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9 – conto psicadélico

Conto envolvente e muito bem desenvolvido; no qual destaco, depois de ponto e vírgula, o belo espírito de grupo patente na dedicatória! Inspirei-me para mais um "conto psicadélico"... Abç
Enviado em 03/11/2006 20:43
para "A LIBERTAÇÃO DO DHEGAMMON" - Rogério Silvério de Farias 
http://www.recantodasletras.com.br/contosdeterror/269373

A manhã ainda não tinha começado, o dia já acabara, acordei no escuro! O terror inspirava a minha respiração apressada e sentia as narinas dilatadas, aspirava com profundidade e uma capacidade inusitada de destinguir odores. O enxofre chegava-me à alma, tresandava de malícia e viciosas práticas infernais.
Comecei a ter visões, senti que também tu acordavas, íamos ser Adão e Eva no Inferno. Ah, fazes-me crescer, ficar descomunal, vou-te arrombar a porta dos fundos da imaginação e abrir o mundo onde as paredes tem olhos e as missas satânicas são celebradas!
O coração começou a agonizar, saltava, queria sair do peito. Consegui escrever no escuro o nome do demónio, abrir o harmónio com um gemido de ponta a ponta da sua caixa distendida! Comecei a compor a música duma harmonia, melodia única... fundindo o incenso naquilo que penso sejam os mistérios da inteligência.
Depois de fazermos da Felicidade o incenso que agora me permite sentir os aromas divinos do vinho, descobri, alucinado, como uma ressaca doce subia lenta como um soluço. Primeiro caiu-me um olho, depois foi a vez do outro tombar.
Apalpei as minhas visões quentes, gelatinosas, desligadas da vida: senti que estava vivo reencarnando um morto sem memória, nem ossos, nem tempo. A idade assumiu o vigor da inutilidade do raciocínio sobre os mistérios da morte, estava vivo-morto. Comecei a zumbir dos ouvidos, drenando impurezas pelo nariz: constipei das ideias e fiquei a destilar o muco até ficar maluco.
A lucidez era lúcida dez, trazia um monóculo no olho cego e vinha disfarçada de pirata! Evoquei, na sua presença, o Portugal dos Pequeninos da minha infância e regressei a Coimbra, a Santa Clara, do outro lado do rio... Ri, ri e atirei fora os olhos, acertei no escuro. Como já estávamos com fome, fui atrás de ti e encontrei-te de novo a dormir. Foi quando comecei a pensar se não estaria a sonhar, acordei de novo ou adormeci de vez?

{A Morte seria a arte dos mortos, se a Vida fosse a arte dos vivos!
Como não há certezas, nem o «penso logo existo» escrito numa língua viva me permite cogitar nada de jeito, as incertezas têm de bastar.
Este conto, se não é dum maluco, é o tal do muco drenado pelo nariz?... Quis contratar a Mim como artista convidada, para declamar como "femme fatal"...
Depois da ouvir achei que a Beleza era um bem supérfluo da humanidade, a Felicidade podia coabitar com a imundície, a fome era e é segredo para os ascetas.
Assim
Conti_nua: - Acção!
http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/278543}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 04/11/2006
Código do texto: T282019
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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