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amiúde a miúda aparece

Amiúde ela aparece e não a consigo ver como uma miúda, mas é uma miúda. Atribuo-lhe a idade mental dum pensador chinês de inspiração budista, vivendo no mutismo e observação da natureza.
Passei a ser presa de sua atenção, sou o homem que se senta na varanda a fazer música sobre um teclado sem som, deixando escapar um sorriso de Bom Dia pela manhã ou de Boa Tarde pela tarde.
Ela nunca aparece de manhã e de tarde no mesmo dia, parecendo aparecer antes de eu ter fome. Habituei-me a pensar estar na hora de comer quando a vejo aparecer.
A mulher-a-dias disse-me que ela era sua concorrente, disse-o sorrindo, pois a moça de traços orientais também faz trabalho doméstico fora de casa. Vive num lar de terceira idade, sem ninguém saber ao certo como lá a meteram.
Esgotei a minha curiosidade neste comentário recebido depois de perguntar quem estava ali sentada do outro lado da estrada, pedindo uma resposta sem ela se sentir observada, pois está sentada a olhar.
Encontra-se à sombra, sobre um pequeno muro, encostada a uma grande árvore que já começou a deitar o muro ao chão, eu deixo o conto acabar assim, intrigado com uma criança a fazer trabalho de empregada doméstica e a viver num lar da terceira idade.
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 04/09/2006
Reeditado em 05/09/2006
Código do texto: T232893
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
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