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                             DOIS CORPOS E UMA ALMA

       Por volta de 1920, numa cidade muito pequena e cercada de montanhas nasceram numa madrugada os gêmeos que receberam os nomes de José e Maria. Eram de família muito simples, e moravam numa casa pequena afastada da vizinhança.

       A mãe Isolina, já tinha 2 filhos e seu marido estava com muitos problemas de saúde. Apesar de viverem com muita simplicidade, José e Maria cresceram felizes, pois não se desgrudavam por nada. Só andavam juntos, tudo que faziam era em comum acordo.

       Assim foram crescendo e a cada dia se tornavam mais unidos. Quando completaram 15 anos, Maria foi picada por uma cobra venenosa e como não tinham recursos naquela época, ela ficou muito mal. José então se desesperou. Não sabia o que fazer para que Maria melhorasse. Ele sentia-se triste, abatido e impotente. Rezava a Deus, fazia promessas e nada. Maria piorava a cada dia.

       Foi então, visitar a pequena Igrejinha da cidade e implorou ao Padre que fosse a sua casa fazer orações para que Maria melhorasse. Andou por toda a redondeza, procurou curandeiros, benzedeiras até que Maria apresentou uma pequena melhora.

       José já estava mais animado e contente, foi então que resolveu levar Maria para dar um passeio à cavalo, pois era uma das coisas que ela mais gostava de fazer. O sol estava muito quente e Maria ainda fragilizada sentiu-se mal. Pediu então ao seu irmão que voltassem para casa, pois ela precisava descansar. José imediatamente atendeu ao seu pedido.

       Chegando em casa Maria começou a ficar fria e pálida. Seu corpo estremeceu todo. Ela teve um colapso e não resistiu. Sua última palavra pronunciada foi o nome de José e logo depois fechou os olhos e se foi para sempre.

       José não se conformava. Primeiro ficou revoltado, blasfemava contra tudo e contra todos, pois não aceitava a perda de sua irmã e amiga. Passados 15 dias, o rapaz caiu em depressão. Não queria mais comer, nem saia de casa para nada. Passava os dias amuado pelos cantos e foi perdendo as forças e a vontade de viver.

       Após um mês vivendo sem a companhia da irmã, José parecia um trapo humano. Emagreceu muito, pois não comia nem bebia absolutamente mais nada. Sua mãe implorava para que ele reagisse e fazia seu prato preferido para que ele animasse a comer alguma coisa, mas não adiantava. 

       Foi então que numa noite de Lua cheia, José ouviu uma voz suave chamando por seu nome. Levantou meio tonto e foi ver o que era. Abriu a porta e viu um Anjo iluminado e cheio de estrelas à sua volta que lhe dizia:

       _ José... José... Chegou a sua hora. Vim buscá-lo para que fiquemos juntos outra vez. Somos uma só alma que foi dividida em dois corpos pelos mistérios Divinos, e agora vamos nos unir novamente por toda a eternidade.

       O corpo de José caiu ao chão sem vida, e seu espírito subiu iluminado, flutuando em direção a Maria... 

 
Glória Cunha Matutina
02/11/07


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Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 02/11/2007
Reeditado em 27/07/2014
Código do texto: T720628
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Raio de Lua
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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