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RENASCER NOS JARDINS DE GAIA

 
        Depois de mais um ciclo de vidas humanas, no vale indefinido além do conhecimento e do tempo dos homens, após estar adormecido nos jardins de Gaia, finalmente lembrei da minha primeira morte de homem.
        Naquele tempo, o espírito abrigava o corpo bugre e colossal.
        A Gaia permite a visão dos Andes e as lembranças. A Gaia permite sentir a nevasca, o cheiro e, os picos brancos estendidos de um leste a oeste. A beira de um rio congelado, Eu bugre caçador esperava!
        Eu, elemento neutro de guerra de homens “brancos”, cansado e ferido no vale da morte, senti a dor lancinante do peito perfurado por lâmina fria.
O soldado cinzento atingira-me com a baioneta suja e amaldiçoada. O pulmão esvaziou-se do ar, a neve encharcou-se do sangue. O homem cinzento riu-se vitorioso e foi embora.

Farejaram o sangue sete lobos! Sete lobos famintos rasgaram a carne ainda nervosa e quente. O ventre derramara-se na neve de Gaia.
Na transposição dos mundos e dos tempos, sete crianças  sorriram, mergulharam e lavaram meu corpo em rio de água morna e límpida. Meus olhos de humano, mais uma vez  vagaram entre o nascimento e a morte. Novamente meu corpo tornara-se corpo de menino. Antes de soluçar em seio materno,novamente fui imaculado com os sucos das ervas e das flores dos jardins de Gaia...
 
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Enviado por RLisboa em 15/07/2005
Reeditado em 25/07/2006
Código do texto: T34516
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Sobre o autor
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