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Gato que é Gato


--I--
Cadê o gato; será boato? ele fugiu pro mato – cadê o sapato?
Mato não; este come no prato, nem parece gato – passa a pão.
É peludo; comigo fala, não é mudo – às vezes abelhudo.
Ta certo; ele é mesmo esperto; veja: deita, levanta – e fica ereto.
É discreto, boca fechada seu saber é secreto – muito esperto.
Esqueça o prato, vai - pega o rato, pego mas não como – só mato.

--II--
No mato? olha a vaidade e esquece a ferocidade – é da cidade.
Sou beldade, novinho na mocidade e porque não – já com idade?
Sou mimoso, mio, faço carinho deixo o dono dengoso – sou amoroso.
Tenho barba, bigode, cavanhaque mas sou cheiroso – não sou bode.
Me conforte,  sou forte, no sul e no norte, acho que sou – um gato de sorte.
Tenho tudo; sei de tudo, não luto sem escudo, me chamam de – gato rabudo.

--III--
Ou sortudo, me faço de mudo, nunca me iludo - talvez um gato peitudo.
Não sou papudo, sou peludo e se me pedem ajudo – tenho pelo de veludo.
Sei da vida; tenho minha querida, meu coração eleva batida – ela é atrevida.
Fico na berlinda, ela é linda, com ela a noite é eterna – nada finda.
Será amor, o sol vai se por, esqueço a dor e com ela – para o alto mio louvor.
É uma gata, na medida exata, mia uma cantata, acho que é – uma beata.

--IV--
Não sou idiota, sou gato de bota, ninguém me sabota – caindo dou cambalhota.
O pelo não desbota, tenho uma patota, a força que brota - e mudo sou poliglota.
Dei meu apito, foi no Egito como deus era perito – atendi os aflitos.
De gato meu olho não é caolho, enxergo e acolho - as raças não escolho.
Gato negro ou preto não mato no gueto, erro não cometo, no veneto – canto em dueto.
Tenho um folheto, não leio mas tenho um livreto, gosto de espeto – um bom galeto.

--V--
Nunca serei banido, tenho mil apelidos, todos bons? eu duvido – tem uns bandidos.
Sou querido, me socorrem se ferido, me lavam se fedido – um gato lambido.
Meu olho ascende, o escuro não me rende, dizem: é um duende – não me ofende!
Sempre bondoso, às vezes ruidoso, só quando amoroso – não atrapalhe meu gozo.
Audacioso e muito caloroso, minha gata me deixa nervoso – na verdade é carinhoso.
Fico sedoso, me esfrego vagaroso, desfilo silencioso – pinta de vitorioso.

--VI--
A gata minha é novinha, usa calcinha é lindinha – não é galinha.
Usa fitinha sempre na modinha, mostra barriguinha - é a vizinha
Mia, me chama parece uma dama, com charme trama – eu a quero na cama.
Melhor no telhado; estou gamado, seu pêlo dourado – gata do pecado.
Fico de gatinho, minha dona quer carinho, miau no telhadinho – fazer um filhinho.
Veja o ninho, aquele é lindinho, peludinho – me abaixo e engatinho.


--VII--
Um gato pai, gata mãe onde vai, um gatinho que de pé cai – levanta e se vai.
Ai, gato também cai, vê onde vai – pensa que não tem pai?
Quer um dono, patrono, botar um quimono – um gato gosta do dono.
Ter uma ração, talvez uma mansão, sempre ter pão – vida de gatão.
Gato amigo, rico ou mendigo um exemplo vivido -  sempre te sigo.
Te salvo do perigo, contigo, a serpente mastigo – e não morda; eu digo.

--VIII--
Felino sou tigre, meu extinto agride, na caça progride, mato todos – não duvide.
Puma gato fera; a beleza me exubera, a moda me venera – minha garra dilacera.
Dos Proailurus descendo, vim vivendo, crescendo, morrendo – e também nascendo.
Caçador infalível, sou incrível, rápido pego tudo que é comestível – sou imbatível.
Exemplo de força, fraco não me distorça, sou gato, se contorça – cuide tua moça.
Sou o leão, arranco seu coração, me prendes com grilhão – serei seu papão.
Samoel Bianeck
Enviado por Samoel Bianeck em 18/07/2006
Código do texto: T196413
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Sobre o autor
Samoel Bianeck
Curitiba - Paraná - Brasil
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Samoel Bianeck