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E agora mané?

Na atual situação lembra-se de : E agora José, de Carlos Drummond de Andrade. Isso pelo fato de que a luz apagou, o povo se foi, e apenas o silêncio e o palpavel breu enchem o espaço.O cheiro do vinho derramado no carpete e o odor de salgadinhos frios empestiam o ar. A embriaguez está passando e a boca começa a secar. A língua está ficando dura, e a pouca saliva está dando nó para engolir. Não tem forças para virar de lado e vomitar, acho que nem tem forças para vomitar. è bom que não vomite mesmo, engasgaria com a propria nojeira. Seu cérebro ordena que seu braço mova a mão e essa pegue o controle e ligue a televisão. O braço não obedece.
Com os olhos fixos no nada, começa a imaginar certas coisas, lembrar de outras. Finalmente não sabe o que é verdade e o que é coisa de sua mente. Com uma imagem turva, começa vir um som. A imagem vai crescendo. Ele a vê estendendo-lhe a mão e sorrindo. De repente estão num lugar diferente, com o som do vento nos ouvidos eles caminham por uma rua. Parecem felizes estão saindo. Ele põe uma flor em seus cabelos e tudo se torna turvo. Num estalo esta saindo com seus amigos, o carro em que eles vão e vermelho. Estão sempre sorrindo, ele sente escorrer a baba quente do canto de sua boca. Tenta secar, mas não consegue, está sem cordenação.
Começa a ficar perturbadora a imagem, o som das palavras o irrita, deseja intensamente que a luz se acenda, ou que durma mesmo com seus febrís delirios. Ninguém o acordará, nem acenderá a luz, a porta se fechou e ele está sozinho agora. O que lhe resta, assim que o porre passar, é arrumar a casa e sua vida.
Símio
Enviado por Símio em 23/09/2007
Código do texto: T664460
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Sobre o autor
Símio
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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