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Começa mal e acaba...mal

Hoje não é meu dia mesmo. Acordei com um barulho desgraçado, vindo do andar de cima. Parecia que o teto ia cair. Predio é uma merda mesmo. Bem, ja eram 5:30. Eu ia levantar as 7:00, então nem me dei o trabalho de voltar para a cama. Homer, meu gato de estimação, continuava dormindo. Fui tomar banho.Demorei mais de uma hora no banho. Até sentei no chão.
   Porra, o que eu ia fazer até as 8:00? Fiquei no banho, me masturbei, me lavei de novo, não me masturbei de novo e fiquei lá. Agua rolando na cabeça. No aparelho de som, Gene Krupa me ajudava a manter-me vivo. Ultimamente era a única voz humana que eu escutava dentro do meu apartamento. Isso por que 80% das músicas são instrumentais. Bem, não deveria ter levantado.
  Nem ontem. Acho que hoje não vou trabalhar.  Mas aquele maldito me acordando com um puta barulhão. Senão eu poderia ter ficado dormindo. Eu sou foda, se eu acordo, não consigo mais dormir. Quer saber? Vou subir lá.
   Dim dom!
   Dim dom!
   Que filho da puta.
   Dim dom!
   Dim dom!
   Dim dom!
   Dim dom!
   Dim dom!
   Ô seu puto!
   Bam bam bam!
   A porta se abriu... Ué, tava aberta. Olhei de esguia para dentro e lá estava ele caido, com uma corda no pescoço
e o lustre caido ao lado. Homem gordo e idiota! Tentou se matar com a corda amarrada num lustre? Cheguei perto e levei até um susto. Ele estava me acompanhando com os olhos. Seus braços e pernas estava sem movimento nenhum, mas eu reparei que sua respiração estava fraca. Ele me olhava, ficava piscando muito rapido.
   Eu me debrucei perto dele, não sou médico, mas fora no filme do exorcista, eu nunca tinha visto uma cabeça numa posição dessas. Claro, pescoço quebrado. Uma lagrima correu pelo seu rosto. Foi estranho ver a lagrima fazendo um caminho tão exotico pelo seu rosto quase soterrado em baixo do braço gordo e flácido.
   Procurei o final da corda, mas dai achei melhor não. Resolvi deixa a ponta ainda amarrada ao lustre. Enrolei a corda na mão, e calcei o pé no ombro dele. Puxei. Puxei com muita força. Já estava com os dois pés sobre seu corpo. Meus braços já não aguentavam mais. Larguei a corda e limpei a marca do meu tenis do ombro dele, e dei uma olhada no olho mágico. Ninguém no corredor. Saí e desci até o terceiro andar, dai eu chamei o elevador. Não queria ser visto saindo da escadas de emergência . E se alguém me visse  chamando o elevador no andar dele seria meio suspeito. Cheguei em casa. Pronto, tinha desculpa para dar no serviço. Um homem se matou no meu predio.Claro que eu conhecia, meu amigo e vizinho. Não tinha cabeça para trabalho. Aquela tarde foi muito boa. Na verdade muito boa mesmo. Até abri meu black label que eu estava com dó de abrir. Gordo idiota...
Gordo
Enviado por Gordo em 14/09/2006
Reeditado em 09/11/2008
Código do texto: T240246
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Sobre o autor
Gordo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 39 anos
54 textos (3244 leituras)
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