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CONTOS INSÓLITOS E DUVIDOSOS I.

 

 

 

Senhor Januário.

 

 

 

Pretendo aqui contar alguns pequenos contos, (fatos insólitos) que ouvi de pessoas mais velhas, inclusive, alguns deles eu os presenciei ou escutei em tempo real, por isso, vos conto com toda autoridade e em primeira mão.

Vou contar-vos sobre o Sr. Januário, a Sinhá Clara, o Nini, o Índio Carmo e a Mulher do Tamborete.

Aqueles que eu ouvi dos meus avôs e do meu pai, para falar a verdade, eu não ponho a minha mão no fogo, pois quem conta um conto aumenta um ponto.

Primeiro, porque eu não presenciei as supostas ocorrências fantasiosas, para poder chancelá-las como verídicas, segundo, porque os Açorianos são pescadores muito supersticiosos e chegados a uma mentira jocosa, principalmente aquelas ditas misteriosas ou sobrenaturais.

Bom, os fatos verídicos que hoje somente habitam o mundo dos contos, e que eu com muita coragem os chancelo como verdadeiros, por isso mesmo, eu começarei aqui por um deles, o mais estranho que tive a oportunidade de presenciar quando menino.

Muito embora e, como sempre, deve ser alertado por ter características insólitas, e assim, ainda temos que usar aquele chavão muito conhecido quando se conta coisas dessa natureza: “Acredite se quiser”!

Trata-se do Senhor Januário:

O Senhor Januário, já idoso e pai da minha primeira professora, ele sofria daquele mal que enche o escroto de água (hidrocele) e, por essa deformidade nas partes pudendas, era muito conhecido e jocosamente comentado.

Mas não é a respeito do escroto cheio d’água do Sr. Januário que vamos falar, mas sim da sua paranormalidade que, com os olhos, apanhava até laranjas.

Acreditamos que ele sem saber, é claro, manifestava um tipo de telecinesia, isto é, movimentava objetos e pequenos animais sem a ação mecânica dos sentidos.

Naquela época não existia o IBAMA, e o nosso divertimento era caçar os passarinhos com gaiola e alçapão, exatamente defronte à casa do Sr. Januário.

Lá existia uma fruteira e abundava os Gaturamos, Loronhos, Continhos, Gaipavas, Saíras e outros.

O Sr. Januário que sempre estava sentado na frente da casa lagarteando, quando nos via se oferecia para, com os olhos derrubar os passarinhos da fruteira.

Depois de alguns segundos olhando para a fruteira, os passarinhos caiam como que bêbados, e o nosso trabalho era apenas pegá-los e colocá-los dentro das nossas gaiolas.

Diziam naquela época que ele hipnotizava até as galinhas, fazendo-as dormir, e fazia o cuco do seu relógio de parede cantar quando ele queria.

Até os cachorros tidos como violentos ele os amansava, olho no olho, transformando-os em cordeirinhos.

Acredite se quiser.

 

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 02/09/2007
Código do texto: T635342
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira