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a voz e a rapadura

                         De repente descubro que mudei!
os valores de outrora (...) foram trocados por outros mais poéticos, mais platônicos, sem precisar de muita preença, esforço ou emoção.
                          Percebi essa mudança quando hoje, falei com uma pessoa ao telefone, que, antes, quando isso acontecia, eu tremia, suava, e as palavras que eu queria dizer saiam mal faladas e a emoção chegava às lágrimas.
Não que essa pessoa tenha perdido o seu significado, desaparecido ou pior, tenha ficado muda. Não, ela continua lá, no seu lugar de sempre, onde sempre esteve, com a mesma import^ncia, principalmente com sua mesma voz, sobretudo com aquela beleza de voz que lhe é peculiar.
                          Eu sim, mudei em relação  à essa voz
A fantasia que essa voz me proporcionava virou realidade e a realidade não combina com a poesia apesar dessa voz ter sido por muito tempo a minha insensata fantasia. Era um suplício ouvir aquela voz, e suplício maior falar com ela através do telefone... mas eu gostava dessa sensação estranha, de esperar por esse momnto, de fazer isso comigo...(masoquismo)?...
Tantas vezes eu tentei sair de dentro dessa fantasia que era a minha" realidade" Ho! como tentei!
                           irão curiosamente querer saber dessa voz, como por exemplo: por que somente ela tena causado que eu percebesse a minha mudança? Por que eu me sentia daquele jeito quando falava com ela?
De quem é essa voz? Por que sentia tudo isso? Perguntas que eu me fazia e não encontrava resposta.
Mas agora Hó! Surpresa!Eu MUDEI, e por incrível que pareça mudei para melhor.
Melhor que ouvir aquela bela voz é ouvir o canto de uma ave qualquer. Mesmo o canto daquele galo do meu vizinho, desafinado e triste, como se algo de muito ruim tenha lhe acontecido.(já cheguei a imaginar que ele é viúvo e se sente muito só.
Toda mudança assusta apesar da transitoriedade da vida. Mudamos sem querer, sem saber, mas mudamos momento a momento. É inexorável mas necessário. Já imaginaram se a gente ficasse presa aos  momentos de prazer, quando esses momentos têm fim?
 E por que os chamo de momentos de prazer, quando estes momentos são de tortura?... os dois...talvez
Lembro-me de quando menina, pobre, apaixonada por rapadura, daquelas bem vermelhas e brilhntes que, ao mer dói o maxilar pela sua textura dura e doce.
Certo dia meu pai, viajante da Central como carteiro dos Correios, me trouxe uma, dessas que eram a minha paixão.
Não queria partí-la, não queria comê-la. Só tê-la!
Gurdalaia para um dia, bem especial saborear pedaço por pedaço, com o prazer do desejo encontrado... já disse: eu gostava de fazer isso comigo: prolongar  a espera dos meus momentos de prazer e até momentos de tensões...esperar por eles...deliciar-me com essa espera!
Poe isso guardei a rapadura numa lata grande que sempre ficava num "!armário" esperando ser preenchida com algo diferente.
Papai  havia feito de caixote esse "armário" que era o nosso orgulho. Ali já havia sido depositados, além das coisas de extrema necessidade, muitos sonhos e esperanças;esperanças de minha mãe, de todos, e principamente as minha esperanças de dias melhores, dias em que esse "armario", ficasse cheio de sabores e principalmente de  rapaduras
Depois de alguns dias, minha mãe me chamou para eu ir para a escola, (ela era a minha escola), eu deveria ir para o quintal onde havia um quartinho e, enquanto passava a roupa de casa e de alguns vizinhos ela pudesse ensinar-me o pouco que sabia. Pé-ante-pé eu fui ao "armário para dar uma espiadinha na minha rapadura...quem sabe, depois da "aula" com aquela alegria que sempre me tomava após ter cumprido o meu dever "civico"
 eu comeria o meu pedaço de prazer?
O susto fez gelar-me as entranhas! minha rapadura havia sumido!!!!!!!
Senti o vazio da perda. A sensação da morte! E agora, que fazer com todo aquele sofrimento? Todo aquele ódio?
Não poderia ir à "escola" Não iria agüentar ouvir a voz da minha mãe gritando por da-cá aquela palha com aquela voz mais feia do que a do galo do meu vizinho, aquele viúvo...Não! Pedi a minha mãe que me liberasse aquele dia. Eu estava de luto. Perdi um tesouro: minha rapadura
Desde esse dia inesquecível eu mudei, e que mudança! Mas somente hoje eu percebo essa Mudança....
Aquela voz não me incomoda mais...não me deixa desconfortável, não suo, não tremo ...EU MUDEI! Tudo muda!, As coisas mudam! As pessoas mudam! Ah! As pessoas! Seres maravilhosos como as maravilhosas RAPADURAS! hoje, depois de tanto ytempo o mundo sorri para mim!!1
dezinha
Enviado por dezinha em 20/08/2005
Código do texto: T43914
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Sobre a autora
dezinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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