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HISTÓRIAS DA MINHA VIDA - 3

O CORREIO DO SOFRIMENTO

......CONTINUAÇÃO .......

Continuando à procura do emprego, fiz concurso para carteiro no Correio Central, é lógico que passei; quando fui chamado para trabalhar, no meu primeiro dia de serviço, perdi o emprego é que, ao me introduzirem no setor de correspondência, me deram um mapa do centro da cidade, por ser novato, e uma imensa mala de cartas, como eu era magrinho, quarenta e poucos quilos, não agüentei com a mala, então, fiquei sem poder executar o serviço para o qual tinha sido aprovado e que seria a salvação dos meus irmãos, pois, afinal de contas eu ia poder “fazer mercado”. Sentei num canto, no subsolo do prédio central dos Correios e chorei copiosamente (se hoje sou estabanado, imaginem quando eu ainda era baiano!). Ai, surgiu um carteiro, já idoso, pretinho e muito amoroso e com dó de mim, me levou até o chefe de triagem e contou o meu drama, Deus com certeza estava me testando, pois, novamente, fui ajudado. Naquele mesmo momento, mesmo antes de assumir a função de carteiro, fui promovido a mensageiro (entregador de telegramas), o salário era um pouco mais alto. Ai a coisa começou a funcionar; aos poucos fui conhecendo a cidade e me soltando na profissão.
Como é gratificante e educativa a profissão de mensageiro dos Correios! O mensageiro não é um simples entregador de correspondências, um individuo que bate no cachorro, enfia a carta na “caixinha”, xinga o cachorro e vai embora, não! O mensageiro tem contato físico com as pessoas, estabelecendo-se aí um importantíssimo grau de confiança e amizade. O telegrama é um forte agente modificador do psiquê humano. A simples presença do carteiro causa um impacto emocional tão considerável nas pessoas, que quando acabam de assinar o recibo de entrega, ali mesmo na presença do mensageiro já rasgam o invólucro e lêem a mensagem.
Acredito que é por força deste grau de intimidade, que as pessoas transmitem ao mensageiro o conteúdo da mensagem. Na maioria das vezes a ansiedade é tão grande que mesmo antes de assinar o “AR” aviso de recebimento, já rasgam o invólucro e, seja qual for a notícia – boa ou ruim, se "despejam" em cima do mensageiro, e é aquele polodoro todo - uma outra situação gratificante, é que sempre se dá ao “carteiro” uma gorjeta, um muito obrigado, um copo d’agua e/ou, um tapinha no ombro. Outras ocasiões surgem convites, digamos, inusitados, com propostas apimentadas e ou, exibicionismos, assim... tipo inocente... não indelicado nem indecente, mas, muito interessantes (tenho saudades daqueles tempos...). Entregando telegramas aqui e acolá. Levando notícias de falecimentos, aniversários, casamentos, convites, cobranças, quebra de empresas, etc., passaram-se sete meses, até, que um dia, ao chegar em casa, um telegrama me esperava, era um chamamento do Departamento de Estradas de Rodagem/Polícia Rodoviária, para iniciar o curso de "Guarda Rodoviário".


RAYSAN
RAYSAN DE SOUZA
Enviado por RAYSAN DE SOUZA em 08/07/2006
Reeditado em 29/09/2013
Código do texto: T189780
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
RAYSAN DE SOUZA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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RAYSAN DE SOUZA