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Ato falho

                                    ATO FALHO

           Olhando  aqueles rabiscos na parede do  banheiro, teve a idéia. Poderia resolver em  parte  seus problemas financeiros; que andavam ligeiramente desproporcionais.
           Claro  que primeiramente teria de falar com a  esposa, ver o que achava,poderar as consequências. Mas não acreditava que elas se  negaria. Alêm  de ser por uma boa causa, Ernesto sabia que sua mulher nunca tinha sido uma boa "bisca".
           Explicada toda a situação, dito e feito. Ela acabou topando. Helena sempre fora realmente uma devassa, e se fosse para o "bem econômico" da família, que mal havia !!! Mas teria de ser apenas uma vez. Sem réplica ou téplica -- avisou. Ele avisou !!!
  Então Ernesto criou uma singela mensagem a ser colada em quantos banheiros as suas finas canelas pudessem percorrer:
   "Quer comer minha mulher? Estou esperando a melhor oferta"
Tascou o número do próprio celular, para a coisa ficar sob seu controle. Afinal, era a sua esposa, e ele não iria querer nenhum eventual envolvimento "emocional", depois de tudo e de tanta sola de sapato gasta. Mesmo sendo ela uma libertina.
          Inícilmente achou a frase um pouco vulgar. Fútil. Depois de uns 100 papeizinhos, colados em vários pares de portas imundas, acostumou-se com aquela expressão chula.
Em alguns ainda acrescentou um : "Não vai se arrepender", com uma caneta vermelha de escrita grossa.
Não demorou muito e o celular começou a tocar. Dispensava ofertas abaixo do mínimo que estipulara. Até que um lance se tornou irrecusável, e após um contato pessoal, acertaram todos os detalhes.
         No dia e hora combinados, o distinto cavalheiro compareceu ao apartamento do casal.
Ernesto deveria sair, sem antes receber o pagamento, em espécie, que seria depositado em sua conta pessoal o mais rápido possível, para evitar um infeliz arrependimento de última hora.
         Enquanto fosse ao banco, que a mulher se virasse. Com a carteira recheada, teve uma ponta de pesar por ter dito a ela que somente uma vez bastaria. Mas sabia que era uma situação compreensivamente reversível.
         Passadas as 2 horas combinadas, voltou para o seio do seu lar, a espera do olhar constrangedor da companheira. Mesmo porque ela com certeza haveria de se queixar da coisa ter sido difíci, penosa, laborosa, e que não teria sido tão simples
assim. Isso para poder requerer uma parte do dinheiro, que por si só, ainda não era suficiente para resolver por completo as suas pendências --- principalmente as que ela nem sonhava da existência.
         Mas não foi isso que encontrou quando cruzou a sala, até a cozinha, atrás da mulher.
         Helena, ou pelo menos o que restava dela, estava disposta em cima da mesa.
Fora comida, roída, consumida, ou seja lá o que pudesse ser feito com um ser humano, no sentido "culinário" da coisa.
         Do outro lado, o distinto sujeito sorvia um café, tranquilo e totalmente absorto.
         Antes de perder os sentidos, Ernesto ainda o pode ouvir do insólito comilão, uma última frase:
         -----" Posso levar o restante para casa ?"

Márcio José
Enviado por Márcio José em 04/11/2007
Código do texto: T723043
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Sobre o autor
Márcio José
Curitiba - Paraná - Brasil, 49 anos
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Márcio José