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Opostos

E agora ele confuso escreve. Está confuso no que sente, escreve e ve.Ele escreve porém, sabe que ela não vai ler, não por algum motivo de visão ou analfabetismo, mas simplesmente por ser uma porta de bunda grande. Ele a achava vulgar, agora so meio vulgar, achava-a , como posso dizer....uma cachorra. Desconfia de tudo e os que  o rodeiam avisam, sem saber, onde estaria ele entrando. Aquela do chiclete sempre mascado, saia curta e sorriso grande ( até sobrando alguns dentes), do cabelo metade crespo, metado também, das pernas levemente torneadas e a bunda enorme. Aquela que xinga, fala alto, mostra o dedo do meio , possivelmente nunca leu um livro e nem sabe quem é Chico Buarque, talvez tenha até ouvido falar, mas acha chato. Aquela que bebe, dança funk, ouve pagode, tem amigas vadias ( mais bonitas que ela por sinal), porém jura de pé junto que é e tenta parecer diferente delas. Essa é ela.
Ele por sua vez, não gosta da maioria das ccoisas que ela gosta.Não gosta de funk, nao fala alto ( so quanddo bebe), não é flamengo, gosta de Chico Buarque, lê Drummond de Andrade. Alto, sem porte atlético, uma barriguinha saliente, cara de bobo, nariz adunco, voz grossa, serena e com tendencia a ser sincero ( o que quase sempre dói). Ele é inteligente, não se encaixa no universo dela, ela com aquele coração ( e bunda) gigante o atrai e o faz orbitar em seu redor, percebe então a gravidade da gravidade.
Por muitas vezes lhe passa pela mente um filtro de certo e errado, de probabilidades incalculáveis. Ele não confia nela, ela sabe, ele se surpreende com ela, mas não sabe se ela sabe. Ele, sempre fazendo julgamentos, a havia declarado culpada, ou imprópria para algo mais sério, entretanto começa a temer, pois o que era pra ser rápido e decisivo, está intenso e perturbador. Descobre ele sobre o estado intocado da moça, mas logo ela, ela a qual levantava a suspeita de ter sido possuída por vários.Naquele dia entrega-se a ele, aquela que apesar dos pesares, nunca havia estado com homem nenhum, deita-se com ele, mais uma vez o falastrão paga a língua.  
Símio
Enviado por Símio em 23/09/2007
Reeditado em 23/09/2007
Código do texto: T664361
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Sobre o autor
Símio
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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