de direito, Ele disse: a partir de agora o Senhor é amigo de toda a minha família. Estamos a sua inteira disposição. Eu agradeci e foram-se embora. Pouco tempo depois, fui transferido para a Via Leste, hoje, Rodovia Airton Sena e de lá para a Castelo Branco, após ter dado um tiro num sujeito...

RAYSAN DE SOUZA
Enviado por RAYSAN DE SOUZA em 07/07/2006
Reeditado em 17/10/2008
Código do texto: T189389
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
RAYSAN DE SOUZA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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